quarta-feira, 7 de setembro de 2016

"A vida é muito importante para ser levada a sério." (Oscar Wilde) ❤️ 4 anos de risadas deliciosas, 4 anos de aprendizados, 4 anos de que nada sei, 4 anos de que podemos tudo, 4 anos de vida com maior sentido, 4 anos de novos questionamentos, 4 anos em suspenso, 4 anos seguindo em frente, 4 anos bem vividos, 4 anos de gratidão, 4 anos que me enchem de esperança neste mundão cheio de contradições. 4 anos em construção... Dos próximos que virão - e no que depender de mim, numa democracia.

Carolina e Isabel, toda felicidade pra vocês.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Escola sem partido - vote contra

Esse projeto que tramita por aí "Escola sem partido" encabeçado pelo Alexandre Frota e sua galera nada entendida de educação (socorro!) não quer dizer exatamente sem partido na escola, uma vez que realmente a escola precisa ser apartidária. Mas quer dizer escola sem ideologia, e nesse sentido, não existe neutralidade política. Buscar neutralidade já é um posicionamento. Esclarecendo, mais uma vez, ter ideologia não significa ter partido, e sim posições políticas como, por exemplo, a escola ser a favor do respeito às diferenças de pensamentos e às igualdades de direitos.

Uma escola que em seu projeto político-pedagógico e em seu cotidiano não se coloca comprometida com o desenvolvimento de atitudes colaborativas e éticas de seus alunos e alunas para com a manutenção e a melhoria de nossa vida em comum então, sinceramente, fecha as portas dessa escola. Afinal, de que uma escola serve se não for para instigar as crianças e jovens a buscarem formas mais justas, humanas e respeitosas de convivermos, isto é, para ensinar que outro mundo é possível?

Para mim essa é a única razão de escola existir.

Segue vídeo de Leandro Karnal. Ele explica melhor..



Está acontecendo uma Consulta Pública a respeito. Vote contra, essa é uma questão muito séria.

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=125666

Figurinhas das Olimpíadas

Adoro o clima de Olimpíadas!

Ver um monte de gente diferente do mundo todo reunida, por si só, já me parece um grande motivo para celebrar! Em torno ainda o esporte, melhor ainda. Gente que batalha, que se arrisca, que se supera e nos mostra como o horizonte é sempre maior do que podemos ver.

Sem grandes ilusões, sabemos que vida de atleta muitas vezes não é nada saudável, que a competição entre os atletas muitas vezes não é nada amigável e que os interesses políticos e econômicos muitas vezes se sobrepõem aos valores éticos. Ainda assim acho que ao vivermos esse tipo de experiência poderemos aprender a fazer melhores escolhas que visam o bem comum. Nesse sentido, também acho que se nossos governantes não fossem corruptos não precisaríamos viver dilemas como Olimpíadas ou educação/saúde etc., uma vez que tudo nos isso nos interessa, e merecemos tudo.

Não acho que conseguirei ir a algum evento, mas mesmo de longe ficarei na torcida para que a Festa do Esporte seja linda como também ficarei na cobrança para que as promessas feitas sejam cumpridas - tal qual meu amigo Gabriel Passetti...

"Foi muito comum ouvir nos últimos 6 anos aquele clássico discurso "obra pública no Brasil sempre é concluída na correria" e os maiores exemplos apareceram na Copa e nas Olimpíadas. Claro que este discurso sempre teve a origem naquela velha máximo da "eficiência da iniciativa privada".
Pois bem, colado ao Campo de Golfe Olímpico fica o "Vogue Square Life Experience", complexo com 33 mil m²: hotel com 222 suítes, centenas de salas comerciais, centro de convenções e um "mall gastronômico gourmet com mais de 100 marcas prêmium do mundo".

A pergunta é: está pronto? Não. Prometido para dezembro do ano passado, está a maior correria por lá. Enquanto isso, estádios, arenas, etc estão prontos.
Moral da história: obra sempre demora mais e sai mais cara. Seja do Estado, seja do capitalista, seja na sua casa."

Aqui em casa, resolvi comprar o álbum para colecionar com as crianças e está sendo muito legal! Pena que estamos em época de férias escolares e não temos podido trocar com os colegas, mas tudo o que estamos vivendo nesse sentido tem sido com muito interessante - desde os combinados sobre a compra de figurinhas, a contagem das moedas para a compra, as trocas com os  primos, a colagem em si a partir da ordenação dos números, as tentativas de leitura dos nomes e esportes e a tomada de conhecimento  sobre os atletas, esportes e curiosidades do evento.

Confesso que na hora de comprar ou não na banca, fiquei receosa se valia a pena embarcar nessa aventura, mas ao prestar atenção na capa com fotos de um homem, uma mulher e um atleta paraolímpico as dúvidas se dissiparam... E grata surpresa ao verificar que dentro do álbum os editores buscaram mesmo uma mesma medida aos atletas olímpicos masculinos, femininos e paraolímpicos, o que tem feito Mateus referir-se igualmente aos campeões olímpicos ou paraolímpicos, por exemplo, igualmente - como tem de ser. Emocionante também tem sido ver Mateus e as meninas interessadas em saber mais sobre cada esporte, experimentando as diferentes modalidades em seus corpos desejosos de explorações. Entrar em contato com as histórias dos atletas sobre esforço, treino, processo, espírito de equipe, vitórias e derrotas, certamente serão ótimas referências em suas trajetórias a respeito do valor de cada um desses aspectos. Nessas conversas, uma situação muito bacana que vivemos foi contar a eles que conhecemos uma competidora do salto com vara, a Joana Costa. Eles mal acreditaram. Outra situação bacana vivida foi quando fomos ao circo, e ao ver as "dançarinas dos céus" Mateus não se conformou ao saber que elas não estariam nas Olimpíadas "mas elas são tão boas". Do mesmo modo como eu não me conformei ainda com a história da morte por militares de uma onça-pintada. A cena de Mateus aos berros de felicidade porque ganhou a figurinha dessa nossa mascote me doeu muito. Tive vontade de rasgar o álbum e denunciar a ele todo abuso que acontece nos bastidores e às vezes até mesmo na frente de todos, como foi o caso. Mas me segurei. Não quero criar filho sem esperança de que as coisas podem ser diferentes e mudar para melhor.

Minha torcida maior é sempre para isso. Por tempos mais humanos. Que as Olimpíadas nos ajude nessa direção.

Outros relatos: Leka

Segue uma reflexão de minha amiga Leka sobre algumas questões sérias e urgentes de nossa sociedade que pedem nossa coerência e posicionamento.


Como mãe e professora tenho refletido muito sobre nossa sociedade e qual é nosso papel diante dos tempos em que vivemos. Em um momento em que o certo e o errado, o justo e o injusto parecem cada vez mais difíceis de serem definidos, penso ser o instante em que cada um de nós faz a diferença. 


