E claro que seriam eles... Os bebês... Esses seres fofos que me trariam de volta ao blog.
Na correria do dia a dia e na pausa das férias, estive ausente neste espaço, para ficar presente em minhas relações. Agora volto recarregada de energia, de quem acredita mesmo que a vida vale a pena - e na minha vida, esse blog carrega muito sentido. Aqui, elaboro e compartilho alguns de meus sentimentos e pensamentos, e nesse exercício consigo entender mais sobre mim, o outro, o mundo.
Trata-se de um exercício simples e ao mesmo tempo complexo esse de se reelaborar. Acima de tudo, o exercício que mais as mães fazem desde a chegada de seus pequenos. Agora mesmo acabei de ler sobre uma pesquisa da Universidade Autônoma de Barcelona que verificou uma grande alteração na massa cinzenta do lobo temporal e do córtex pré-frontal no cérebro de mães de primeira viagem. Essas áreas que sofreram mudanças significativas são responsáveis por reconhecer emoções alheias, o que sugere o corpo se preparando para adquirir uma maior capacidade em intuir as necessidades dos filhos e seu estado emocional, além de ajudar na construção da conexão afetiva entre ambos. Por isso, não só só os bebês recém chegados a esse mundão me encantam como também as mamães e papais recém nascidos.
Meu nascimento como mãe, há 6 anos, ainda traz marcas fortes em mim. Sou outra desde então, ainda mais depois de parir mais duas vezes. Sigo me descobrindo, ensinando enquanto me aprendo com meus filhos, e também com todas as pessoas de meu entorno. Na torcida para que todos possam ter seu tempo respeitado para a construção desses vínculos tão preciosos.
Outro dia, numa roda de conversa, uma amiga querida, grávida, contou que vinha se sentindo uma rainha. Estava linda, mais sábia e radiante, e muito surpreendida pelo excesso de zelo das pessoas para com ela. As outras mulheres presentes, já mães logo lhe aconselharam a aproveitar esse tempinho, pois logo iria perder o reinado. Confesso que minha fala também foi nessa direção. Essa chuva de palpites que se inicia na gravidez é sempre delicada, mesmo quando carregada das melhores intenções. No caso, de ajudá-la a não idealizar em excesso o momento pós-parto. Mas depois, fiquei me perguntando? Como saber qual é o excesso ou não? Quem define esse limite, se essa é uma vivência absolutamente pessoal, tanto que as experiências são bem diferentes?
O que as vivências carregam em comum é a chegada de um bebê que muda tudo. Nesse sentido, temos mesmo que sair do trono para receber esse ser e para nos situarmos de nosso novo lugar - mas não para darmos o lugar a esse bebê, que é o que costuma acontecer em nossa sociedade, deixando tudo confuso para o pequeno, que passa a entender o mundo e as pessoas, a partir de seus desejos.
Nesse contexto, o que sobra à mulher é pressão de todos os lados, se fica de pijama o dia inteiro é uma mãe zelosa, mas uma mulher descuidada, se não passa, é o oposto. Ou seja, ela fica sem lugar. Por um tempo, isso é natural, pois trata-se de cada uma, frente às suas vivências, estar em busca de encontrar-se... diferente.
Digo muito que dessa época dos meus filhos bebês carrego saudades deles, mas não de mim. Afinal, junto à alegria da chegada de meu filho sentia um luto pela mulher que era. Não era um sentimento gostoso de sentir, por isso não guardo apego, mas sei que ir a fundo nesse luto, até para sair dele, era necessário para a minha reconstrução. Contudo, caso vivêssemos numa sociedade mais humana, esse momento poderia ter sido mais proveitoso para que com o tempo, as mães conseguissem voltar a ocupar um lugar de rainha.
Ser mãe é uma coisa muito poderosa. Uma rainha de plenitude, de quem gerou e carregou um ser especial, pariu, amamentou e lhe dá suporte para as primeiras conquistas e por isso será sempre uma referência importante em sua vida. E uma rainha que sabe que não fez tudo sozinha, mas contou com seu parceiro, que também está elaborando o vivido e precisa ser cuidado, e das pessoas ao redor que lhe deram apoios variados. Afinal, um reinado não se faz na solidão.
No meu caso, escrever foi um instrumento importante para me reorientar. E qual minha alegria quando fico sabendo que este canal do blog ajudou outras pessoas! Outro dia recebi (mais) uma mensagem carinhosa da querida Fe, me cobrando pela minha ausência nesse espaço... Então cá estou!
E vamos às boas vindas, tanto para os bebês como para às mães e pais!
Gael: seja bem vindo!!!
Nesse momento, um lar cheio de amor, está em festa. Gael chegou!
Renata e Jano devem estar radiantes, sentindo que todo o amor que nutrem um pelo outro agora deu vida a outro ser. Parabéns! Desejo muitas felicidades a vocês três.
Fiquei muito feliz ao me dar conta de que um dia antes a esse nascimento, meu trio deu a "bênção" ao pequeno ainda na barriga. Eles ficaram encantados, quiseram brincar de nascer de novo. Em nossa despedida disse: "tchau Re, até amanhã!" e ela respondeu: "quem sabe..." e deu seu sorriso gostoso, como de quem já sabia do que viria acontecer no dia seguinte. Mãe sabida esta! Parabéns!
Dudu: seja bem vindo!!!
Outro dia, conheci um ser de uma semana, o Dudu!!! Menino lindo, parabéns Carol. Pena que estava para cair uma chuvarada e para o bem dele, nosso encontro foi breve. Mas nesse caso, sei que nos veremos mais. Desejo tudo de bom para vocês.
Joana: seja bem vinda!!!
Olha que delícia o jeito como o nascimento da pequena Joana foi anunciado pela mãe, minha querida e saudosa Mariana, assim: "Na segunda quinta-feira do ano se comemora a festa do Senhor do Bonfim. Minha Joana escolheu esse dia para nascer! Axé minha linda!". O que dizer mais, se tudo já foi dito??? Só posso desejar mais axé, muito axé para todos vocês que isso nunca é demais!!!
Sofia Alfano: seja bem vinda!!!
Sofia chegou para embelezar a família. Parabéns Gui e Talita e felicidades à pequena!!! Sua chegada é uma bênção, sei que vocês serão pais incríveis, com avós muito carinhosos!!! Contem com os primos daqui para o que precisarem. Beijos grandes.
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domingo, 26 de fevereiro de 2017
domingo, 6 de novembro de 2016
Aprendizados com outras culturas
Sou muito questionadora ao estilo de vida de outras culturas que as pessoas insistem em importar, sem reflexão e subestimando nossa cultura. Mas nessa vida tenho aprendido a não ser tão feroz nessas críticas quando se trata de ludicidade e de alargamento de nossos parâmetros culturais. Desses aprendizados que pelo menos no meu caso, vem da experiência materna.
Ser mãe me convoca a responsabilidade de fazer escolhas pelas minhas crianças até que elas possam fazê-las plenamente, responsabilizando-se por ela. Isso é autonomia, ter o poder de auto governar-se. Trata-se de uma construção, por isso desde pequenas algumas escolhas feitas diretamente rpecisam ser respeitadas e/ou colocadas para reflexão. E justamente nesse jogo sobre o que escolho e o que meus filhos me provocam de movimento, com suas questões diferentes das minhas, preciso fazer um exercício de ponderar. refletir sobre o que não abro mão e o que posso (e devo) felxibilizar, aprendendo com eles. Me dispondo a conhecer o mundo de outro jeito. A beleza de partilhar o mundo com alguém, que só reforça nosso vínculo uns com os outros e com a vida. Vida viva. E a cultura promove esses encontros: com o passado e o presente, entre diferentes regiões, para nos lembrar de nossa diversidade que precisa ser respeitada, ainda mais quando se trata de festas populares.
Assim, neste ano, frisando muito para as crianças que brincaríamos de algo de outra cultura (sem esperar que entendam isso nesse momento de suas vidas...) fomos a uma "Fiesta de los muertos" em homenagem à cultura mexicana que tem uma relação muito interessante com a vida e morte. Aqui, sugiro o filme "Festa no céu", é lindo e muito inspirador. Com um enredo muito bonito, ele conta dessa relação dos mexicanos com a morte. Enquanto os mortos são lembrados eles permanecem vivos, numa grande festa! Por isso a importância de festejarmos em suas homenagens. E que maravilha de festa! São Paulo é mesmo incrível pela sua diversidade.Imaginar que num evento você encontrará pessoas completamente mergulhadas na brincadeira, fantasiadas, animadas e desejosas de ousar viver de outra forma. Além dos sabores da comida, da música, da dança, a arte, sensacional!
Também topei entrar no convite das crianças de chegar em casa e enfeitar nossa casa de Halloween: fizeram desenhos incríveis, colocaram pela sala, na porta do lado de fora para assustar quem entrasse, resgatei uns tules e penduramos em tudo. Já fui questionada em fazer festa de pirata para meu filho e ter caveira nela, como um símbolo do mal, das trevas. respeito quem acredito nisso, mas lido com essas questões pelo lado lúdico, que ao meu ver, traz muita luz. Me encantei tanto pelo envolvimento deles que dei a ideia de passarmos pelos apartamentos para pedirmos doces. "Mas sem nem combinar com os moradores?", dirão alguns, "Que falta de educação", dirão outros, "Ninguém vai entender, porque não é da nossa cultura", ainda outros... Pois é, resolvi fazer tudo improvisado, mesmo sabendo que não era o melhor cenário, mas combinando muito com eles que alguns não teriam doce, alguns teriam mas não vão querer compartilhar, mas de verdade achei bacana eles se colocarem em interação. "mas no nosso prédio só tem pessoa mais velha, a gente nem tem contato", disse Luiz. Pois mais um motivo para fazermos movimento. Esse é o prédio deles, e a verdade é que eu e Luiz pouco temos investido nessa construção de relação com nossos vizinhos. senti ali uma possibilidade de avançarmos nesse sentido.
Chamamos a única criança que meus filhos conhecem no prédio e lá fomos animados, de porta em porta. E foi incrível! Me surpreendi com caras desconhecidas e muito simpáticas, que desde então viraram rostos conhecidos, com nomes e uma pequena história que começou a ser tramada. Eles ainda participaram da festa do prédio da tia, que por meio desse evento pela primeira vez conseguiu conhecer os vizinhos e todos estavam surpresos ao descobrir que naquele prédio havia tanta criança. Temos que pensar nisso, estamos num tempo vivendo em bolhas, com medo da violência, na correria, com pouca disposição a criar e manter relações, porque dão trabalho, ainda mais quando escancaram diferenças de pensamentos, e assim vamos ficando intolerantes, preguiçosos, com certeza em nossas certezas, superficiais, conformados com todo esse cenário, e tudo isso, não deixa de ser uma violência ao modo como vivemos. Tenho achado que em algumas situações, mesmo o pretexto sendo bobo para um evento, vale a pena para a possibilidade do encontro acontecer. E quando ele ocorre, ele nos transforma. Eu saí mexida dessas vivências, tanto que meus pequenos foram amais uma festa de Halloween organizada pelos amigos, e assim vamos aproveitando dessa grande oportunidade que é viver com o outro. Não é fácil. Mas ao meu ver, a vida só tem sentido assim. Junto.
Ser mãe me convoca a responsabilidade de fazer escolhas pelas minhas crianças até que elas possam fazê-las plenamente, responsabilizando-se por ela. Isso é autonomia, ter o poder de auto governar-se. Trata-se de uma construção, por isso desde pequenas algumas escolhas feitas diretamente rpecisam ser respeitadas e/ou colocadas para reflexão. E justamente nesse jogo sobre o que escolho e o que meus filhos me provocam de movimento, com suas questões diferentes das minhas, preciso fazer um exercício de ponderar. refletir sobre o que não abro mão e o que posso (e devo) felxibilizar, aprendendo com eles. Me dispondo a conhecer o mundo de outro jeito. A beleza de partilhar o mundo com alguém, que só reforça nosso vínculo uns com os outros e com a vida. Vida viva. E a cultura promove esses encontros: com o passado e o presente, entre diferentes regiões, para nos lembrar de nossa diversidade que precisa ser respeitada, ainda mais quando se trata de festas populares.
