terça-feira, 30 de junho de 2015

Viva o Boi!



Isabel: "O Boi foi na minha escola!"
Eu: "É mesmo? Na minha também!"
Isabel: "Mas o meu Boi tava machucado. Cortaram a língua dele e a perna. Tadinho..."
Eu, emocionada: "E depois ele sarou?"
Isabel: "Sarou porque a gente cantou assim ó... Itó Huge..."


Essa conversa para muitos pode parecer sem sentido, mas para mim não. Ela é carregada de muitos significados, os quais construí ao longo de minha trajetória, e para minha felicidade, meus pequenos também vem tendo a chance de apropriarem-se de nossa cultura popular brasileira.

Faz tempo que quero compartilhar essa experiência por aqui e hoje precisei fazê-lo, ao me deparar com a notícia de que é Dia do Bumba meu Boi. Este personagem tão querido de nossa cultura e agora de minha família também. Virou parte de nossa história.

Desde pequena ouço muitas histórias sobre a Festa do Boi de Parintins, a qual meu tio Carlinhos é fã número 1. Apenas na época da faculdade vim a conhecer a Festa do Boi do Morro do Querosene no bairro do Butantã em São Paulo, e me rendi por completo a essa narrativa com toda sua simbologia. Quando comecei a trabalhar na minha escola outra grande surpresa, as crianças entravam em contato com as muitas versões dessa história espalhadas pelo Brasil e no dia da festa junina brincavam e dançavam tendo o Boi como elemento central e mantendo viva essa tradição.

Neste ano vivenciei o Boi intensamente - tanto com meus alunos e alunas que encantavam-se com essas brincadeiras culturais como com minhas meninas que também brincaram de Boi. Neste contexto, Isabel me contou sua experiência me dando pistas do quanto estava envolvida: "o meu Boi". Naquela ocasião, vendo por todos os lados o poder de experimentar a cultura de forma viva, coletiva e brincante não tive dúvidas: "Meninas, vamos fazer um Boi?". Assim, com improvisação, disposição e ajuda da Pe, conseguimos dois Boizinhos de papelão, muito pequeninos e fofos tais quais minhas pequenas...




E como elas ficaram felizes e rapidamente puderam demonstrar tudo que estavam vivendo na escola, porque já sabiam rodopiar com o Boi, pediam as músicas, me corrigiam, vibravam quando a gente se acertava, e nos divertimos muito. A cultura popular tem essa função importante, possibilitar que a gente reviva nossa infância e naquele momento viajei por tempos e espaços ao ver minhas meninas saudando o querido Boi.

Impossível separar-se do Boi para ir à escola. Então ele foi junto... E já na calçada, outra grata surpresa, as crianças da escola dizendo: "olha o Boi!" e todas correndo para se aproximar, para brincar com esse personagem que causa misto de reações e emoções. Aqui, mais uma vez meus parabéns à Bethinha e toda equipe por tanto trabalho sério com a cultura.

Com orgulho mostraram às professoras e ao final do dia, com ainda mais orgulho fiquei ao saber que o Boi fez parte de suas vivências com seus respetivos grupos. Na turma da Carol eles reviveram a dança para o dia da Festa, segundo as professoras, com muita animação e apropriação. Na sala de Bebel, as crianças ficaram encantadas com a "feitura" do Boi e assim combinaram de fazer um maior, de todo o grupo que, claro, foi de lacinho tal qual o Boizinho. Maior aprendizado de como uma mesma situação gera experiências distintas, já que somos singulares. Nesta escola é essa a proposta o tempo todo.

Assim o Boi passou a ser mais um membro de nossa família. Ele tem fome, dorme, sendo nesses momentos muito cuidado por elas. Aliás, hoje qualquer coisa vira Boi, um tecido, uma caixa, uma roupa... E toda essa vivência foi tão intensa que as professoras tiveram a sensibilidade de oferecer a elas a oportunidade delas levarem seus Boizinhos para o dia da  Festa Junina. Com muita seriedade  como tem de ser minhas meninas se divertiram muito nesse momento, inesquecível para mim.



Um presente dos céus vê-las tão engajadas de nossa cultura popular. Que venham muito outros momentos como em nossas vivência para que nossas vidas sejam carregadas de muito sentido!




E Viva o Boi!


“Catirina que só quer comer da língua do boi”, assim inicia uma das canções que narra a história do Bumba meu Boi, que hoje é celebrado nacionalmente. A lenda é tradição desde o século XVIII e se espalhou por todo Norte e Nordeste brasileiro com diversos nomes. A festa mistura teatro, dança, música e circo, num universo rico em tramas e personagens cheios de influências africanas e europeias.

Saiba mais desta festa que divide palco com os festejos juninos: http://bit.ly/1Nu4IwP
*Trecho da música Catirina, do cantor Papete. ( IphanGovBr via facebook)


Aí quando acho que neste ano já vivi todas as emoções possíveis com as Festas Juninas eu recebo mais esta foto das minhas duas Boizinhos...
Morri de novo...




2 comentários:

  1. Saudades do boi e de vc Ju!
    Bjos Ligia

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    1. ei querida... saudade gigante!!!
      beijo bem grande pra vc

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