Recentemente assisti aos documentários "O Começo da Vida" e "The Kids Menu" (Disponíveis no Netflix. Super recomendo ambos!), que fizeram-me refletir ainda mais sobre o que é educar para a vida, para o mundo. Se por um lado "é preciso um povoado para fazer dar certo", por outro "se você cuidar das pequenas coisas, as grandes se resolverão sozinhas". Dessa forma, fico pensando o quanto não é suficiente que em minha casa uma alimentação mais saudável seja uma premissa, se na maioria das outras famílias não for, por exemplo.

Outro dia participei de uma palestra com os profissionais do Alimentamente, na qual pudemos refletir bastante sobre a formação de hábitos e a importância de "tudo começar por nós". Precisamos pensar no ato de consumir como uma força política. Teremos maior oferta de alimentos orgânicos, frescos e mais saudáveis, a medida que nós, os consumidores, exigirmos isso do mercado. Essa exigência começa pela escolha do que comprar. Comprar alimentos pelo que são e não pelo que sua embalagem representa. Qual sua origem? Quanto de lixo suas embalagens vão produzir? Quais os ingredientes que o compõe?

Em uma sociedade cada vez mais individualista, pensar que, como vivemos em comunidade, não basta que meus filhos sejam educados e alimentem-se bem, por exemplo. Eles viverão e crescerão cercados de outras pessoas e quanto mais bacanas e saudáveis elas forem, melhor será para todos.

Um pequeno, mas grande passo para as mudanças está na alimentação. Fazemos pelo menos 4 refeições ao dia e quanto mais as crianças estiverem implicadas nisso, melhor para todos, não?

"Uma criança, uma família, uma comunidade...", quanto mais pensarmos em rede e acreditarmos na potência de nossas crianças, acredito, teremos uma sociedade mais feliz, saudável e justa.

domingo, 17 de julho de 2016

Clara Sayuri: seja bem-vinda!!!

Nasceu mais uma pequena: a Clara, filha da Erika e do Rodrigo, viva!

Erika e Rodrigo, certamente essa chegada vai trazer muitas mudanças, correrias, incertezas e muito, muito amor. Aproveitem bastante esse momento e essas novas relações que estão sendo construídas e qualquer coisa podem gritar que estaremos disponíveis a ajudar no que for possível.

Beijo grande, meu, de cada um aqui de casa e dessa grande cantora de mesmo nome... Para vocês dois e, claro, para Clara, essa pequena guerreira...



domingo, 19 de junho de 2016

Eu me ensino aprendendo com eles...

Outro dia aqui em casa, Mateus estava em busca de um meião limpo para usar. Como não encontrávamos lhe perguntei o motivo de tanta preocupação. "Ah, mãe, é que lá na escola a gente gosta de fazer a turma do meião". Num misto de sentimentos de achar uma fofura essa identidade da turma e ao mesmo tempo preocupação com o que esse tipo de acordo pode gerar: uma rigidez nas relações e consequentemente exclusões, eu retruquei: "Pôxa, legal essa turma! Mas nós não estamos achando o meião e você vai ter de encontrar um outro jeito de participar dela!". Mateus insiste: "Mas mãe, vamos continuar procurando, porque quem procura acha. E também eu gosto mesmo de usar meião, porque eu gosto de usar short. E se não tiver meião você não vai deixar eu ir de shorts no frio."

Procuramos mais um tempo pelo dito cujo, em meio aos meus pensamentos ainda divididos... Uma parte de mim torcia para que o encontrássemos para que fizesse parte da tal turma e não fosse necessário um duelo por causa do shorts e ao mesmo tempo outra parte torcia pelo não encontro, justamente para que tivessemos a oportunidade de enfrentar juntos e de um jeito positivo todas aquelas nossas questões - tão simples e tão complexas de nossas relações diárias. O destino resolveu o impasse e encontramos o meião.

Mateus o colocou feliz, e como ganhamos um tempo em nossa correria para ir à escola por causa da ausência do duelo do shorts então continuei aquela conversa:

- Mas Mateus, me conta como vocês fazem com quem não vai de meião... Você mesmo, hoje quase não foi...
Do alto dos seus 5 anos, ele me responde:
- A gente combinou de ir, porque a gente gosta, mas quem quiser ficar junto, a gente pensa em outra coisa que a gente tem de parecido. Pode ser a turma do azul.
- Que legal, meu filho. Então vocês vão encontrar um jeito de todo mundo participar. Isso não é fácil, mas fico tão, tão feliz que vocês estejam tentando! Acho mesmo que se vocês procurarem bem vão achar algo parecido entre vocês. Mas se por acaso, não acharem, como vão fazer? Quer dizer, e se não der para fazer a turma do azul?
- Ah, mãe, daí a a gente faz a turma do colorido!
(silêncio, abraços, risos e choros, de minha parte, claro, porque ele não entendeu minha reação e logo me apressou para sairmos de casa... Ele tinha uma tarde inteira a explorar na escola!).

Longe de pensar que essa atitude se restringe ao meu filho e me iludir de que sempre ele conseguirá ter atitudes respeitosas como essa, quero pensar de forma ampla...

Quando as crianças participam de um ambiente afetivo com constantes referências cuidadosas, elas são capazes de desenvolver uma capacidade agregadora que cada vez mais temos percebido o quanto é inata aos seres humanos. Essa cena é mais um exemplo de como essa criançada já vem experimentando relações que agregam... E com isso meu coração se enche de emoção e esperança!

"Eu me ensino aprendendo com eles." (desconhecido)



Cá entre nós, pode lindeza maior nessa vida? Pensar que nosso mundo pode ser diferente, com gente que se importa com o outro, que se cuida, que se ama e principalmente, onde todo mundo cabe.

Faz uma semana que no dia do "amor" 50 pessoas em Orlando morreram por falta dele.
No mundo todo, diariamente pessoas morrem, de diferentes jeitos, mas pela mesma razão.

É urgente pensarmos e agirmos a esse respeito. Ontem vi a imagem do primeiro ministro canadense beijando outro homem como protesto ao ocorrido em Orlando. Outro gesto simbólico, ainda mais vinda de um político! Que isso possa nos inspirar que essas autoridades se coloquem a respeito.

Precisamos, tanto no plano macro como no micro, recolher mais cenas assim, afetivas, integradoras, respeitosas e transformadoras para nos enchermos de disposição para enfrentarmos com muita ética essas questões postas em nossas relações diariamente.

Hoje, mais do que nunca, me sinto a voz dessa criançada que pede um mundo mais amoroso e muito colorido! Elas merecem e o mundo agradece.

"Eu tô pela revolução que ainda falta que é a revolução das crianças". (Lydia Hortélio)


sábado, 11 de junho de 2016

Nara: seja bem-vinda!!!