Assim, neste ano, frisando muito para as crianças que brincaríamos de algo de outra cultura (sem esperar que entendam isso nesse momento de suas vidas...) fomos a uma "Fiesta de los muertos" em homenagem à cultura mexicana que tem uma relação muito interessante com a vida e morte. Aqui, sugiro o filme "Festa no céu", é lindo e muito inspirador. Com um enredo muito bonito, ele conta dessa relação dos mexicanos com a morte. Enquanto os mortos são lembrados eles permanecem vivos, numa grande festa! Por isso a importância de festejarmos em suas homenagens. E que maravilha de festa! São Paulo é mesmo incrível pela sua diversidade.Imaginar que num evento você encontrará pessoas completamente mergulhadas na brincadeira, fantasiadas, animadas e desejosas de ousar viver de outra forma. Além dos sabores da comida, da música, da dança, a arte, sensacional!
Também topei entrar no convite das crianças de chegar em casa e enfeitar nossa casa de Halloween: fizeram desenhos incríveis, colocaram pela sala, na porta do lado de fora para assustar quem entrasse, resgatei uns tules e penduramos em tudo. Já fui questionada em fazer festa de pirata para meu filho e ter caveira nela, como um símbolo do mal, das trevas. respeito quem acredito nisso, mas lido com essas questões pelo lado lúdico, que ao meu ver, traz muita luz. Me encantei tanto pelo envolvimento deles que dei a ideia de passarmos pelos apartamentos para pedirmos doces. "Mas sem nem combinar com os moradores?", dirão alguns, "Que falta de educação", dirão outros, "Ninguém vai entender, porque não é da nossa cultura", ainda outros... Pois é, resolvi fazer tudo improvisado, mesmo sabendo que não era o melhor cenário, mas combinando muito com eles que alguns não teriam doce, alguns teriam mas não vão querer compartilhar, mas de verdade achei bacana eles se colocarem em interação. "mas no nosso prédio só tem pessoa mais velha, a gente nem tem contato", disse Luiz. Pois mais um motivo para fazermos movimento. Esse é o prédio deles, e a verdade é que eu e Luiz pouco temos investido nessa construção de relação com nossos vizinhos. senti ali uma possibilidade de avançarmos nesse sentido.
Chamamos a única criança que meus filhos conhecem no prédio e lá fomos animados, de porta em porta. E foi incrível! Me surpreendi com caras desconhecidas e muito simpáticas, que desde então viraram rostos conhecidos, com nomes e uma pequena história que começou a ser tramada. Eles ainda participaram da festa do prédio da tia, que por meio desse evento pela primeira vez conseguiu conhecer os vizinhos e todos estavam surpresos ao descobrir que naquele prédio havia tanta criança. Temos que pensar nisso, estamos num tempo vivendo em bolhas, com medo da violência, na correria, com pouca disposição a criar e manter relações, porque dão trabalho, ainda mais quando escancaram diferenças de pensamentos, e assim vamos ficando intolerantes, preguiçosos, com certeza em nossas certezas, superficiais, conformados com todo esse cenário, e tudo isso, não deixa de ser uma violência ao modo como vivemos. Tenho achado que em algumas situações, mesmo o pretexto sendo bobo para um evento, vale a pena para a possibilidade do encontro acontecer. E quando ele ocorre, ele nos transforma. Eu saí mexida dessas vivências, tanto que meus pequenos foram amais uma festa de Halloween organizada pelos amigos, e assim vamos aproveitando dessa grande oportunidade que é viver com o outro. Não é fácil. Mas ao meu ver, a vida só tem sentido assim. Junto.
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Uma viagem na viagem em Reggio Emilia
Sabe quando metade de você quer uma coisa e a outra não? Sabe quando depois a metade que queria fica receosa e a outra que não queria passa a querer isso mais do que tudo? Sabe quando está prestes a realizar um sonho antigo que dá medo justamente porque sabe que a partir de então as coisas vão mudar? No momento me sinto assim... Com minha humanidade aflorada em todos meus sentidos rumo a novas experiências! Nesta viagem, levo e deixo o melhor de mim.
A viagem começou... Conexão em Londres. Me animei em comprar uma lembrancinha bem singela, do tamanho de minha passagem por essa cidade. Dentre muitas opções esteriotipadas me encantei por uma caneta. Na hora de pagar me atrapalhei na máquina, e me sentindo uma tola fui pagar do modo tradicional. Foi quando me senti ainda mais tola ao me ver com um monte de libras que não usaria. Ao desfazer a confusão vi que acabei perdendo dinheiro (justo ele que nunca para na carteira). Mas ainda bem a vida não se baseia só na economia! Foi o que pensei quando me acalmei, porque "na cotação da vida eu ganhei". Afinal, eu queria uma lembrança desse momento e nunca esta vem pelo objeto por si só, mas pelas histórias que eles carregam. São as narrativas que construímos que dão sentido às nossas vidas. E para minha alegria, a caneta coube certinho no caderninho que ganhei da Andrea. É certo: ao final voltarei com o caderno cheio e a alma leve.
PS: esse acontecimento me lembrou do filme "o contador de histórias", recomendo!

E cheguei à Itália! Ainda não acredito que não se trata de um sonho... Confesso que na hora de pisar o chão pela primeira vez deu até vontade de beijá-lo tal como faz o papa - esse fofo que acolhe a todos, sendo ou não católicos. Ao invés disso, chorei de emoção e aos poucos percebi que meu frio na barriga passou, deixando minha barriga vazia. E talvez justamente por conta dessa ausência do medo logo senti uma fome... Uma fome imensa de mundo! Como boa taurina, em geral, funciono assim diante de mudanças para depois conseguir desfrutar delas. Quase um ritual de passagem: respeitando meu ritmo e contando com apoio procuro me esvaziar (um tanto) para fazer caber as novas experiências e ter fôlego de digerir os novos assombros gerados a cada novo encontro. Hoje, vivi um dia intenso nos museus (onde reencontrei obras que ajudaram a me formar) e parques (onde vi muitos italianos usufruindo de sua cidade com maior engajamento e outros passando necessidades - as coisas estão difíceis pra maioria dos países). No fim, participei de uma manifestação, pelo tanto que me senti envolvida, afinal somos todos a favor da ideia de família diversa tendo em comum o amor.

E ontem ainda teve tango! Pensa na cena: você está numa praça, já começando a pensar em ir embora porque está com frio e cansada e de repente uns senhores e umas senhoras, todos super em forma, começam a dançar tango com umas máscaras de lobo e isso vai chamando a atenção de todos que se juntam. Logo, velhos e jovens, homens e mulheres, arrumados e desencantados estão dançando com o maior deleite! Surtei. Só não dancei junto porque era tango... Rs Depois de um tempo ainda contaram que a máscara é uma forma de protesto a uma lei que está para ser aprovada e que pode colocar os lobos em risco de extinção. Sensacional! Dormi nos céus! E como dormi!!!! Perdi o café da manhã até... Rs e também me perdi do mundo, pois passei o dia desconectada... Computador não cabia na tomada, arrebentei fio do celular, no trem sem Wi-Fi livre e no hotel em Reggio (sim, cheguei!!!) a internet com problemas. Achei fofo algumas pessoas me cobrando mais histórias...Rs. Acho que foi um sinal para eu me desligar e me concentrar no que estou vivendo, em como essa experiência é única e não vale a pena perder nada! Amanhã começa o curso em Reggio e conforme for possível dou notícias, certamente outras muito sensacionais!

Um brinde de Spritz ao afastamento de Cunha! Que caiam outros! Tim tim.

É hoje a estreia do maravilhoso filme "o começo da vida", que por meio de imagens e histórias emocionantes aflora nossa humanidade. Luiz e minhas meninas participaram desse projeto. Foi uma participação pontual, uma tarde no parque que resultou em três tomadas rápidas, mas suficiente para nos deixar orgulhosos por ser parte de um filme que valoriza a infância. Neste momento, tão longe de meus filhotes e meus alunos e alunas a saudade fica ainda maior. Um oceano nos separa. Por outro lado, estar numa cidade que valoriza a infância me faz sentir totalmente mergulhada... Na infância, no humano, no belo, no ético, na vida, na poesia, na história... Sobre Reggio Emília e o porquê de eu ter sonhado tanto estar aqui: Fim de guerra. Pessoas precisando se recompor, almas precisando ser curadas, cidade precisando ser reconstruída. Nesse processo, escolhas precisam ser feitas e estas sempre revelam... Neste caso, o que há de melhor nos seres humanos envolvidos. Pensa... Numa assembleia da população sobre como usar o dinheiro arrecado com a venda de um tanque de guerra, homens queriam a construção de um cinema e vou mulheres, de escolas. Quem ganhou??? Naquele momento, as escolas. Mas hoje vemos que todos ganharam! É mesmo muito inspirador ver o tanto que essa população construiu a partir da opção pela infância e tudo mais que vem junto... Esperançosa que sou, acredito que podemos aprender com experiências como as do filme e as de Reggio, e assim navegar juntos por novos mares!
PS: fiz esse barquinho amarelo no REMIDA...

A placa diz tudo: uma escola da infância em Reggio Emília em homenagem a Paulo Freire! E o meu sorriso diz um pouco de minha infinita emoção! Num lugar que respira e inspira uma vida poética bom saber que também aprendeu um pouquinho com a gente! "Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário." Assim, num clima de "Reggio Freire" volto animada para continuar nossas construções de escolas transformadoras - tal como os nossos jovens estão fazendo!

Contar sobre o que entendo por educação, representando uma equipe toda já é em si uma experiência inesquecível! Mas como tudo na minha vida, uma história emenda na outra... Pois antes de minha apresentação o pen drive não funcionou e quando eu já ia desistir minhas colegas não deixaram e me animaram a ir até o hotel buscar meu computador... Nisso, a pedagogista italiana (fofa!) me ofereceu sua bicicleta... E lá vai eu, em meu último dia de Reggio Emília pedalar pela cidade... Foi sensacional! Por esse apoio de todos, por vencer uma dificuldade e principalmente por pedalar pela cidade. No caminho, vi e senti coisas que ainda não tinha experimentado andando à pé, e isso ajudou a me tranquilizar e a me despedir desse lugar que deixa marcas tão fortes em mim.
PS: esse acontecimento me lembrou do filme "o contador de histórias", recomendo!

E cheguei à Itália! Ainda não acredito que não se trata de um sonho... Confesso que na hora de pisar o chão pela primeira vez deu até vontade de beijá-lo tal como faz o papa - esse fofo que acolhe a todos, sendo ou não católicos. Ao invés disso, chorei de emoção e aos poucos percebi que meu frio na barriga passou, deixando minha barriga vazia. E talvez justamente por conta dessa ausência do medo logo senti uma fome... Uma fome imensa de mundo! Como boa taurina, em geral, funciono assim diante de mudanças para depois conseguir desfrutar delas. Quase um ritual de passagem: respeitando meu ritmo e contando com apoio procuro me esvaziar (um tanto) para fazer caber as novas experiências e ter fôlego de digerir os novos assombros gerados a cada novo encontro. Hoje, vivi um dia intenso nos museus (onde reencontrei obras que ajudaram a me formar) e parques (onde vi muitos italianos usufruindo de sua cidade com maior engajamento e outros passando necessidades - as coisas estão difíceis pra maioria dos países). No fim, participei de uma manifestação, pelo tanto que me senti envolvida, afinal somos todos a favor da ideia de família diversa tendo em comum o amor.

E ontem ainda teve tango! Pensa na cena: você está numa praça, já começando a pensar em ir embora porque está com frio e cansada e de repente uns senhores e umas senhoras, todos super em forma, começam a dançar tango com umas máscaras de lobo e isso vai chamando a atenção de todos que se juntam. Logo, velhos e jovens, homens e mulheres, arrumados e desencantados estão dançando com o maior deleite! Surtei. Só não dancei junto porque era tango... Rs Depois de um tempo ainda contaram que a máscara é uma forma de protesto a uma lei que está para ser aprovada e que pode colocar os lobos em risco de extinção. Sensacional! Dormi nos céus! E como dormi!!!! Perdi o café da manhã até... Rs e também me perdi do mundo, pois passei o dia desconectada... Computador não cabia na tomada, arrebentei fio do celular, no trem sem Wi-Fi livre e no hotel em Reggio (sim, cheguei!!!) a internet com problemas. Achei fofo algumas pessoas me cobrando mais histórias...Rs. Acho que foi um sinal para eu me desligar e me concentrar no que estou vivendo, em como essa experiência é única e não vale a pena perder nada! Amanhã começa o curso em Reggio e conforme for possível dou notícias, certamente outras muito sensacionais!

Um brinde de Spritz ao afastamento de Cunha! Que caiam outros! Tim tim.

É hoje a estreia do maravilhoso filme "o começo da vida", que por meio de imagens e histórias emocionantes aflora nossa humanidade. Luiz e minhas meninas participaram desse projeto. Foi uma participação pontual, uma tarde no parque que resultou em três tomadas rápidas, mas suficiente para nos deixar orgulhosos por ser parte de um filme que valoriza a infância. Neste momento, tão longe de meus filhotes e meus alunos e alunas a saudade fica ainda maior. Um oceano nos separa. Por outro lado, estar numa cidade que valoriza a infância me faz sentir totalmente mergulhada... Na infância, no humano, no belo, no ético, na vida, na poesia, na história... Sobre Reggio Emília e o porquê de eu ter sonhado tanto estar aqui: Fim de guerra. Pessoas precisando se recompor, almas precisando ser curadas, cidade precisando ser reconstruída. Nesse processo, escolhas precisam ser feitas e estas sempre revelam... Neste caso, o que há de melhor nos seres humanos envolvidos. Pensa... Numa assembleia da população sobre como usar o dinheiro arrecado com a venda de um tanque de guerra, homens queriam a construção de um cinema e vou mulheres, de escolas. Quem ganhou??? Naquele momento, as escolas. Mas hoje vemos que todos ganharam! É mesmo muito inspirador ver o tanto que essa população construiu a partir da opção pela infância e tudo mais que vem junto... Esperançosa que sou, acredito que podemos aprender com experiências como as do filme e as de Reggio, e assim navegar juntos por novos mares!
PS: fiz esse barquinho amarelo no REMIDA...

A placa diz tudo: uma escola da infância em Reggio Emília em homenagem a Paulo Freire! E o meu sorriso diz um pouco de minha infinita emoção! Num lugar que respira e inspira uma vida poética bom saber que também aprendeu um pouquinho com a gente! "Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário." Assim, num clima de "Reggio Freire" volto animada para continuar nossas construções de escolas transformadoras - tal como os nossos jovens estão fazendo!

Contar sobre o que entendo por educação, representando uma equipe toda já é em si uma experiência inesquecível! Mas como tudo na minha vida, uma história emenda na outra... Pois antes de minha apresentação o pen drive não funcionou e quando eu já ia desistir minhas colegas não deixaram e me animaram a ir até o hotel buscar meu computador... Nisso, a pedagogista italiana (fofa!) me ofereceu sua bicicleta... E lá vai eu, em meu último dia de Reggio Emília pedalar pela cidade... Foi sensacional! Por esse apoio de todos, por vencer uma dificuldade e principalmente por pedalar pela cidade. No caminho, vi e senti coisas que ainda não tinha experimentado andando à pé, e isso ajudou a me tranquilizar e a me despedir desse lugar que deixa marcas tão fortes em mim.
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domingo, 8 de novembro de 2015
Parece que foi ontem...
Ontem, o facebook me lembrou dessa imagem...
Parece que foi ontem de tão rápido que passou... 3 anos! Por outro lado, parece que faz mais tempo, porque nem lembro direito como era essa nossa vida... Como sobrevivemos?
Guardo muita saudade de meus bebês, mas nenhuma de mim mesma nessa época... Contudo, foi graças a essa outra de mim que construí tudo que tenho hoje. E tenho muito! Temos muito.
Parece que foi ontem de tão rápido que passou... 3 anos! Por outro lado, parece que faz mais tempo, porque nem lembro direito como era essa nossa vida... Como sobrevivemos?
Guardo muita saudade de meus bebês, mas nenhuma de mim mesma nessa época... Contudo, foi graças a essa outra de mim que construí tudo que tenho hoje. E tenho muito! Temos muito.
Uma família grande para, juntos, rirmos e chorarmos nessa vida. Amo.
E hoje, essa mesma rede social, me relembra de outro momento gostoso, há 2 anos atrás... Num dia em que choveu muito aqui em casa... chuva de bolinha!
E hoje, essa mesma rede social, me relembra de outro momento gostoso, há 2 anos atrás... Num dia em que choveu muito aqui em casa... chuva de bolinha!
Nesta época já me encontrava mais conectada ao mundo (rs), mais segura por ser mãe de 3. Também já havia voltado ao trabalho - e dessa vez das meninas, me fez super bem, tínhamos uma rotina construída, que tinha seus momentos de correria, mas muitos momentos como esse em que a brincadeira nas relações dava o tom como vivemos até hoje, meus 3 já estavam interagindo muito, brincando e brigando como imagino que continuarão fazendo por toda a vida, as muitas gracinhas de criança pequenina aconteciam de modo abundante e encantador, o que me mobilizava a rezar para o tempo passar... Porque dá orgulho em ver os filhos crescerem, assim como a gente! Mas que ele passe bem devagar - para que eu consiga aproveitar o máximo possível de momentos assim... simples, divertidos e intensos!
sábado, 24 de outubro de 2015
Sobre a cultura do estupro
Começou mais uma temporada de um reality show de culinária num canal brasileiro, dessa vez com crianças, o que não aprovo. Não acho que lugar de crianças seja nesse tipo de programa competitivo e expositivo, mas aqui quero tratar de outros mais sérios que ocorreram a seguir...
Muitos comentários de homens demonstrando desejo sexual para com uma menina de 12 anos revelaram o quanto a cultura do estupro está viva em nossa sociedade. O termo "novinha" é o mais digitado para acessar pornografia no Brasil...
Revoltante.
"Vamos deixar algo claro desde o começo: qualquer tipo de relação de natureza sexual com uma criança é estupro. Uma criança nunca pode ter uma relação sexual consensual porque ela é criança e não pode tomar esse tipo de decisão. Por lei. Vamos dar o nome certo às coisas. Aqui não estamos falando de pedofilia, que é uma doença que pode ser tratada antes que a pessoa cometa qualquer crime — seja ele consumir pornografia infantil ou o estupro. Nenhum desses homens que comentou sobre a MasterChef é doente, eles apenas acham que têm o direito de falar absurdos como esse porque olham para ela e não enxergam uma criança, mas uma mulher."
(Carol Patrocinio. Texto maravilhoso na íntegra: https://medium.com/@carolpatrocinio/quando-uma-menina-de-12-anos-no-masterchef-jr-desperta-o-desejo-de-homens-adultos-precisamos-falar-503567b2778d#.wgbkelch7)
Mais uma vez coloco-me em defesa da infância.
Uma criança precisa ser olhada de um jeito respeitoso e ético, sendo assegurada em seu direito de se desenvolver no seu ritmo, expressando todas seus pensamentos e sentimentos acerca do mundo até vivê-lo autonomamente.
Vamos parar de tratar esses comentários como "pouca coisa", porque não o são. Eles revelam muito o modelo de sociedade que ainda vivemos: machista, anti ético e retrógrado.
Nossa sociedade vai criando, dia após dia, uma maneira de aumentar a vulnerabilidade feminina. E o sexo é a mais rápida delas. Meninas são incentivadas a ter relacionamentos com homens mais velhos porque elas são muito maduras para a idade. Mulheres engravidam, então socialmente diz-se que a responsabilidade pelo bebê é apenas delas. O aborto é proibido — mesmo acontecendo em números alarmantes em todas as classes sociais e regiões. Homens mais velhos sabem como guiar meninas a fazer o que eles querem. Mães adolescentes largam a escola, não fazem faculdade e contentam-se com subempregos porque precisam sustentar seus filhos. Além de tudo essas mulheres, que foram meninas vítimas da cultura do estupro, são tidas como vagabundas.
(Carol Patrocinio. Texto maravilhoso na íntegra: https://medium.com/@carolpatrocinio/quando-uma-menina-de-12-anos-no-masterchef-jr-desperta-o-desejo-de-homens-adultos-precisamos-falar-503567b2778d#.wgbkelch7)
Parece papo de feminista exagerada? Queria eu que fosse, mas não é.
Ainda nesta semana, outro acontecimento grave, o deputado Eduardo Cunha (sim, ele de novo!) conseguiu aprovar mais uma medida que nos faz caminhar para trás...
"Hoje, 21, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 5069/2013, de autoria do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que torna crime anunciar, induzir ao uso, ou fornecer meios ou substâncias abortivas a uma gestante, mesmo em caso de estupro. Além disso, o projeto torna obrigatório que mulheres que afirmem terem sido estupradas façam um boletim de ocorrência e exame de corpo de delito para que "comprovem" que estão falando a verdade. Por último, a proposta ainda altera o item que possibilita que a mulher receba pílulas do dia seguinte para evitar uma gravidez em caso de estupro – a chamada profilaxia da gravidez."
(http://www.justificando.com/2015/10/21/aprovado-na-ccj-projeto-de-cunha-que-dificulta-mulheres-estupradas-realizem-aborto-/)
Já escrevi sobre o que acho do aborto na postagem (http://jujuviroumamae.blogspot.com.br/2015/02/a-favor-da-vida-favor-do-aborto.html). De todo modo, o que vale aqui é dar o direito a uma mulher decidir sobre seu próprio corpo, principalmente quando o mesmo foi violentado. Essa é mais uma prova da cultura do estupro como se ele não causasse danos, fosse algo justificável, aceitável ao invés de repudiado.
O desejo é responsabilidade de quem o sente e não de quem o desperta. Quando um adulto sente desejo por uma criança é ele o culpado por ir contra uma norma social que protege a infância, a integridade e o corpo de uma incapaz (de acordo com a lei). Porém é muito simples inverter esse raciocínio ao dizer que a menina já tem em si a sexualidade de uma mulher, que ela usa roupas provocativas e que pede atenção masculina. Com essa ideia o homem torna-se a vítima de uma “destruidora de lares” que ainda brinca de boneca, apesar de ter sim sexualidade, ainda que muito diferente da de uma mulher adulta. (...)
É importante falar sobre a cultura do estupro. Ela anda nas entrelinhas de muitos discursos. Ela caminha ao lado da ideia de que homens não conseguem conter seus instintos. Ela está totalmente ligada ao falso consenso que poderia dar uma criança. Ela é reforçada pela infantilização de mulheres adultas. A impunidade é sua melhor amiga e a culpabilização da vítima sua principal arma.
(Carol Patrocinio. Texto maravilhoso na íntegra: https://medium.com/@carolpatrocinio/quando-uma-menina-de-12-anos-no-masterchef-jr-desperta-o-desejo-de-homens-adultos-precisamos-falar-503567b2778d#.wgbkelch7)
Mulheres corajosas, a seguir, publicaram em um só dia relatos de seus primeiros assédios sexuais, a maioria vindo de familiares que continuaram a ser obrigadas a se relacionar.
30 mil relatos,num só dia! Num só país. Inspirados num único episódio. Você ainda acha que estamos falando de "pouca coisa"? Ou de papo de novela?