Há uma semana atrás nascia Nara, a mais nova integrante da turma das Perukas. Filha de minha amada amiga Andrea e seu maridão Marcelo, a Nara é uma menina sortuda que certamente vai trazer muito afeto a toda essa família e ao nosso círculo de amizades.

Estamos muito contentes e emocionados com essa chegada, e claro, muito desejosos de atravessar quilômetros de estrada para conhecê-la. Enquanto isso não acontece a gente fica por aqui emanando boas energias para ela e para a nova mamãe e papai, no meu caso, por meio de rabiscos...

DESEJOS

Nara querida,
desejo que sua vida seja repleta de alegria.
E de amendoim, sorvete, pipoca e pão de queijo.
Fazenda, praia, piscina, quintal e rua.
Pega-pega, esconde-esconde, amarelinha e bambolê.

Mais que isso, espero que desfrute de toda sua família,
do afeto os seus pais e do colinho dos avós.
Dos amigos que vai construir e da bagunça que vão fazer.

Juntos, vocês se sentirão mais fortes
para experimentar todos os desafios e delícias dessa vida.
Tal como seu pai e sua mãe se sentiram no dia do seu nascimento.
Foi difícil. Sua mãe ficou horas em trabalho de parto. Seu pai ficou ansioso.
Mas valeu a pena! Você nasceu linda e saudável,
e um deu força para o outro até todos ficarem bem.

Que seja sempre assim...

Nara querida,
desejo que nos momentos difíceis você perceba que tem com quem contar,
que seu pai é ponta firme e sua mãe uma grande mulher.
O que não quer dizer que sejam perfeitos, pois isso não existem,
mas eles farão o que melhor que puderem como seus pais. Então retomando...
seu pai é ponta firme e sua mãe uma grande mulher. E isso é muito. Acredite!

Mais que isso, sua mãe é uma super companheira:
com ela ao seu lado, você seguirá pelos melhores caminhos...
Ela sabe planejar ótimas listas inúteis,
pois por mais que como boa virginiana tente controlar tudo,
ela se atrapalha, se perde e se rende ao inesperado e às boas surpresas da vida.

Juntas, darão boas risadas do seu jeito sonsin.
Sim, talvez você fique incomodada com as indecisões dela,
Mas veja o lado bom... Se por acaso vocês se verem em Apuros,
sua mãe saberá pedir Socorro!
Um dia ela te contará essa e outras histórias,
e mais uma vez, darão risadas ao final!

Que seja sempre assim...

Nara querida,
desejo que sua vida seja repleta de aventuras.
Que vocês possam viajar a muitos lugares: Jambeiro, Cuba, Guarda, França,
e juntas, descobrir o mundo.
Com ela ao seu lado, sua bagagem ficará cheia de histórias...
E de fotos com poses, prepare-se para os micos que ela vai te fazer pagar!

Mais que isso, espero que também viajem muito aqui para São Paulo,
para visitar as amigas da mamãe...
Para que eu possa desfrutar da companhia dela, do seu pai e agora sua,
e em cada gesto, palavra e cena eu possa conhecer do jeito dela em você e vice-versa.

Junto com nossos filhos, vocês poderão se divertir
e construir mais uma geração de amizade.
E a vida poderá tomar sua forma circular, de roda viva, que vai e volta
sem perder jamais aquilo que importa.

Que seja sempre assim...

Nara querida,
desejo uma vida repleta de amor.
Que no dia a dia das relações vocês formem uma família unida,
o que não significa sem desavenças, sem cansaços e sem erros.
Mas um desejo inexplicável de experimentar a vida em conjunto,
lidando e transformando todos os desafios em oportunidades.

Mais que isso, que você possa se inspirar na história de amor
construída por seu pai e sua mãe.
Dois meninos quando se conheceram...
Uma vida pela frente que descobriram ser melhor vivida, a dois...
e agora a três, com você!

Juntos, vocês experimentarão a beleza de rir e chorar com quem nos importamos.
O prazer de cuidar e ser cuidado, amar e ser amado.

Que seja sempre assim...

Nara querida,
algo me diz que sua vida será muito boa.
E a de sua mãe e seu pai também!
Aproveitem!!!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A luta da Cultura, da Educação, das Mulheres, das Crianças, da Humanidade

Primeira cena descrita por mim, ainda num sonho...



Carol me acordou: " mãe, conta essa história pra mim?" Ainda sonada, respondi: " vai vendo o livro que eu já conto..." E ela: "mas mãe, eu não sei ver melhor, eu não sei ler!" Morri... ❤️ Minha menina de 3 anos já sabe que ler possibilita ver além!

A cultura diz do modo como vemos nós mesmos, o outro, o mundo, a vida. Se com olhos amorosos ou não. Carol, ao reivindicar com força e paixão por seu direito a pertencer à nossa cultura para qualificar suas experiências, me encheu de esperanças.
"Educação sem cultura é ensino. Saúde sem educação é remediação. Segurança sem cultura é repressão. Economia sem cultura é acumulação. Comunicação sem cultura é manipulação." (Jéferson Assumção)

Neste cenário atual, a luta é pela volta do Ministério da Cultura - que como parte do sistema político também pede reformas urgentes, e principalmente por uma cultura numa perspectiva de desenvolvimento social e econômico com ética e humanidade.
E vamos aproveitar a Virada Cultural de SP.


Segunda cena descrita por Luiz que me enche de orgulho...



Mateus está ensinando as irmãs a escreverem seus nomes... "Pai, a Carolina já sabe fazer a letra A!!!". Quase morri... Sempre lembrando a importância da cultura...



Terceira cena que até agora me parece piada (de mau gosto, claro)...

Alexandre Frota dando sugestões no Ministério da Educação?! Não consigo digerir.

O cara já confessou em redes sociais ter estuprado uma moça inconsciente... Justo num dia que uma moça foi estuprada por 30 homens! Pelo fim da cultura do estupro. Essa cultura não me interessa, ela revela uma das mais antigas de relação de poder que ainda existe em nossa sociedade.

E a proposta dele é por menos ideologia em escola? Neutralidade nesse caso é passividade, o que permite a banalização de violências como essa. Professores não poderão ensinar às meninas que elas nunca são vítimas quando se trata de estupro. Não é o tamanho da saia que estupra. Não é horário que estupra. Quem estupra é estuprador como o tal que agora quer palpitar numa questão séria que ele não entende nada. Mas ele é homem, né? E não tem nenhuma mulher no Ministério... Aff!

Por mais respeito com a educação! Por mais respeito com as mulheres! Por mais respeito com nossas crianças e jovens! Por uma sociedade mais humana. Por mais jovens como os que estão lutando em defesa de suas escolas, eles sim me enchem de esperança e não se calam!

Pois hoje grito muito: "não foram 30 contra uma, foram 30 contra todas!"

Caras como Frota, Cunha e Feliciano que pretendem criminalizar jovens estupradas que tiverem o filho do agressor, Bolsonaro que fez homenagem a torturador que colocou ratos em vaginas de mulheres, essa mídia que acoberta essas ações minimizando os efeitos desse crime com palavras amenas ou quem desfrutou das imagens da menina sendo violentada por 30 homens nas redes sociais ou ainda os homens que mencionados na cena a seguir, não terão mais vez.


Quarta cena descrita por Débora Queiroz, na ficção mais verídica que já vi (via facebook)...



30
Foi atrás do vídeo 31
Acredita que a vítima provocou isso, por estar bêbada 32
Afirma que "mas nem todo homem é assim" 33
Diz pra sua filha sentar como mocinha 34
Acha que mulher tem que se dar ao valor 35
Compartilha foto de mulher pelada, sem autorização dela, no whats 36
Ri das piadas machistas e permanece no grupo machista de amigos do whats, pra "não ficar chato" 37
Consome pornografia tradicional que só reforça a submissão feminina 38
Fala pro seu filho que ele é homem, então ele pode 39
Obriga sua namorada a transar sem estar afim, mesmo que usando só pressão verbal 40
Chama de "puta" ou "vadia" quando fica bravo com uma mulher 41
Acredita que beijo roubado é mais gostoso 42
Não foram só 30. E eu poderia facilmente chegar a cem, mas meu filho acordou, e eu cuido dele sozinha. 43


Quinta cena descrita por Débora Negreiros que me enche de esperança (via facebook):


Conversando sobre o que significam os direitos das pessoas, em especial das crianças, uma aluna diz assim:
- Sabia que muito antigamente as meninas não podiam ir para a escola para estudar?

Pegas de surpresa, algumas crianças não acreditam nessa informação, e outras nos perguntam por quê. Ao que outra menina responde/pergunta assim:
- É porque elas já eram muito espertas?

E pronto. É por isso que a gente precisa de feminismo. Pra que algum dia todas essas lutas bestas que a gente passa hoje nem entrem na cabeça das crianças, e quando elas tentarem entender, vão achar algum motivo de deixar os adultos de queixo caído!

Tomás: seja bem-vindo!!!

"Pois de amor andamos todos precisados! Em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente! Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando." (Drummond)

Mais um nascimento me enche de alegria e esperança: Tomás, filho de minha amada Silvia e meu amigo Carlão. Hoje é um dia de festa nessa família pra lá de especial e também em nossas relações de amizades, estamos todos muito emocionados!!! E tudo indica que nasceu no mesmo dia do rafael, filho da querida Ivana, sua super amiga...

"A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas" (Drummond)

Sil é uma grande amiga da minha vida: da Pedagogia, do trabalho, de muitos laços em comum (com a ressalva que me apresentou Luiz), de bagunças, projetos, sonhos e agora, filhos.

Meu trio passou o dia querendo ver a fotinho do Tomás lindão com sua mamãe, a SilSil como eles a chamam e estão, como eu e Luiz, desejosos de conhecer a carinha dessa pessoa que agora faz parte de toda essa trama de laços afetivos.

"Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamento vários". (Drummond)

Desde que virei mãe, toda vez que tomo conhecimento de um nascimento fico imaginando a emoção da mãe e do pai ao receberem seu bebê no colo. É uma emoção intensa, subjetiva composta por uma miscelânea de sentimentos: alegria, amor, preenchimento, sintonia, dor, medo, vazio, estranhamento...

"Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata." (Drummond)

Uma emoção única: de um segundo para o outro o bebê nasce e passamos a nos relacionar diretamente com ele olhando em seus olhinhos, sentindo seu cheirinho, carregando-o em nossos braços, conhecendo suas expressões, seu jeito, ouvindo sua voz... Num encontro abençoado, surpreendente e inexplicável ao percebermos que o bebê já nos conhece... Ele chora e vai ao nosso colo e se acalma...

Como explicar isso? Como não se encantar com esses mistérios de nossas relações assim como com a mãe e pai adotivos que do mesmo modo constroem fortes vínculos? Como não agradecer a oportunidade de experimentar essa relação de afeto? Como não nos amedrontarmos com toda a responsabilidade que vem junto a essa percepção? Como não nos encorajarmos a ser melhor, cada vez mais, para estarmos à altura desse presente? Como nos perdoar pelas bobagens que fazemos nesse processo? Como não nos divertirmos com as bobagens que as crianças farão por toda a vida?

"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo." (Drummond)

Em meu processo eterno de aprender a ser mãe (dos meus filhos, claro, uma vez que aprendemos ao nos relacionarmos) tenho cultivado muito mais dúvidas do que certezas. De uma coisa é certa: crianças precisam ser amadas e valorizadas, de alguns limites amorosos e coerentes, de transgressões saudáveis que colocam a todos nós no movimento incontrolável da vida, de terem suas infâncias respeitadas na simplicidade do cotidiano.

Meus queridos, sei que vocês serão pais sensacionais!

"O Brasil não irá crescer enquanto os homens de terno agirem cada vez mais como crianças, e as crianças com uniformes querendo agir como adultos de terno cada vez mais cedo". (Drummond)

Sil e Carlão, desejo tudo de maravilhoso nessa nova caminhada! Contem conosco ao lado de vocês para acompanhar o crescimento de Tomás e compartilhar os choros e risos dessa vida, como sempre.

"DESEJOS

Desejos a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
crônica do Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música do Tom e letra do Chico
Frango caipira em pensão no interior
Ouvir uma palavra amável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como uma criança

Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal

Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção

Queijo com goiabada
Pôr-no-sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria

Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona

Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu."

(Drummond)

Pietro, Benício, Tarun, Elisa, Stella e Joaquim: sejam bem-vindos!!!

Outro dia na escola fui conversar com uma turma de alunos sobre minha experiência como blogueira, uma vez que eles vão se arriscar também nesse sentido. Foi bem interessante resgatar o nascimento deste blog...

Mateus tinha 3 meses, fui a uma consulta pediátrica, onde só chorei. Mateus nasceu lindo e saudável, o amei loucamente no primeiro instante, Luiz vinha sendo um pai super presente, nossos familiares nos apoiavam. Por outro lado, as mudanças foram profundas na alma, deixar de ser só filha para ser mãe, ouvir tanta crítica, sentir-me tão insegura, frágil, a licença maternidade que estava acabando, a volta ao trabalho que tanto amava, mas que naquele momento parecia não caber dentro de mim.

A verdade é que aquele amor ainda não cabia dentro de mim, tudo em mim estava sem lugar, em suspenso...

Tanto amor, tanta dor.
Tanta coragem, tanto medo.
Tanta força, tanta fragilidade.
Tanto aprendizado, tanta insegurança.
Tanta transformação, tanta resistência.
Tanto riso, tanto choro.
Tão eu, tão outra de mim.