Triste.
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/22/politica/1445529917_555272.html?id_externo_rsoc=FB_CM
Com meu otimismo, por um tempo fiquei achando que esse acontecimento poderia ter servido para tratarmos de uma questão séria, urgente e delicada, e assim avançarmos na tomada de consciência de nossas condutas em nossas interações. Na história da humanidade são às vezes por esses caminhos tortuosos que identificamos nossos problemas e recuperamos nossa sanidade e construímos outros novos, mais justos.
Contudo, no mesmo dia as piadas continuaram a acontecer...
Desânimo.
Mas depois me dei conta que exatamente por essa questão estar emaranhada em nossa cultura um único episódio não bastaria para transformá-lo completamente. Fui ingênua demais. Para tanto será necessário muito barulho ainda. E estou nessa toada porque não compactuo com pessoas que violentam outras, principalmente de crianças. Pelo contrário, como educadora inspiro e respiro o tempo todo para ajudá-las a significarem suas relações de maneiras mais respeitosas assim como mãe e cidadã.
Novo ânimo quando li as palavras desse pai...
Outra coisa que me animou hoje... A questão de gênero foi tema do ENEM!!! Sim, o tema da redação foi: "a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". Pensar que milhões de jovens pensaram a esse respeito, com seriedade, sem poder profanar bobagens e podendo reconhecer o sinal dado de que essa questão é de suma importância para o tipo de gente queremos formar, finalidade maior que deve ser desse tipo de exame nacional. Orgulho, orgulho, porque afinal, neste exame, os atrasados em todos os sentido, se deram mal... E risos e mais risos das pessoas que identificam essa questão com sendo de esquerda... Ai, ai... Mas vamos seguir caminhando e sonhando com outro mundo.
Por fim na postagem anterior compartilhei a experiência de meus filhos no "Dia das Crianças na roça" simplesmente como uma resposta a esses acontecimentos. Considero essa experiência simples e intensa e pode ser mais uma referência nesse cenário. Nossas crianças merecem ser olhadas, com toda sua potência, e como seus cuidadores devemos nos responsabilizar para que possam explorar ao máximo suas interações com esse mundão, que pode e precisa ficar muito melhor!
Eu acredito. E você?
Muitos comentários de homens demonstrando desejo sexual para com uma menina de 12 anos revelaram o quanto a cultura do estupro está viva em nossa sociedade. O termo "novinha" é o mais digitado para acessar pornografia no Brasil...
Revoltante.
"Vamos deixar algo claro desde o começo: qualquer tipo de relação de natureza sexual com uma criança é estupro. Uma criança nunca pode ter uma relação sexual consensual porque ela é criança e não pode tomar esse tipo de decisão. Por lei. Vamos dar o nome certo às coisas. Aqui não estamos falando de pedofilia, que é uma doença que pode ser tratada antes que a pessoa cometa qualquer crime — seja ele consumir pornografia infantil ou o estupro. Nenhum desses homens que comentou sobre a MasterChef é doente, eles apenas acham que têm o direito de falar absurdos como esse porque olham para ela e não enxergam uma criança, mas uma mulher."
(Carol Patrocinio. Texto maravilhoso na íntegra: https://medium.com/@carolpatrocinio/quando-uma-menina-de-12-anos-no-masterchef-jr-desperta-o-desejo-de-homens-adultos-precisamos-falar-503567b2778d#.wgbkelch7)
Mais uma vez coloco-me em defesa da infância.
Uma criança precisa ser olhada de um jeito respeitoso e ético, sendo assegurada em seu direito de se desenvolver no seu ritmo, expressando todas seus pensamentos e sentimentos acerca do mundo até vivê-lo autonomamente.
Vamos parar de tratar esses comentários como "pouca coisa", porque não o são. Eles revelam muito o modelo de sociedade que ainda vivemos: machista, anti ético e retrógrado.
Nossa sociedade vai criando, dia após dia, uma maneira de aumentar a vulnerabilidade feminina. E o sexo é a mais rápida delas. Meninas são incentivadas a ter relacionamentos com homens mais velhos porque elas são muito maduras para a idade. Mulheres engravidam, então socialmente diz-se que a responsabilidade pelo bebê é apenas delas. O aborto é proibido — mesmo acontecendo em números alarmantes em todas as classes sociais e regiões. Homens mais velhos sabem como guiar meninas a fazer o que eles querem. Mães adolescentes largam a escola, não fazem faculdade e contentam-se com subempregos porque precisam sustentar seus filhos. Além de tudo essas mulheres, que foram meninas vítimas da cultura do estupro, são tidas como vagabundas.
(Carol Patrocinio. Texto maravilhoso na íntegra: https://medium.com/@carolpatrocinio/quando-uma-menina-de-12-anos-no-masterchef-jr-desperta-o-desejo-de-homens-adultos-precisamos-falar-503567b2778d#.wgbkelch7)
Parece papo de feminista exagerada? Queria eu que fosse, mas não é.
Ainda nesta semana, outro acontecimento grave, o deputado Eduardo Cunha (sim, ele de novo!) conseguiu aprovar mais uma medida que nos faz caminhar para trás...
"Hoje, 21, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 5069/2013, de autoria do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que torna crime anunciar, induzir ao uso, ou fornecer meios ou substâncias abortivas a uma gestante, mesmo em caso de estupro. Além disso, o projeto torna obrigatório que mulheres que afirmem terem sido estupradas façam um boletim de ocorrência e exame de corpo de delito para que "comprovem" que estão falando a verdade. Por último, a proposta ainda altera o item que possibilita que a mulher receba pílulas do dia seguinte para evitar uma gravidez em caso de estupro – a chamada profilaxia da gravidez."
(http://www.justificando.com/2015/10/21/aprovado-na-ccj-projeto-de-cunha-que-dificulta-mulheres-estupradas-realizem-aborto-/)
Já escrevi sobre o que acho do aborto na postagem (http://jujuviroumamae.blogspot.com.br/2015/02/a-favor-da-vida-favor-do-aborto.html). De todo modo, o que vale aqui é dar o direito a uma mulher decidir sobre seu próprio corpo, principalmente quando o mesmo foi violentado. Essa é mais uma prova da cultura do estupro como se ele não causasse danos, fosse algo justificável, aceitável ao invés de repudiado.
O desejo é responsabilidade de quem o sente e não de quem o desperta. Quando um adulto sente desejo por uma criança é ele o culpado por ir contra uma norma social que protege a infância, a integridade e o corpo de uma incapaz (de acordo com a lei). Porém é muito simples inverter esse raciocínio ao dizer que a menina já tem em si a sexualidade de uma mulher, que ela usa roupas provocativas e que pede atenção masculina. Com essa ideia o homem torna-se a vítima de uma “destruidora de lares” que ainda brinca de boneca, apesar de ter sim sexualidade, ainda que muito diferente da de uma mulher adulta. (...)
É importante falar sobre a cultura do estupro. Ela anda nas entrelinhas de muitos discursos. Ela caminha ao lado da ideia de que homens não conseguem conter seus instintos. Ela está totalmente ligada ao falso consenso que poderia dar uma criança. Ela é reforçada pela infantilização de mulheres adultas. A impunidade é sua melhor amiga e a culpabilização da vítima sua principal arma.
(Carol Patrocinio. Texto maravilhoso na íntegra: https://medium.com/@carolpatrocinio/quando-uma-menina-de-12-anos-no-masterchef-jr-desperta-o-desejo-de-homens-adultos-precisamos-falar-503567b2778d#.wgbkelch7)
Mulheres corajosas, a seguir, publicaram em um só dia relatos de seus primeiros assédios sexuais, a maioria vindo de familiares que continuaram a ser obrigadas a se relacionar.
30 mil relatos,num só dia! Num só país. Inspirados num único episódio. Você ainda acha que estamos falando de "pouca coisa"? Ou de papo de novela?
Triste.
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/22/politica/1445529917_555272.html?id_externo_rsoc=FB_CM
Com meu otimismo, por um tempo fiquei achando que esse acontecimento poderia ter servido para tratarmos de uma questão séria, urgente e delicada, e assim avançarmos na tomada de consciência de nossas condutas em nossas interações. Na história da humanidade são às vezes por esses caminhos tortuosos que identificamos nossos problemas e recuperamos nossa sanidade e construímos outros novos, mais justos.
Contudo, no mesmo dia as piadas continuaram a acontecer...
Desânimo.
Mas depois me dei conta que exatamente por essa questão estar emaranhada em nossa cultura um único episódio não bastaria para transformá-lo completamente. Fui ingênua demais. Para tanto será necessário muito barulho ainda. E estou nessa toada porque não compactuo com pessoas que violentam outras, principalmente de crianças. Pelo contrário, como educadora inspiro e respiro o tempo todo para ajudá-las a significarem suas relações de maneiras mais respeitosas assim como mãe e cidadã.
Novo ânimo quando li as palavras desse pai...
É muito difícil manter a alegria no coração, vendo os relatos de abusos e assédios sofridos por tantas mulheres, desde as suas infâncias.
E por mais que eu tenha empatia, eu nunca saberei como é viver uma vida inteira com esse medo. Eu mesmo, quando criança, nunca tive que me preocupar com isso, e isso é apenas um dos privilégios que eu tenho, pelo simples fato de ter nascido homem.
Conhecer essas histórias, inclusive as histórias de amigas tão queridas minhas faz eu sentir uma mistura de indignação e vergonha. Vergonha por ser homem como esses homens, e saber que tantos, mas tantos outros homens fazem isso diariamente. É contra esse machismo que corrói a nossa sociedade que devemos lutar, todos os dias, para sempre.
E aí eu olho meus dois meninos, que nasceram meninos e, dentro dessa sociedade patriarcal, já possuem um número imenso de privilégios. Meninos que se tornarão homens e precisarão continuar a luta contra o machismo, não fazendo parte dele. Renegar esse histórico podre de abusos e poder.
É uma baita responsabilidade, mas se tem uma coisa que eu tenho certeza é que todos os meus esforços estão na criação de meninos que não abusem de meninas. De maneira nenhuma.
(Paizinho, vírgula. https://www.facebook.com/paizinhovirgula/posts/748400018639830?fref=nf)
Outra coisa que me animou hoje... A questão de gênero foi tema do ENEM!!! Sim, o tema da redação foi: "a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". Pensar que milhões de jovens pensaram a esse respeito, com seriedade, sem poder profanar bobagens e podendo reconhecer o sinal dado de que essa questão é de suma importância para o tipo de gente queremos formar, finalidade maior que deve ser desse tipo de exame nacional. Orgulho, orgulho, porque afinal, neste exame, os atrasados em todos os sentido, se deram mal... E risos e mais risos das pessoas que identificam essa questão com sendo de esquerda... Ai, ai... Mas vamos seguir caminhando e sonhando com outro mundo.
Por fim na postagem anterior compartilhei a experiência de meus filhos no "Dia das Crianças na roça" simplesmente como uma resposta a esses acontecimentos. Considero essa experiência simples e intensa e pode ser mais uma referência nesse cenário. Nossas crianças merecem ser olhadas, com toda sua potência, e como seus cuidadores devemos nos responsabilizar para que possam explorar ao máximo suas interações com esse mundão, que pode e precisa ficar muito melhor!
Eu acredito. E você?
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Sou professora!
domingo, 6 de setembro de 2015
Outros relatos: Flavia e Andrea Perdigão - A luta
A chegada de tantos pequenos e pequenas, e a luta e coragem de cada um para viver, me fez lembrar de outra luta digna de ser compartilhada, para nos inspirar: a de Daniel, um jovem de 18 anos, filho da amiga Flavia que recentemente passou por um período na U.T.I. Dani nasceu com má formação cerebral e como a própria Fla disse sobre a sua chegada: "Foram anos inquietantes. Mas o amor profundo que toda mãe sente por seu filho sempre estava lá para devolver a calma e a plenitude que costumam ou, pelo menos, deveriam acompanhar a maternidade."
Flavia também é educadora e escritora tal como ela, profunda, sensível e apaixonante. Aqui, vou compartilhar alguns trechos de relatos dessa super mãe durante essa última saga que foi vencida... Um verdadeiro privilégio poder acompanhar essa história e aprender com essa relação como com a maneira como ela lida com o processo das coisas, com as pequenas grandes vitórias e com tudo e todos que estão ao seu redor, mostrando que há muita vida entre as paredes e cortinas do hospital e para além delas...
8 de julho
Hoje o Dan será internado para nova troca de remédios. Foram dois anos tentando ajustar a dose dos remédios, sem muito sucesso.
A esperança é que esta nova troca deixe o Dan menos embotado e com as crises mais controladas.
Vamos em frente! E vamos torcer para que a troca aconteça de forma tranquila e meu bonitão fique mais presente na vida!
Vou dando notícias!
27 de julho
Completamos uma semana com o remédio novo e vinte dias de internação. Dan esteve alguns dias mais sonolento, mas parece ter assimilado bem a dosagem inicial (...). O equilíbrio químico é muito difícil! E não tem receita pronta, é tentativa e erro até acertar! Vamos em frente!
Beijos com carinho!
6 agosto
Pessoal, muitas orações! Provavelmente o Dan engasgou com comida, broncoaspirou e está internado na UTI em estado grave. Está entubado e sedado.
12 agosto
Eu acho que eu nunca passei por uma situação tão difícil. Sei que tem um lado bom (que é o da melhora do Dan), mas é muito difícil vê-lo mais acordado e, portanto, mais incomodado com a intubação. Sei que é uma fase passageira e necessária, mas é muito difícil!
Apesar disso, as notícias são muito boas! (...) A fisio até acenou com a possibilidade de extubação amanhã!
Eita menino valente!
18 de agosto
Mais outra conquista! Alta da UTI! Dan já está em um quarto da semi-intensiva! Viva.
22 de agosto
As portas do segundo andar do hospital têm uma pequena janela que permite a rápida visualização do interior do quarto, impede que uma trombada entre pessoas que entram e saem ocorra e possibilita a observação do fluxo do corredor e movimentação do quarto da frente. E assim foi.
Observava o entra e sai. E me indignava com as luzes acesas durante a madrugada e os atendimentos médicos sem hora, nem respeito ao descanso do paciente. Afinal era um senhor que convalescia dentro daquele quarto! Via-lhe somente as pernas, finas e compridas e, pela aparência da pele, era possível supor que se tratava de um idoso.
Passava o dia cercado de familiares. Por vezes, um rapaz que não pertencia à família, pois não era oriental. Muitas vezes o filho, filhas, esposa, netos... Todos orbitavam em torno do patriarca. Era bonito de acompanhar! Ele não ficava um dia sequer sem pessoas que o amavam por perto.
Raramente eu deixava a porta do quarto do Dan aberta, mas qua ndo saía para o corredor (a porta do quarto da frente estava quase sempre aberta), podia ver suas pernas, os familiares no sofá, a entrada dos fisioterapeutas, enfermeiros e médicos e via, na frente da grande janela do quarto, inúmeras dobraduras de papéis coloridos. Imaginei que se tratassem de tsurus, a ave sagrada dos japoneses e que significa muitas vezes, saúde. Era bonito ver a alegria discreta que saia do quarto da frente.
Certa manhã, deixei a porta do quarto do Dan aberta. Meu olhar cruzou com o das duas mulheres que via com maior frequência e que, naquela hora, estavam no corredor. Elas, educadamente, me cumprimentaram. Devolvi o bom dia e facilmente começamos a conversa. Eram as filhas do senhor que se recuperava de vários dias de internação na UTI, depois de um derrame cerebral. Ele estava recebendo alta hospitalar naquele dia. Convidei-as para entrarem em nosso quarto e conhecerem o Dan com seu rádio e sua escultura de fita crepe. Trocamos breves histórias sobre nossas vidas e internações dos nossos queridos.
Através da pequena janela da porta, acompanhei a movimentação no quarto da frente. Não queria perder a saída de meus vizinhos de quarto, pois queria desejar-lhes felicidade e dizer o quanto havia sido tocante ver aquele senhor sempre tão rodeado de afetos e filhos, que ele deveria ser um grande homem.
Vi as despedidas com a equipe de enfermagem e abri a porta para falar com eles. Pela primeira vez vi o rosto do senhor magro e ainda abatido. Uma de suas filhas veio em minha direção, desejei-lhe felicidade e quando ia falar sobre o grande homem que deveria ser seu pai por todo o carinho que o rodeou naqueles dias de internação, ela me surpreendeu com um chocolate para o Dan e a conversa tomou outro rumo diante da gentileza.
Foram embora. Alegres com as conquistas do velho pai. Fiquei com minhas palavras presas na garganta e diante da impossibilidade de dizê-las às filhas do senhor, digo aqui para que nova chance não seja perdida, para que as boas palavras e os gestos de afeto permeiem os nossos dias.
24 de agosto
Alta.
Flavia também é educadora e escritora tal como ela, profunda, sensível e apaixonante. Aqui, vou compartilhar alguns trechos de relatos dessa super mãe durante essa última saga que foi vencida... Um verdadeiro privilégio poder acompanhar essa história e aprender com essa relação como com a maneira como ela lida com o processo das coisas, com as pequenas grandes vitórias e com tudo e todos que estão ao seu redor, mostrando que há muita vida entre as paredes e cortinas do hospital e para além delas...
8 de julho
Hoje o Dan será internado para nova troca de remédios. Foram dois anos tentando ajustar a dose dos remédios, sem muito sucesso.
A esperança é que esta nova troca deixe o Dan menos embotado e com as crises mais controladas.
Vamos em frente! E vamos torcer para que a troca aconteça de forma tranquila e meu bonitão fique mais presente na vida!
Vou dando notícias!
27 de julho
Completamos uma semana com o remédio novo e vinte dias de internação. Dan esteve alguns dias mais sonolento, mas parece ter assimilado bem a dosagem inicial (...). O equilíbrio químico é muito difícil! E não tem receita pronta, é tentativa e erro até acertar! Vamos em frente!
Beijos com carinho!
6 agosto
Pessoal, muitas orações! Provavelmente o Dan engasgou com comida, broncoaspirou e está internado na UTI em estado grave. Está entubado e sedado.
12 agosto
Eu acho que eu nunca passei por uma situação tão difícil. Sei que tem um lado bom (que é o da melhora do Dan), mas é muito difícil vê-lo mais acordado e, portanto, mais incomodado com a intubação. Sei que é uma fase passageira e necessária, mas é muito difícil!
Apesar disso, as notícias são muito boas! (...) A fisio até acenou com a possibilidade de extubação amanhã!
Eita menino valente!
18 de agosto
Mais outra conquista! Alta da UTI! Dan já está em um quarto da semi-intensiva! Viva.
22 de agosto
As portas do segundo andar do hospital têm uma pequena janela que permite a rápida visualização do interior do quarto, impede que uma trombada entre pessoas que entram e saem ocorra e possibilita a observação do fluxo do corredor e movimentação do quarto da frente. E assim foi.
Observava o entra e sai. E me indignava com as luzes acesas durante a madrugada e os atendimentos médicos sem hora, nem respeito ao descanso do paciente. Afinal era um senhor que convalescia dentro daquele quarto! Via-lhe somente as pernas, finas e compridas e, pela aparência da pele, era possível supor que se tratava de um idoso.
Passava o dia cercado de familiares. Por vezes, um rapaz que não pertencia à família, pois não era oriental. Muitas vezes o filho, filhas, esposa, netos... Todos orbitavam em torno do patriarca. Era bonito de acompanhar! Ele não ficava um dia sequer sem pessoas que o amavam por perto.
Raramente eu deixava a porta do quarto do Dan aberta, mas qua ndo saía para o corredor (a porta do quarto da frente estava quase sempre aberta), podia ver suas pernas, os familiares no sofá, a entrada dos fisioterapeutas, enfermeiros e médicos e via, na frente da grande janela do quarto, inúmeras dobraduras de papéis coloridos. Imaginei que se tratassem de tsurus, a ave sagrada dos japoneses e que significa muitas vezes, saúde. Era bonito ver a alegria discreta que saia do quarto da frente.
Certa manhã, deixei a porta do quarto do Dan aberta. Meu olhar cruzou com o das duas mulheres que via com maior frequência e que, naquela hora, estavam no corredor. Elas, educadamente, me cumprimentaram. Devolvi o bom dia e facilmente começamos a conversa. Eram as filhas do senhor que se recuperava de vários dias de internação na UTI, depois de um derrame cerebral. Ele estava recebendo alta hospitalar naquele dia. Convidei-as para entrarem em nosso quarto e conhecerem o Dan com seu rádio e sua escultura de fita crepe. Trocamos breves histórias sobre nossas vidas e internações dos nossos queridos.
Através da pequena janela da porta, acompanhei a movimentação no quarto da frente. Não queria perder a saída de meus vizinhos de quarto, pois queria desejar-lhes felicidade e dizer o quanto havia sido tocante ver aquele senhor sempre tão rodeado de afetos e filhos, que ele deveria ser um grande homem.
Vi as despedidas com a equipe de enfermagem e abri a porta para falar com eles. Pela primeira vez vi o rosto do senhor magro e ainda abatido. Uma de suas filhas veio em minha direção, desejei-lhe felicidade e quando ia falar sobre o grande homem que deveria ser seu pai por todo o carinho que o rodeou naqueles dias de internação, ela me surpreendeu com um chocolate para o Dan e a conversa tomou outro rumo diante da gentileza.
Foram embora. Alegres com as conquistas do velho pai. Fiquei com minhas palavras presas na garganta e diante da impossibilidade de dizê-las às filhas do senhor, digo aqui para que nova chance não seja perdida, para que as boas palavras e os gestos de afeto permeiem os nossos dias.
24 de agosto
Alta.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
quinta-feira, 30 de julho de 2015
"1000 dias"
Mais um orgulho: minhas meninas participaram de um projeto sério, bonito e de extrema importância para a valorização da infância, da maternidade, da humanidade. Não me aguento de emoção!!!
A partir da certeza de que "uma história bem contada pode realmente fazer a diferença na forma como as pessoas veem o mundo" a Maria Farinha Filmes tem produzido diferentes mídias com autenticidade, criticidade e poesia. Dessa vez, essa produtora está envolvida nas filmagens do "1000 dias" que trata da importância dos 3 primeiros anos de nossas vidas para nosso desenvolvimento com destaque para a figura materna.
Dar voz às pessoas além de denunciar escolhas que nossa sociedade vem fazendo que causam impactos negativos, compartilhando reflexões e modos de vidas alternativos mais coerentes com princípios ligados à preservação de nossa espécie e do planeta são ações que essa produtora tem feito em parceria com outros projetos, também sérios, causando um impacto enorme em quem entra em contato com essas narrativas, algumas das quais já mencionei por aqui como "Tarja Branca", "Muito além do peso" e "Criança, a alma do negócio".
Ao entrarmos em contato com esses documentários sentimos um misto de emoções: indignação, medo, vergonha, alívio e esperança de que podemos fazer novas escolhas, nos relacionarmos de maneira mais ética, democrática e estética uns com os outros e o planeta.
Tenho certeza de que "1000 dias" também será de extrema importância para nossa concepção de infância tanto do ponto de vista histórico, social, político como pessoal: o resgate da criança que fui e a valorização das diversas crianças contemporâneas, com toda singularidade e potência que têm. A necessidade de terem seu tempo livre para brincar, se expressar por diferentes linguagens, fazerem suas pesquisas, explorações, questionamentos e construírem suas respostas assim como de te terem ao seu lado cuidadores zelosos e afetivos que preservam seu desenvolvimento saudável.