Foi naquele momento que percebi como precisava de ajuda. Escrever sempre foi uma forma de expressão importante em minha trajetória, por isso naturalmente me vi escrevendo loucamente. E qual minha surpresa quando me dei conta dos efeitos que minhas palavras causavam nas pessoas, já que falava de minha experiência subjetiva com a maternidade, contudo, de alguma forma falando de sentimentos que todas mulheres sentem nesses momentos, ou ainda que não os mesmos, mas parecidos no sentido de precisarem de um tempo para se reencontrarem, diferentes e assim conseguirem se encontrar com os filhos, os companheiros, o trabalho, o mundo.

A maior delícia de todas, que é ter um filho ou uma filha (quando se deseja e tem apoio de toda comunidade), não poderia vir sem dificuldades que dizem respeito às transformações que passamos. Poucas certezas me cercam na vida, uma delas: um filho nunca é só da mãe, mas de toda uma comunidade. Quando uma mãe é omissa constantemente tem uma comunidade que também o é com ela e seu filho.

A rede de mães que se formou em torno de mim foi salvadora de minha saúde. Consegui me libertar sendo mãe ao invés de me aprisionar como acontecem com muitas mães sem apoio. Serei grata eternamente, e desde então sinto-me responsável ainda mais pelas mulheres do mundo. Ser mãe me reconectou a todas nossas antepassadas, a toda uma história de luta de cada mulher e de todas elas. Sou parte dessa história e construo história cotidianamente por nossa liberdade.

Toda essa rede me fortaleceu e nesse processo, comigo me conhecendo mais como mãe de Mateus e depois minhas meninas Carolina e Isabel e conhecendo cada um deles, esse blog inevitavelmente se transformou. Se antes precisava falar das gracinhas dos filhotes e de minhas crises iniciais, agora tenho sentido necessidade de compartilhar da beleza e desafios de ser mães nesses tempos contemporâneos.

Agora, na correria da vida e em privilegiar meus momentos com meus filhos e no trabalho acabo escrevendo pouco nesse espaço como se precisasse de inspirações ou indignações. Hoje, são as inspirações que me chamam até aqui: os muitos nascimentos de bebês fofos que preenchem minha vida de sentido de que esse mundo vale muito a pena e, claro, os muitos nascimentos de mamães, para mantermos viva nossa rede de afeto.


Pietro: seja bem-vindo!!!

Nasceu Pietro, filho de minha querida amiga Edna, e para ambos desejo tudo de maravilhoso! Edna é uma mulher guerreira que pariu ao mesmo tempo Pietro e sua tese de doutorado. Linda, sabida e divertida, morro de saudades de nossas discussões e aventuras. Que esse novo caminho possa, quem sabe, nos conectar ainda mais.

Benício e Tarun: sejam bem-vindos!!!
Os dois fofuchos são filhos do Rapha, irmão de minha grande amiga Leka. Desejo muita luz, sabedoria e alegria a todos vocês. As crianças sempre são um presente que devemos aproveitar!

Elisa: seja bem-vinda!!!

Nasceu Elisa, filha da Flor, do Gui e irmã do Miguelito, uma menina sortuda que nasceu numa família recheada de afeto!!! Toda a felicidade do mundo pra vocês!

Stella: seja bem-vinda!!!
Nasceu Stella, filha da querida Camila e seu marido. Pelas fotinhas que vi achei a pequena linda tal como a mãe. Desejo tudo de maravilhoso a essa família que desde a gestação vem se definindo como 'somos três', já num exercício de se preparar para a chegada de um ser que ilumina as relações.

Joaquim: seja bem-vindo!!!
Joaquim é filho da Juliana e de seu marido, e também é uma belezinha pelas fotos que eu vi. Ju é outra linda que certamente vai se aproveitar das belezas que vêm junto com as transformações da maternidade. Compartilho aqui o vídeo que a emocionou um pouquinho antes de virar mãe...










Uma viagem na viagem em Reggio Emilia

Sabe quando metade de você quer uma coisa e a outra não? Sabe quando depois a metade que queria fica receosa e a outra que não queria passa a querer isso mais do que tudo? Sabe quando está prestes a realizar um sonho antigo que dá medo justamente porque sabe que a partir de então as coisas vão mudar? No momento me sinto assim... Com minha humanidade aflorada em todos meus sentidos rumo a novas experiências! Nesta viagem, levo e deixo o melhor de mim.



A viagem começou... Conexão em Londres. Me animei em comprar uma lembrancinha bem singela, do tamanho de minha passagem por essa cidade. Dentre muitas opções esteriotipadas me encantei por uma caneta. Na hora de pagar me atrapalhei na máquina, e me sentindo uma tola fui pagar do modo tradicional. Foi quando me senti ainda mais tola ao me ver com um monte de libras que não usaria. Ao desfazer a confusão vi que acabei perdendo dinheiro (justo ele que nunca para na carteira). Mas ainda bem a vida não se baseia só na economia! Foi o que pensei quando me acalmei, porque "na cotação da vida eu ganhei". Afinal, eu queria uma lembrança desse momento e nunca esta vem pelo objeto por si só, mas pelas histórias que eles carregam. São as narrativas que construímos que dão sentido às nossas vidas. E para minha alegria, a caneta coube certinho no caderninho que ganhei da Andrea. É certo: ao final voltarei com o caderno cheio e a alma leve.
PS: esse acontecimento me lembrou do filme "o contador de histórias", recomendo!




E cheguei à Itália! Ainda não acredito que não se trata de um sonho... Confesso que na hora de pisar o chão pela primeira vez deu até vontade de beijá-lo tal como faz o papa - esse fofo que acolhe a todos, sendo ou não católicos. Ao invés disso, chorei de emoção e aos poucos percebi que meu frio na barriga passou, deixando minha barriga vazia. E talvez justamente por conta dessa ausência do medo logo senti uma fome... Uma fome imensa de mundo! Como boa taurina, em geral, funciono assim diante de mudanças para depois conseguir desfrutar delas. Quase um ritual de passagem: respeitando meu ritmo e contando com apoio procuro me esvaziar (um tanto) para fazer caber as novas experiências e ter fôlego de digerir os novos assombros gerados a cada novo encontro. Hoje, vivi um dia intenso nos museus (onde reencontrei obras que ajudaram a me formar) e parques (onde vi muitos italianos usufruindo de sua cidade com maior engajamento e outros passando necessidades - as coisas estão difíceis pra maioria dos países). No fim, participei de uma manifestação, pelo tanto que me senti envolvida, afinal somos todos a favor da ideia de família diversa tendo em comum o amor.