Segue um pequeno trailer de "1000 dias"...
Do mesmo modo será importante para um alargamento de nossas perspectivas sobre a maternidade. A mulher tem sua vida virada do avesso quando dá à luz e é necessário cuidar do bebê e dela para ela consiga enfrentar todos os desafios e aproveitar das delícias de acompanhar os filhotes. Recentemente, por exemplo, uma mulher que lutou muito para ter seus filhos e tornou-se uma mãe amorosa me perguntou se eu já havia pensado em me matar quando eles eram bebês. contei a ela que quando Mateus tinha dois meses eu chorei tanto na consulta pediátrica dele que, por sorte, me dei conta de que precisava fazer algo a respeito. Foi quando este blog surgiu. Precisamos encontrar meios de digerirmos nossas experiências para as aproveitarmos plenamente como também de nos respeitar em nossas diferenças e nos reconhecermos em nossas semelhanças; criarmos redes de apoio, relações de empatia.
Assistir documentários é um bom jeito de sermos afetados por outras narrativas. Segue outro trailer...
Pois minhas meninas hoje participaram da última etapa de filmagens desse documentário. Nem sei se as imagens delas serão selecionadas para a edição final só sei que num dia lindo e envolvidas em brincadeiras e contato com a natureza, em especial as cerejeiras elas engrossaram publicamente o coro de crianças que diz: "Eu estou aqui! Eu sou potente! Eu penso e sinto sobre tudo e por isso mereço respeito e consideração e claro, afeto, muito afeto! Eu aprendo e me expresso por meio de diferentes linguagens! Eu produzo cultura!".
Longe de reforçar a ideia de crianças tiranas, centros das atenções e atendidas prontamente (e muitas vezes friamente) em seus desejos estamos falando de uma criança sujeito que ao nascer já traz suas histórias que são as de seus antepassados e que nessas relações de afeto virá a construir outras tantas mais se lhe forem dadas oportunidades, porque do contrário, essa potência toda perde a força. Triste.
Em minha história ter tornado-me pedagoga foi algo revolucionário. Nesse processo formativo, que é contínuo, não paro de aprender sobre mim, sobre o outro, sobre o mundo e como nos relacionamos e meu encantamento nessa experiência é inesgotável. Na postagem "Virando gente e formando gente" falei bastante sobre esse caminho único: virar gente por meio do contato com outras gentes.
Por tudo isso que ao mesmo tempo que estava com preguicinha de terminar minhas férias também voltei contente ao trabalho, porque sei da importância dele para mim, para os outros, para o mundo. Durmo mais cansada, mas também muito grata por sonhar com essas imagens em minha mente... Imagens que hoje me ajudaram a esquecer outra, um susto que tomei com Mateus ao atravessar a faixa de pedestre...
Realmente só tenho a agradecer. E viva as cerejeiras!
Errata.
Escrevi que este documentário abordava a importância dos 3 primeiros anos em nossas vidas dando ênfase à maternidade. Para minha alegria descobri que ele também ressalta a paternidade, o que só aumentou minha admiração pelo trabalho sério, bonito e coerente da Maria Farinha Filmes.
Por isso, em véspera de dia dos pais fica aqui para assistir o último trailer em que podemos ver Luiz e Bebel (lindos!) numa cena que fez meu coração se encher de emoção por tanta qualidade nessa relação!
Segue uma reportagem bem bacana com Estela Renner, a diretora do filme. Uma mulher com uma história incrível e não à toa consegue colocar em imagens incríveis de outros... http://revistatpm.uol.com.br/revista/155/paginas-vermelhas/estela-renner-fala-sobre-maioridade-penal-e-propaganda-para-criancas.html
A partir da certeza de que "uma história bem contada pode realmente fazer a diferença na forma como as pessoas veem o mundo" a Maria Farinha Filmes tem produzido diferentes mídias com autenticidade, criticidade e poesia. Dessa vez, essa produtora está envolvida nas filmagens do "1000 dias" que trata da importância dos 3 primeiros anos de nossas vidas para nosso desenvolvimento com destaque para a figura materna.
Dar voz às pessoas além de denunciar escolhas que nossa sociedade vem fazendo que causam impactos negativos, compartilhando reflexões e modos de vidas alternativos mais coerentes com princípios ligados à preservação de nossa espécie e do planeta são ações que essa produtora tem feito em parceria com outros projetos, também sérios, causando um impacto enorme em quem entra em contato com essas narrativas, algumas das quais já mencionei por aqui como "Tarja Branca", "Muito além do peso" e "Criança, a alma do negócio".
Ao entrarmos em contato com esses documentários sentimos um misto de emoções: indignação, medo, vergonha, alívio e esperança de que podemos fazer novas escolhas, nos relacionarmos de maneira mais ética, democrática e estética uns com os outros e o planeta.
Tenho certeza de que "1000 dias" também será de extrema importância para nossa concepção de infância tanto do ponto de vista histórico, social, político como pessoal: o resgate da criança que fui e a valorização das diversas crianças contemporâneas, com toda singularidade e potência que têm. A necessidade de terem seu tempo livre para brincar, se expressar por diferentes linguagens, fazerem suas pesquisas, explorações, questionamentos e construírem suas respostas assim como de te terem ao seu lado cuidadores zelosos e afetivos que preservam seu desenvolvimento saudável.
Segue um pequeno trailer de "1000 dias"...
Do mesmo modo será importante para um alargamento de nossas perspectivas sobre a maternidade. A mulher tem sua vida virada do avesso quando dá à luz e é necessário cuidar do bebê e dela para ela consiga enfrentar todos os desafios e aproveitar das delícias de acompanhar os filhotes. Recentemente, por exemplo, uma mulher que lutou muito para ter seus filhos e tornou-se uma mãe amorosa me perguntou se eu já havia pensado em me matar quando eles eram bebês. contei a ela que quando Mateus tinha dois meses eu chorei tanto na consulta pediátrica dele que, por sorte, me dei conta de que precisava fazer algo a respeito. Foi quando este blog surgiu. Precisamos encontrar meios de digerirmos nossas experiências para as aproveitarmos plenamente como também de nos respeitar em nossas diferenças e nos reconhecermos em nossas semelhanças; criarmos redes de apoio, relações de empatia.
Assistir documentários é um bom jeito de sermos afetados por outras narrativas. Segue outro trailer...
Pois minhas meninas hoje participaram da última etapa de filmagens desse documentário. Nem sei se as imagens delas serão selecionadas para a edição final só sei que num dia lindo e envolvidas em brincadeiras e contato com a natureza, em especial as cerejeiras elas engrossaram publicamente o coro de crianças que diz: "Eu estou aqui! Eu sou potente! Eu penso e sinto sobre tudo e por isso mereço respeito e consideração e claro, afeto, muito afeto! Eu aprendo e me expresso por meio de diferentes linguagens! Eu produzo cultura!".
Longe de reforçar a ideia de crianças tiranas, centros das atenções e atendidas prontamente (e muitas vezes friamente) em seus desejos estamos falando de uma criança sujeito que ao nascer já traz suas histórias que são as de seus antepassados e que nessas relações de afeto virá a construir outras tantas mais se lhe forem dadas oportunidades, porque do contrário, essa potência toda perde a força. Triste.
Em minha história ter tornado-me pedagoga foi algo revolucionário. Nesse processo formativo, que é contínuo, não paro de aprender sobre mim, sobre o outro, sobre o mundo e como nos relacionamos e meu encantamento nessa experiência é inesgotável. Na postagem "Virando gente e formando gente" falei bastante sobre esse caminho único: virar gente por meio do contato com outras gentes.
Por tudo isso que ao mesmo tempo que estava com preguicinha de terminar minhas férias também voltei contente ao trabalho, porque sei da importância dele para mim, para os outros, para o mundo. Durmo mais cansada, mas também muito grata por sonhar com essas imagens em minha mente... Imagens que hoje me ajudaram a esquecer outra, um susto que tomei com Mateus ao atravessar a faixa de pedestre...
Realmente só tenho a agradecer. E viva as cerejeiras!
Errata.
Escrevi que este documentário abordava a importância dos 3 primeiros anos em nossas vidas dando ênfase à maternidade. Para minha alegria descobri que ele também ressalta a paternidade, o que só aumentou minha admiração pelo trabalho sério, bonito e coerente da Maria Farinha Filmes.
Por isso, em véspera de dia dos pais fica aqui para assistir o último trailer em que podemos ver Luiz e Bebel (lindos!) numa cena que fez meu coração se encher de emoção por tanta qualidade nessa relação!
Segue uma reportagem bem bacana com Estela Renner, a diretora do filme. Uma mulher com uma história incrível e não à toa consegue colocar em imagens incríveis de outros... http://revistatpm.uol.com.br/revista/155/paginas-vermelhas/estela-renner-fala-sobre-maioridade-penal-e-propaganda-para-criancas.html
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Sou professora!
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Thomas: seja bem vindo!!!
Nasceu mais um pequeno da turma do prédio: o Thomas, filho do Leandro e da Tatiane, neto da Sueli e do Ivan, sobrinho do Daniel e da Simone e primo da Stella. Ótima notícia!
Vocês merecem toda felicidade do mundo. Desejo-lhes muito amor, saúde e alegria e, claro, que aproveitem muito a chegada dessa criança.
Para enfrentar essa maratona que não é fácil nesse começo, mas mesmo assim dá uma saudade danada depois, segue um texto bem humorado sobre as dúvidas de um bebê recém nascido que está decidido a voltar ao útero... Espero que gostem. Beijos grandes.
Crônica de Antonio Prata publicada na Folha de S.Paulo de 1º de agosto de 2012:
NASCIMENTO: FAQ
1. Por que me tiraram do útero?
Você nasceu! O útero era só um breve estágio em que seu corpo estava sendo formado. A vida mesmo é aqui fora, na luz: seja bem-vindo e aproveite!
2. Como faço para voltar pro útero?
Infelizmente, não existe essa possibilidade.
3. Não existe mesmo?
Não.
4. O que eu estou fazendo aqui?
Essa pergunta é passível de muitas respostas. Religiosos acreditam que a vida é um presente de Deus. Ateus afirmam que não há exatamente uma razão para existirmos e que tudo é fruto do acaso e da seleção natural. Ao longo do seu percurso você descobrirá para que lado pende seu coração e poderá até mesmo criar uma explicação própria para a incrível jornada que se inicia agora!
5. O que é aquela coisa redonda, quente e macia que vira e mexe põem na minha boca e contém um líquido delicioso?
Chama-se seio. O seio é parte do corpo de uma mulher. A mulher chama-se mãe. Mãe é a principal encarregada por você nos primeiros anos de vida. (Mais info. nos formulários Mãe: FAQ I, II, III, IV e V).
6. Como faço para que a mãe venha e ponha o seio na minha boca quando eu estiver com vontade?
Chore. Esgoele-se o mais alto que puder que a mãe costuma aparecer.
7. Posso ter o seio quantas vezes quiser, a qualquer hora do dia ou da noite?
Teoricamente, sim, mas isso varia de mãe para mãe.
8. Quem é aquele cara que geralmente aparece ao lado da mãe e fica ali sem fazer nada, com um sorriso abobalhado?
Chama-se pai. Ele é responsável por metade de sua carga genética. Realmente, é meio inútil neste começo, porém mais tarde ajudará bastante em sua criação. (Ver Pai: FAQ I e II).
9. Ele tem seio?
Não. Embora tenha mamilos, fato que até hoje intriga os evolucionistas, mas isso absolutamente não vem ao caso.
10. Além do seio, tem algo mais que preste do lado de cá do útero?
Ah, impossível enumerar todas as delícias desta grande aventura! Em breve você conhecerá a manga e o cafuné, o mar e a bicicleta, os livros, os esportes, o amor, a música, o sexo… Prepare-se, você vai se divertir a valer!
11. Vou ter mais alguma experiência traumática ou a saída do útero foi o fundo do poço?
Bem, em algum lugar adiante está a morte.