E ontem ainda teve tango! Pensa na cena: você está numa praça, já começando a pensar em ir embora porque está com frio e cansada e de repente uns senhores e umas senhoras, todos super em forma, começam a dançar tango com umas máscaras de lobo e isso vai chamando a atenção de todos que se juntam. Logo, velhos e jovens, homens e mulheres, arrumados e desencantados estão dançando com o maior deleite! Surtei. Só não dancei junto porque era tango... Rs Depois de um tempo ainda contaram que a máscara é uma forma de protesto a uma lei que está para ser aprovada e que pode colocar os lobos em risco de extinção. Sensacional! Dormi nos céus! E como dormi!!!! Perdi o café da manhã até... Rs e também me perdi do mundo, pois passei o dia desconectada... Computador não cabia na tomada, arrebentei fio do celular, no trem sem Wi-Fi livre e no hotel em Reggio (sim, cheguei!!!) a internet com problemas. Achei fofo algumas pessoas me cobrando mais histórias...Rs. Acho que foi um sinal para eu me desligar e me concentrar no que estou vivendo, em como essa experiência é única e não vale a pena perder nada! Amanhã começa o curso em Reggio e conforme for possível dou notícias, certamente outras muito sensacionais!




Um brinde de Spritz ao afastamento de Cunha! Que caiam outros! Tim tim.




É hoje a estreia do maravilhoso filme "o começo da vida", que por meio de imagens e histórias emocionantes aflora nossa humanidade. Luiz e minhas meninas participaram desse projeto. Foi uma participação pontual, uma tarde no parque que resultou em três tomadas rápidas, mas suficiente para nos deixar orgulhosos por ser parte de um filme que valoriza a infância. Neste momento, tão longe de meus filhotes e meus alunos e alunas a saudade fica ainda maior. Um oceano nos separa. Por outro lado, estar numa cidade que valoriza a infância me faz sentir totalmente mergulhada... Na infância, no humano, no belo, no ético, na vida, na poesia, na história... Sobre Reggio Emília e o porquê de eu ter sonhado tanto estar aqui: Fim de guerra. Pessoas precisando se recompor, almas precisando ser curadas, cidade precisando ser reconstruída. Nesse processo, escolhas precisam ser feitas e estas sempre revelam... Neste caso, o que há de melhor nos seres humanos envolvidos. Pensa... Numa assembleia da população sobre como usar o dinheiro arrecado com a venda de um tanque de guerra, homens queriam a construção de um cinema e vou mulheres, de escolas. Quem ganhou??? Naquele momento, as escolas. Mas hoje vemos que todos ganharam! É mesmo muito inspirador ver o tanto que essa população construiu a partir da opção pela infância e tudo mais que vem junto... Esperançosa que sou, acredito que podemos aprender com experiências como as do filme e as de Reggio, e assim navegar juntos por novos mares!
PS: fiz esse barquinho amarelo no REMIDA...





A placa diz tudo: uma escola da infância em Reggio Emília em homenagem a Paulo Freire! E o meu sorriso diz um pouco de minha infinita emoção! Num lugar que respira e inspira uma vida poética bom saber que também aprendeu um pouquinho com a gente! "Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário." Assim, num clima de "Reggio Freire" volto animada para continuar nossas construções de escolas transformadoras - tal como os nossos jovens estão fazendo!




Contar sobre o que entendo por educação, representando uma equipe toda já é em si uma experiência inesquecível! Mas como tudo na minha vida, uma história emenda na outra... Pois antes de minha apresentação o pen drive não funcionou e quando eu já ia desistir minhas colegas não deixaram e me animaram a ir até o hotel buscar meu computador... Nisso, a pedagogista italiana (fofa!) me ofereceu sua bicicleta... E lá vai eu, em meu último dia de Reggio Emília pedalar pela cidade... Foi sensacional! Por esse apoio de todos, por vencer uma dificuldade e principalmente por pedalar pela cidade. No caminho, vi e senti coisas que ainda não tinha experimentado andando à pé, e isso ajudou a me tranquilizar e a me despedir desse lugar que deixa marcas tão fortes em mim.


sábado, 2 de abril de 2016

1° de abril: dolorosa perda

"Hoje é aniversário do meu pai?"
"É mesmo? Parabéns pra ele!"
"1° de abril!!!!", seguido de risadas

Na hora da saída, o pai vem buscar sua filha e a distraída aqui:

"Hoje é seu aniversário, né?"
"Não!"
"Ah, agora lembrei... Ela me pegou duas vezes!"


Mais um ano em que essas brincadeiras gostosas com as crianças salvaram o meu 1° de abril. Há 2 anos, ele marcava os 50 anos de golpe militar e há 1 ano o Congresso sinalizava aceitação da redução da maioridade penal, questões sérias e complexas que abordei nas postagens "1° de abril: Ditadura" e "1° de abril: Redução da maioridade penal".

Dessa vez, a dor é outra. Num dia que começou cinza, nos despedimos de uma menina de 8 anos, uma aluna de nossa escola, mas que poderia ser uma criança de qualquer lugar que ainda assim nos suscitaria emoções dilacerantes por ser um acontecimento que não entendemos como natural.

Ela estava gripada e a verdadeira causa de sua morte ainda está sendo investigada. De todo modo, não estava com H1N1 conforme o teste feito anteriormente havia revelado, o qual o pai, numa postura ética, fez questão de compartilhar para tranquilizar a comunidade. Faz tão bem saber que existe gente que mesmo em situações extremas pensa na comunidade.

Como educadora, como mãe e como cidadã, esse medo também chega a mim. Inevitável. Mas tenho o compromisso (acima de tudo comigo mesma, pela escolha que fiz de como encarar minha vida) de fazer um exercício de respirar e contar com o apoio de pessoas bacanas ao meu redor para conseguir seguir em frente. Tem um texto muito interessante a esse respeito, escrito por um médico que obviamente trata com seriedade das doenças, mas nos alerta para essa doença contemporânea: o medo, em todos os sentidos, e que para o medo não há vacinas, mas prática diária (http://bloguedocaca.blogspot.com.br/2016/03/para-o-medo-nao-ha-vacina.html).

Na busca de ampliar nossas consciências sobre como enfrentamos nossos medos, podendo aproveitar das situações apavorantes para crescermos fui lidando junto de meus colegas e das crianças com essa perda, de diferentes jeitos, certamente algumas vezes mais assertivamente do que outras. Recebemos suas questões, respeitamos seus tempos, demos um tempo, respondemos, pensamos juntos, fizemos acordos sobre os cuidados necessários, compartilhamos nossas ideias sobre vida e morte, reforçamos nossos laços afetivos e solidários entre nós e para com essa família. Como uma criança disse: "isso que aconteceu é muito raro, né? Então eu fico mais tranquilo que isso não vai acontecer comigo nem com ninguém mais, mas fico triste porque aconteceu com essa menina". Num mundo cada vez mais polarizado essa criança teve a chance de viver a complexidade dos sentimentos tendo empatia para com o outro, como precisamos disso! Já os alunos e alunas mais velhos, na segunda-feira irão vestidos de branco para um minuto de silêncio.

Não tinha contato diretamente com essa criança, mas foi inevitável não entrar em contato com essa perda em nossa comunidade e com a dor dessa família. Meus sentimentos aos pais e à pequena irmã.