12. O que é a morte?
O fim da vida.
13. E, depois da morte, não tem nada?
Eis mais uma pergunta passível de muitas respostas. Religiosos acreditam que a vida continua, incessantemente, seja em outro plano ou neste aqui, através de reencarnações. Ateus dizem que não: a morte é mesmo o limite.
14. Não tem mesmo como voltar pro útero?
Não.
Vocês merecem toda felicidade do mundo. Desejo-lhes muito amor, saúde e alegria e, claro, que aproveitem muito a chegada dessa criança.
Para enfrentar essa maratona que não é fácil nesse começo, mas mesmo assim dá uma saudade danada depois, segue um texto bem humorado sobre as dúvidas de um bebê recém nascido que está decidido a voltar ao útero... Espero que gostem. Beijos grandes.
Crônica de Antonio Prata publicada na Folha de S.Paulo de 1º de agosto de 2012:
NASCIMENTO: FAQ
1. Por que me tiraram do útero?
Você nasceu! O útero era só um breve estágio em que seu corpo estava sendo formado. A vida mesmo é aqui fora, na luz: seja bem-vindo e aproveite!
2. Como faço para voltar pro útero?
Infelizmente, não existe essa possibilidade.
3. Não existe mesmo?
Não.
4. O que eu estou fazendo aqui?
Essa pergunta é passível de muitas respostas. Religiosos acreditam que a vida é um presente de Deus. Ateus afirmam que não há exatamente uma razão para existirmos e que tudo é fruto do acaso e da seleção natural. Ao longo do seu percurso você descobrirá para que lado pende seu coração e poderá até mesmo criar uma explicação própria para a incrível jornada que se inicia agora!
5. O que é aquela coisa redonda, quente e macia que vira e mexe põem na minha boca e contém um líquido delicioso?
Chama-se seio. O seio é parte do corpo de uma mulher. A mulher chama-se mãe. Mãe é a principal encarregada por você nos primeiros anos de vida. (Mais info. nos formulários Mãe: FAQ I, II, III, IV e V).
6. Como faço para que a mãe venha e ponha o seio na minha boca quando eu estiver com vontade?
Chore. Esgoele-se o mais alto que puder que a mãe costuma aparecer.
7. Posso ter o seio quantas vezes quiser, a qualquer hora do dia ou da noite?
Teoricamente, sim, mas isso varia de mãe para mãe.
8. Quem é aquele cara que geralmente aparece ao lado da mãe e fica ali sem fazer nada, com um sorriso abobalhado?
Chama-se pai. Ele é responsável por metade de sua carga genética. Realmente, é meio inútil neste começo, porém mais tarde ajudará bastante em sua criação. (Ver Pai: FAQ I e II).
9. Ele tem seio?
Não. Embora tenha mamilos, fato que até hoje intriga os evolucionistas, mas isso absolutamente não vem ao caso.
10. Além do seio, tem algo mais que preste do lado de cá do útero?
Ah, impossível enumerar todas as delícias desta grande aventura! Em breve você conhecerá a manga e o cafuné, o mar e a bicicleta, os livros, os esportes, o amor, a música, o sexo… Prepare-se, você vai se divertir a valer!
11. Vou ter mais alguma experiência traumática ou a saída do útero foi o fundo do poço?
Bem, em algum lugar adiante está a morte.
12. O que é a morte?
O fim da vida.
13. E, depois da morte, não tem nada?
Eis mais uma pergunta passível de muitas respostas. Religiosos acreditam que a vida continua, incessantemente, seja em outro plano ou neste aqui, através de reencarnações. Ateus dizem que não: a morte é mesmo o limite.
14. Não tem mesmo como voltar pro útero?
Não.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Fazer malas é muito mala!
Desculpem-me o trocadilho, mas para mim fazer malas é a coisa mais mala que existe no mundo.
1. Não sei fazer malas.
Não tenho o poder de síntese e nesses momentos meu espírito taurino que prima pela segurança se fortalece e a expressão "e se" ganha sempre. "E se fizer frio", eu penso, e então coloco um monte de blusas quentinhas, "e se fizer calor" e coloco biquíni, sabendo que não vou usar, "e se nesse lugar finalmente eu usar daquele roupa que há tempos comprei, e coloco sabendo também que não vou usar.
Mas você pode pensar que a minha mala é muito eficiente, porque carrego tudo. Mas então voltamos ao...
1. Não sei fazer malas.
O fato de eu levar um monte de coisas não significa que estou preparada para todas as situações, porque acabo levando itens desconectados: uma blusa linda que daria super certo no lugar, mas sem ter uma calça que combina. E olha que não sou ligada a moda, inclusive porque se o fosse cuidaria mais desse aspecto, mas é que tudo feito sem calcular direito.
2. Não gosto de fazer malas.
Adio o máximo possível começar essa tarefa e quando começo tento fazer alguns cálculos na cabeça sobre números de dias e noites e projetar lugar, tempo e eventos para fazer as escolhas. Já tentei escrever nessa etapa para poder me organizar melhor, mas não obedeci a mim mesma. Assim, é muito comum eu levar biquíni quando não precisa e quando precisa, eu não levar e me arrepender um monte.
3. Minhas malas são enormes.
Como não gosto e não sei na maioria das vezes levo tudo em excesso, ainda que desconectado e minhas malas ficam gigantes. Quando mais novas chegava ao cúmulo de jogar a gaveta inteira de cada item, se era praia, por exemplo, jogava todos os biquínis mesmo tendo aqueles que nem serviam mais.
Coleciono histórias bizarras sobre minhas malas grandes.... Como da vez que eu e minha amiga rodando o sul do país não conseguíamos mais carregar o peso de minha mala e então tivemos a ideia de alugar um quarto só para deixar as bagagens até regressarmos. Em Cuba aconteceu o mesmo, mas nesse caso resolvi ir doando minhas roupas a cada pessoa querida que conhecia pelo caminho. Por outro lado, no final da viagem com o dinheiro que sobrou comprei todas as esculturas de uma feirinha de artesanato e no aeroporto, enquanto uma moça terminava de fazer trancinhas no meu cabelo, eu tentava convencer os funcionários a liberarem minha bagagem, que estava pesadíssima, porque não tinha mais dinheiro para pagar pelo excesso. Consegui!
4. Uso sempre as mesmas roupas.
E o mais interessante é que levo um monte de coisas e uso sempre as mesmas coisas. Fico muito intrigada com essa minha dificuldade. Na vida cotidiana não tenho problemas em decidir minha roupa, mas nesse momento de fazer mala me sinto perdida...
5. Não sei o que vai acontecer.
Em grande parte a graça da viagem está na surpresa, em não saber o que vai acontecer, o que nos provoca um misto de sensações. Gosto disso, ficar imaginado o que me espera, me abrir ao desconhecido, à experiência. Mas daí na hora disso se concretizar em escolhas baseadas em hipóteses eu fico bem perdida... já falei isso, né?
6. Sou esquecida
E para completar o quadro de perdição a pessoa aqui ainda por cima é esquecida. Sou a campeã de esquecer toalha!
7. Sou atrapalhada.
Até conseguia organizar a mala para viajar, mas durante a viagem não conseguia de jeito nenhum manter a arrumação. Tudo misturava, tudo andava, tudo sumia.
Saldo até o momento: mala enorme, desconectada, com coisas que não vou usar e com ausência de coisas que preciso usar, numa bagunça só.
Então virei professora... Lembro-me do primeiro acampamento que levei meus alunos e minha colega de trabalho gritou no chalé: "De quem é esse tênis aqui fora?". Era meu. Quase morri de vergonha, mas levei comigo essa lição, como precisava avançar, crescer, me diferenciar das crianças. E fiz alguns avanços.
Então virei esposa... E nada mudou, porque faça-me rir que vou fazer mala para marido.
De todo modo ver Luiz fazer uma mini mala, organizada do início ao fim da viagem me ajudou um pouco. Temos dividido o espaço da mala grande algumas vezes, o que me obriga a selecionar minha bagagem e deixar tudo arrumadinho.
Então virei mãe... E quando se é mãe não se tem muita opção de querer ou não mudar para avançar. A vida te empurra nessa direção, ainda bem. Essa é a dor e a maravilha de ser mãe. Você se confronta com suas dificuldades, muitas das quais fugiu de enfrentar por toda a vida mas agora, tendo seres que dependem de você, continuar fugindo torna-se insustentável. É preciso enfrentar, e a beleza reside aí ao ter seus filhos como seus inspiradores e também companheiros em sua trajetória.
Só para constar...
Até o momento eu continuo não gostando de fazer malas, mas já aprendi um monte a esse respeito. Não só sobre as minhas malas, mas sobre as malas dos meus filhos. Como era penoso no início fazer as escolhas para os três.
Mateus, o primeiro, aquela inexperiência total que me fazia levar tudo e mais um pouco, aquele pânico de esquecer alguma coisa e alguém me julgar como péssima mãe, aquele medo de seu filho sofrer porque você não conseguiu cuidar bem dele. Ainda bem que a gente pode (e deve) fazer o exercício de nos libertarmos de todas essas amarras - tenho falado muito sobre isso por aqui. podemos inclusive aprender a rir sobre nosso jeito atrapalhado, dar mais leveza às nossas vidas até para permitirmos que nossos filhos nos conheçam por inteiro, com nossas limitações e enorme vontade de nos superarmos, o que certamente será uma lição para ele sobre a forma que aprende a lidar com suas dificuldades também.
As meninas vieram num momento mais tranquilo de minha maternidade, já conseguia fazer boas escolhas e lidar bem com os inevitáveis erros. O desafio nesse caso é que elas são duas! Então, por conta disso, mais ou menos melhorei na questão do excesso de bagagem...
Atualmente tenho me esforçado em avançar nas questões de gênero. Atualmente faço a mala de Mateus com meia dúzia de shorts e camisetas, um casaco, um tênis e um chinelo e só. Já as meninas... ai que difícil! Muitos tipos diferentes de shorts, de camisetas e tudo mais, uma chateação. Mas sei que com a cabeça nisso daqui a pouco vou caminhar nesse sentido, e cada vez mais em companhia dos três que já palpitam nessas escolhas, umas graças! Outro desafio, também relacionado a gênero é conseguir deixar Luiz assumir essa tarefa. Essa pressão em cima das mulheres é tão grande que não conseguimos nos desprender, deixar os homens assumirem funções desse tipo. Luiz já é o responsável oficial pela mochila de natação do Mateus, e tirando um dia ou outro que esquece algo (mas quem sou eu para reclamar?), o esquema tem funcionado.
Estou vendo o dia que vou conseguir fazer uma mala supimpa para cada um, mas eles vão querer fazê-las totalmente sozinhos, eita vida complicadinha... e maravilhosa!!!
Por tudo isso, tratemos de aproveitá-la!
Julho, férias, muitas mini viagens, o que em outras palavras quer dizer: muitas malas feitas, desfeitas e feitas novamente... Uma loucura só, junta-se a isso as muitas roupas sujas para administrar...rs. Mas vamos rir disso tudo, porque afinal esse é um ótimo problema. Viajar é bom demais! Mil vezes enfrenta-lo a ficar com as malas mofando no armário.
1. Não sei fazer malas.
Não tenho o poder de síntese e nesses momentos meu espírito taurino que prima pela segurança se fortalece e a expressão "e se" ganha sempre. "E se fizer frio", eu penso, e então coloco um monte de blusas quentinhas, "e se fizer calor" e coloco biquíni, sabendo que não vou usar, "e se nesse lugar finalmente eu usar daquele roupa que há tempos comprei, e coloco sabendo também que não vou usar.
Mas você pode pensar que a minha mala é muito eficiente, porque carrego tudo. Mas então voltamos ao...