Uma perda que nos deixou sensibilizados, com sentimentos confusos e acima de tudo com a responsabilidade de como escola, enfrentar essas questões, para por meio do diálogo nos curarmos e vermos esperança na vida que segue. Como bem percebeu uma colega, nós, adultos, em geral falamos no passado das pessoas que se foram "ela era, ela gostava", já muitas crianças não. Uma amiga dela, por exemplo, fez uma carta para ela com as cores que ela GOSTA. Assim, no presente, que é do jeito que ela sempre será lembrada, como alguém que esteve e continuará estando presente.

No próximo ano, fico na torcida para que o 1° de abril não seja novamente marcado por algum acontecimento doloroso, contudo, se assim o for, uma vez que faz parte dessa vidinha complexa, já entendi que nesta ou em outras datas, fazendo meu exercício diário para enfrentar as situações apavorantes conseguirei sempre lidar os mesmos e ainda desfrutar da boa companhia, humor e sabedoria das crianças, estas que nos mostrando constantemente que a vida segue e vale a pena.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Artur Moreira: seja bem vindo!!!

Nasceu Artur!!! Filho de Jessica e Natan e neto de minha querida Madalena que com suas palavras sábias e gentis contou uma bonita história de amor para inspirar e abençoar meu casamento e de Luiz.

Desejo tudo de maravilhoso a esse menino sortudo que certamente crescerá rodeado de belas histórias de amor.

"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles."
Rubem Alves

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Pelas ruas de São Paulo

(texto escrito em 14 de fevereiro)

Hoje foi desses dias alegres de abrir facebook: um monte de imagem de gente na rua, pulando carnaval, tomando um sol, uma cerveja, um picolé, andando a pé, de bicicleta, de skate, comemorando ano chinês e outras coisas mais, encontrando outras gentes, iguais e diferentes, se respeitando, se divertindo. E nós também fomos!



É com imensa alegria que tenho visto crescer o movimento de ocupação dos espaços públicos em São Paulo. A cada domingo mais e mais ruas são fechadas para o lazer, e mais e mais eventos de todos os tipos acontecem a preços acessíveis. São todas ações importantes para a construção de uma cidade mais democrática onde cabe cada um e cabe todos. Nesse processo é natural que problemas inerentes às relações passem a emergir com mais força exigindo melhoras na organização deste esquema todo por parte da prefeitura como do que cabe a cada cidadão.

Educadora que sou acredito que se todos nós nos comprometermos com essa construção poderemos encontrar soluções consistentes, criativas e diversas. Não existe A solução para todos, mas as soluções a depender de cada um, e não numa visão individualista, do privilégio e sim da singularidade do contexto. É uma trama complexa, que por vezes nos desanima diante de tanta coisa a ser revista e com poucas referências democráticas que temos em nossas vivências, contudo, ela é necessária de ser enfrentada para que possamos experimentar um mundo mais humano e amoroso.

Para além da maior possibilidade de mais encontros me agrada muito a ideia de pensarmos diferente a cidade. Quem disse que ruas são só para carros? Quem disse que não podemos reinventar modos de viver e conviver? Quem disse que as ruas são só passagens, sem identidades, sem história, sem sonhos?

As novas escolhas que compõem os novos arranjos explicitam nossas posições políticas - que não se restringem a partidos, minha gente. Mas a uma postura ética, a um jeito de olhar a cidade, o outro, o mundo, a vida. Isso é revolucionário no melhor sentido do termo, porque quebra paradigmas e amplia nossos pontos de vista, nos força a habitar outros e a ampliar nossos horizontes.

Quando comemorei com Mateus "estamos dançando carnaval na rua!" percebi que ele não acessou a dimensão desse significado para mim, pois para esse meu menino de 5 anos, a rua pode mesmo ser usada por todos para tal fim - como ele me respondeu: "e cadê meus amigos?". Isso me anima, me faz perceber como a nova geração vai poder desfrutar de experiências com mais qualidade de humanidade e vão construir os próprios significados. Depois ele ainda me disse: "Podia ter aqui um lugar para sentar, queria ver sentado o carnaval". Ou seja, as próprias crianças estão sendo mais estimuladas a recriar o espaço onde vivem.

Segue link muito interessante a esse respeito: http://outracidade.com.br/criancas-criam-propostas-para-fazer-da-cidade-um-lugar-melhor/

E assim, a avenida Paulista que já testemunhou meu primeiro beijo em Luiz agora também presenciou cenas de puro deleite de meus filhos numa tarde de domingo ensolarada. Muito bom poder constituir história pessoal junto a lugares públicos em constantes transformações para todos.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Caetano Goulart: seja bem vindo!!!

Mais um pingo de gente nasceu: o Caetano, filho da minha prima Corina e seu marido Diego. Parabéns, desejo muita luz a vocês! Nossa família está em festa, e tenho certeza de que a vida de Caetano continuará assim... Bebê amado que ainda vai se divertir muito pelas festas desse mundão.

Cori, beijo especial pra você. Vida de mãe não é festa o tempo todo, mas doidas que somos ainda assim não abrimos mão de aproveitar e comemorar do melhor jeito possível junto de nossas crias. E a maravilha é que você já descobriu isso, como escreveu recentemente...

"Posso ter largado meus tempos áureos de carnaval, mas fevereiro ainda vai ser o mês mais festivo pra mim."

Beijo grande com muito, muito carinho...

Caetano, seja bem vindo, agora pela própria voz de seu homônimo.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Theo: seja bem vindo!!!

Tem sido um privilégio enorme dar boas vindas para bebês queridos neste blog, especialmente àqueles que chegam no finalzinho do ano e nos enchem de esperança de que tempos melhores virão. Afinal, quer milagre maior do que o nascimento de um bebê fofo e desejado???

Por isso, dessa vez, é com muita animação que dou a notícia por aqui de que Theo chegou!!! Que sua vida seja repleta de amor e alegria junto aos seus pais Adriana e Tiago e seu irmão Tiaguinho. Do mesmo modo desejo que a humanidade possa se inundar de afetos genuínos como o que construímos com seres tão pequeninos para superarmos nossos desafios e vivermos uma vida mais solidária e bela.

Feliz 2016 a todos e todas! 
Seja feliz Theo!


RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Chico Buarque: vai passar...

Vocês viram o vídeo que está rolando de uns caras abordando de maneira ofensiva Chico Buarque quando ele saía de um restaurante? Eu achei pavoroso. E você?

No vídeo as ofensas eram destinadas ao PT. E para você, isso interfere em sua opinião?  

Se sim, você quer dizer que um cidadão não pode mais jantar com seus amigos e sair andando tranquilamente pela rua simplesmente porque a opinião dele é diferente da sua, e que por isso ele vira um "merda" para você que se acha dono da verdade?