1. Não sei fazer malas.
O fato de eu levar um monte de coisas não significa que estou preparada para todas as situações, porque acabo levando itens desconectados: uma blusa linda que daria super certo no lugar, mas sem ter uma calça que combina. E olha que não sou ligada a moda, inclusive porque se o fosse cuidaria mais desse aspecto, mas é que tudo feito sem calcular direito.
2. Não gosto de fazer malas.
Adio o máximo possível começar essa tarefa e quando começo tento fazer alguns cálculos na cabeça sobre números de dias e noites e projetar lugar, tempo e eventos para fazer as escolhas. Já tentei escrever nessa etapa para poder me organizar melhor, mas não obedeci a mim mesma. Assim, é muito comum eu levar biquíni quando não precisa e quando precisa, eu não levar e me arrepender um monte.
3. Minhas malas são enormes.
Como não gosto e não sei na maioria das vezes levo tudo em excesso, ainda que desconectado e minhas malas ficam gigantes. Quando mais novas chegava ao cúmulo de jogar a gaveta inteira de cada item, se era praia, por exemplo, jogava todos os biquínis mesmo tendo aqueles que nem serviam mais.
Coleciono histórias bizarras sobre minhas malas grandes.... Como da vez que eu e minha amiga rodando o sul do país não conseguíamos mais carregar o peso de minha mala e então tivemos a ideia de alugar um quarto só para deixar as bagagens até regressarmos. Em Cuba aconteceu o mesmo, mas nesse caso resolvi ir doando minhas roupas a cada pessoa querida que conhecia pelo caminho. Por outro lado, no final da viagem com o dinheiro que sobrou comprei todas as esculturas de uma feirinha de artesanato e no aeroporto, enquanto uma moça terminava de fazer trancinhas no meu cabelo, eu tentava convencer os funcionários a liberarem minha bagagem, que estava pesadíssima, porque não tinha mais dinheiro para pagar pelo excesso. Consegui!
4. Uso sempre as mesmas roupas.
E o mais interessante é que levo um monte de coisas e uso sempre as mesmas coisas. Fico muito intrigada com essa minha dificuldade. Na vida cotidiana não tenho problemas em decidir minha roupa, mas nesse momento de fazer mala me sinto perdida...
5. Não sei o que vai acontecer.
Em grande parte a graça da viagem está na surpresa, em não saber o que vai acontecer, o que nos provoca um misto de sensações. Gosto disso, ficar imaginado o que me espera, me abrir ao desconhecido, à experiência. Mas daí na hora disso se concretizar em escolhas baseadas em hipóteses eu fico bem perdida... já falei isso, né?
6. Sou esquecida
E para completar o quadro de perdição a pessoa aqui ainda por cima é esquecida. Sou a campeã de esquecer toalha!
7. Sou atrapalhada.
Até conseguia organizar a mala para viajar, mas durante a viagem não conseguia de jeito nenhum manter a arrumação. Tudo misturava, tudo andava, tudo sumia.
Saldo até o momento: mala enorme, desconectada, com coisas que não vou usar e com ausência de coisas que preciso usar, numa bagunça só.
Então virei professora... Lembro-me do primeiro acampamento que levei meus alunos e minha colega de trabalho gritou no chalé: "De quem é esse tênis aqui fora?". Era meu. Quase morri de vergonha, mas levei comigo essa lição, como precisava avançar, crescer, me diferenciar das crianças. E fiz alguns avanços.
Então virei esposa... E nada mudou, porque faça-me rir que vou fazer mala para marido.
De todo modo ver Luiz fazer uma mini mala, organizada do início ao fim da viagem me ajudou um pouco. Temos dividido o espaço da mala grande algumas vezes, o que me obriga a selecionar minha bagagem e deixar tudo arrumadinho.
Então virei mãe... E quando se é mãe não se tem muita opção de querer ou não mudar para avançar. A vida te empurra nessa direção, ainda bem. Essa é a dor e a maravilha de ser mãe. Você se confronta com suas dificuldades, muitas das quais fugiu de enfrentar por toda a vida mas agora, tendo seres que dependem de você, continuar fugindo torna-se insustentável. É preciso enfrentar, e a beleza reside aí ao ter seus filhos como seus inspiradores e também companheiros em sua trajetória.
Só para constar...
Até o momento eu continuo não gostando de fazer malas, mas já aprendi um monte a esse respeito. Não só sobre as minhas malas, mas sobre as malas dos meus filhos. Como era penoso no início fazer as escolhas para os três.
Mateus, o primeiro, aquela inexperiência total que me fazia levar tudo e mais um pouco, aquele pânico de esquecer alguma coisa e alguém me julgar como péssima mãe, aquele medo de seu filho sofrer porque você não conseguiu cuidar bem dele. Ainda bem que a gente pode (e deve) fazer o exercício de nos libertarmos de todas essas amarras - tenho falado muito sobre isso por aqui. podemos inclusive aprender a rir sobre nosso jeito atrapalhado, dar mais leveza às nossas vidas até para permitirmos que nossos filhos nos conheçam por inteiro, com nossas limitações e enorme vontade de nos superarmos, o que certamente será uma lição para ele sobre a forma que aprende a lidar com suas dificuldades também.
As meninas vieram num momento mais tranquilo de minha maternidade, já conseguia fazer boas escolhas e lidar bem com os inevitáveis erros. O desafio nesse caso é que elas são duas! Então, por conta disso, mais ou menos melhorei na questão do excesso de bagagem...
Atualmente tenho me esforçado em avançar nas questões de gênero. Atualmente faço a mala de Mateus com meia dúzia de shorts e camisetas, um casaco, um tênis e um chinelo e só. Já as meninas... ai que difícil! Muitos tipos diferentes de shorts, de camisetas e tudo mais, uma chateação. Mas sei que com a cabeça nisso daqui a pouco vou caminhar nesse sentido, e cada vez mais em companhia dos três que já palpitam nessas escolhas, umas graças! Outro desafio, também relacionado a gênero é conseguir deixar Luiz assumir essa tarefa. Essa pressão em cima das mulheres é tão grande que não conseguimos nos desprender, deixar os homens assumirem funções desse tipo. Luiz já é o responsável oficial pela mochila de natação do Mateus, e tirando um dia ou outro que esquece algo (mas quem sou eu para reclamar?), o esquema tem funcionado.
Estou vendo o dia que vou conseguir fazer uma mala supimpa para cada um, mas eles vão querer fazê-las totalmente sozinhos, eita vida complicadinha... e maravilhosa!!!
Por tudo isso, tratemos de aproveitá-la!
Julho, férias, muitas mini viagens, o que em outras palavras quer dizer: muitas malas feitas, desfeitas e feitas novamente... Uma loucura só, junta-se a isso as muitas roupas sujas para administrar...rs. Mas vamos rir disso tudo, porque afinal esse é um ótimo problema. Viajar é bom demais! Mil vezes enfrenta-lo a ficar com as malas mofando no armário.
terça-feira, 30 de junho de 2015
Viva o Boi!
Isabel: "O Boi foi na minha escola!"
Eu: "É mesmo? Na minha também!"
Isabel: "Mas o meu Boi tava machucado. Cortaram a língua dele e a perna. Tadinho..."
Eu, emocionada: "E depois ele sarou?"
Isabel: "Sarou porque a gente cantou assim ó... Itó Huge..."
Essa conversa para muitos pode parecer sem sentido, mas para mim não. Ela é carregada de muitos significados, os quais construí ao longo de minha trajetória, e para minha felicidade, meus pequenos também vem tendo a chance de apropriarem-se de nossa cultura popular brasileira.
Faz tempo que quero compartilhar essa experiência por aqui e hoje precisei fazê-lo, ao me deparar com a notícia de que é Dia do Bumba meu Boi. Este personagem tão querido de nossa cultura e agora de minha família também. Virou parte de nossa história.
Desde pequena ouço muitas histórias sobre a Festa do Boi de Parintins, a qual meu tio Carlinhos é fã número 1. Apenas na época da faculdade vim a conhecer a Festa do Boi do Morro do Querosene no bairro do Butantã em São Paulo, e me rendi por completo a essa narrativa com toda sua simbologia. Quando comecei a trabalhar na minha escola outra grande surpresa, as crianças entravam em contato com as muitas versões dessa história espalhadas pelo Brasil e no dia da festa junina brincavam e dançavam tendo o Boi como elemento central e mantendo viva essa tradição.
Neste ano vivenciei o Boi intensamente - tanto com meus alunos e alunas que encantavam-se com essas brincadeiras culturais como com minhas meninas que também brincaram de Boi. Neste contexto, Isabel me contou sua experiência me dando pistas do quanto estava envolvida: "o meu Boi". Naquela ocasião, vendo por todos os lados o poder de experimentar a cultura de forma viva, coletiva e brincante não tive dúvidas: "Meninas, vamos fazer um Boi?". Assim, com improvisação, disposição e ajuda da Pe, conseguimos dois Boizinhos de papelão, muito pequeninos e fofos tais quais minhas pequenas...
E como elas ficaram felizes e rapidamente puderam demonstrar tudo que estavam vivendo na escola, porque já sabiam rodopiar com o Boi, pediam as músicas, me corrigiam, vibravam quando a gente se acertava, e nos divertimos muito. A cultura popular tem essa função importante, possibilitar que a gente reviva nossa infância e naquele momento viajei por tempos e espaços ao ver minhas meninas saudando o querido Boi.
Impossível separar-se do Boi para ir à escola. Então ele foi junto... E já na calçada, outra grata surpresa, as crianças da escola dizendo: "olha o Boi!" e todas correndo para se aproximar, para brincar com esse personagem que causa misto de reações e emoções. Aqui, mais uma vez meus parabéns à Bethinha e toda equipe por tanto trabalho sério com a cultura.
Com orgulho mostraram às professoras e ao final do dia, com ainda mais orgulho fiquei ao saber que o Boi fez parte de suas vivências com seus respetivos grupos. Na turma da Carol eles reviveram a dança para o dia da Festa, segundo as professoras, com muita animação e apropriação. Na sala de Bebel, as crianças ficaram encantadas com a "feitura" do Boi e assim combinaram de fazer um maior, de todo o grupo que, claro, foi de lacinho tal qual o Boizinho. Maior aprendizado de como uma mesma situação gera experiências distintas, já que somos singulares. Nesta escola é essa a proposta o tempo todo.
Assim o Boi passou a ser mais um membro de nossa família. Ele tem fome, dorme, sendo nesses momentos muito cuidado por elas. Aliás, hoje qualquer coisa vira Boi, um tecido, uma caixa, uma roupa... E toda essa vivência foi tão intensa que as professoras tiveram a sensibilidade de oferecer a elas a oportunidade delas levarem seus Boizinhos para o dia da Festa Junina. Com muita seriedade como tem de ser minhas meninas se divertiram muito nesse momento, inesquecível para mim.
Um presente dos céus vê-las tão engajadas de nossa cultura popular. Que venham muito outros momentos como em nossas vivência para que nossas vidas sejam carregadas de muito sentido!
E Viva o Boi!
“Catirina que só quer comer da língua do boi”, assim inicia uma das canções que narra a história do Bumba meu Boi, que hoje é celebrado nacionalmente. A lenda é tradição desde o século XVIII e se espalhou por todo Norte e Nordeste brasileiro com diversos nomes. A festa mistura teatro, dança, música e circo, num universo rico em tramas e personagens cheios de influências africanas e europeias.
Saiba mais desta festa que divide palco com os festejos juninos: http://bit.ly/1Nu4IwP
*Trecho da música Catirina, do cantor Papete. ( IphanGovBr via facebook)
Aí quando acho que neste ano já vivi todas as emoções possíveis com as Festas Juninas eu recebo mais esta foto das minhas duas Boizinhos...
Morri de novo...
*Trecho da música Catirina, do cantor Papete. ( IphanGovBr via facebook)
Aí quando acho que neste ano já vivi todas as emoções possíveis com as Festas Juninas eu recebo mais esta foto das minhas duas Boizinhos...
Morri de novo...
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