Se sim, preciso te dizer que você está muito equivocado - e aqui assumindo o risco de virar um merda pra você também. E está equivocado não em concordar com o que aqueles caras falaram sobre o PT. Isso você tem o direito. Todos temos. Assim como temos o dever de respeitar o diferente, de nos expressarmos mas de maneira respeitosa ainda mais quando o "grave" que essa pessoa fez foi colocar sua opinião.

Quando alguém se acha no direito de abordar de maneira agressiva alguém na rua simplesmente porque pensa diferente está minando a democracia. Em tempos que pessoas defendem a volta da ditadura - sem terem a dimensão do quanto de problemas e de corrupção, os quais temos até hoje desde essa época isso sem falar na violência toda que envolve esse tipo de governo - banalizar situações como essa é ainda mais perigoso.  Agora, se você achou aquela uma discussão normal então você precisa ampliar seu repertório, estar entre gente mais cuidadosa, porque aquilo em nada teve de embate de ideias respeitoso e saudável.

O fato de ser o Chico torna apenas a questão mais emblemática, porque se até ele - acho que dispensa falar de seu currículo, de sua postura ética na vida e de sua luta para que possamos nos expressar -  vem sofrendo esse tipo de agressão imagina uma outra pessoa? O que estamos fazendo quando banalizamos situações como essa de "tudo bem", "se não está devendo nada não tem o que esconder" ou "se ele lutou tanto pela liberdade de expressão agora aguenta"? Liberdade de expressão não tem a ver com soltar merda por aí mas de podemos nos colocar e sermos respeitados por isso desde que nossas colocações sejam pautadas na ética do coletivo e da integridade humana. E não foi o que ocorreu naquela cena.

Quando a mídia vende essa cena como "Chico bateu boca defendendo o PT" ela também revela o quanto está fomentando um cenário de polarização em que temos que nos armar uns contra os outros que pensam diferente. Chico foi abordado e tentou colocar seu ponto de vista, mas não conseguiu, foi logo insultado. Se nem no cenário do futebol uma cena dessas é aceitável quanto mais na política que não deveria funcionar assim. É verdade que muitos petistas também já abordaram gente do mesmo modo. E aqui reforço, também estão equivocados ao não preservarem o direito do outro se colocar.

Agora, se você respondeu SIM e ainda está me lendo, é porque isso faz algum sentido, não? Então continue a leitura que tem mais gente querendo falar a respeito. E vale a pena! Um outro mundo é possível desde que nos respeitemos e possamos juntos, cada um do seu lugar, contribuir para a construção de uma outra nação mais solidária. Eu também quero.


Outros relatos: Pablo Villaça

Em um momento de lazer, Chico Buarque de Hollanda foi cercado no meio da rua por um grupo de jovens ligados ao PSDB e insultado por "defender o PT". Aparentemente, estes projetos de fascistas não compreendem que TODOS temos o direito de expressar nossas opiniões políticas, agradem estas ou não. Chico, que nem político é, foi agredido por se manifestar como cidadão - algo que os veículos da mídia manchetearam como (acreditem) "Chico bate boca defendendo o PT no meio da rua: cantor retrucou grupo que atacou o partido".
Não, jornalixo brasileiro, o grupo não "atacou o partido"; atacou CHICO num momento de lazer e no meio da rua. E ele não "bateu boca pelo PT"; foi cercado e insultado por estranhos e defendeu sua posição ideológica.
O cara é um patrimônio cultural do país, um senhor de mais de 70 anos de idade, é cercado e insultado por um bando de moleques fascistas e a mídia trata isto não só com normalidade, mas ainda tentando atribuir a ELE a falta de civilidade da situação à qual foi submetido.
Os veículos de comunicação brasileiros estão esperando alguém morrer graças ao clima de ódio que ajudam a criar. Aí, então, começarão a publicar matérias sobre "tolerância" pra se isentarem de culpa. (Não à toa, um colunista demitido de Veja publicou foto malhando e dizendo que se preparava para a "única forma de dialogar com petista", num estímulo irresponsável à violência e à agressão como forma de "debate".)
A verdade é que esses caras têm alma fascista. Não suportam mais a distância do poder e usam "corrupção" como um chavão que disfarça seu propósito real: o não à inclusão social. Se a questão fosse mesmo "corrupção", não abraçariam Cunha como aliado. Protestariam também contra a privataria tucana, o aecioporto e a roubalheira no metrô de São Paulo.
Mas não, o panelaço é seletivo: Alckmin pode fechar 100 escolas; Haddad não pode abrir a Paulista. São milhões de Cunha; já Chico é um "merda".
Aplaudem Macri na Argentina, que indica ministro de Supremo por decreto, mas atacam o STF brasileiro por defender a Constituição numa interpretação que ganhou apoio de praticamente todos os juristas de relevo ao barrar os abusos do presidente da Câmara.
Acham absurdo o bolsa-família que ajuda o povo mais pobre a COMER, mas aplaudem que os ricos paguem impostos ridículos, significativamente menores do que o restante da população.
Querem uma desregulamentação completa do mercado e depois vêm colocar avatarzinho triste por Mariana.
Dizem que vivemos numa "ditadura petista" enquanto cercam um músico de 71 anos na rua para insultá-lo por se expressar como cidadão.
Saem pedindo impeachment no aniversário do AI-5 e se espantam quando são chamados de golpistas.
Acusam a esquerda de "burrice", mas usam "pão com mortadela" e "chola mais" como argumento.
Abraçam a bandeira brasileira e colocam "PATRIOTA!!!" na bio, mas são os primeiros a diminuir o país num viralatismo constante diante do mundo, além de adorarem falar mal do Cinema brasileiro - que conhecem só de ouvir falar.
Amam quando um comediante chama negro de "macaco", gays de "vitimistas" e mulheres de "vadias", mas dizem que os homens brancos cis heterossexuais sofrem preconceito.
Dizem que a esquerda prega "luta de classes", mas chamam esquerdistas de "pão com mortadela" e "esquerda caviar".
Adoram se dizer éticos, mas acham natural que o líder do MBL peça doações em sua conta pessoal.
Acham certo a PM espancar manifestantes (mesmo adolescentes), que chamam de "vagabundos", mas só conhecem a PM que tira selfie na Paulista.
Por isso tenho orgulho de ser de esquerda. De fazer críticas ao governo que se afastou dos movimentos sociais, mas de defendê-lo contra o golpe - pois, mesmo com todas as suas graves falhas, AINDA enxergo nele uma preocupação com os excluídos sociais que JAMAIS serão abraçados por esta oposição.
Uma oposição que prega que quem manda é o "deus mercado". Não, me desculpem, mas prefiro bem mais quem enxerga no desenvolvimentismo a opção mais humana.
Para encerrar - e com a maquiagem borrada pelas lágrimas - digo: "LEAVE CHICO ALONE!". Emoticon wink
E viva o debate saudável.


Outros relatos: Irajá Menezes

ESTORVO NAS RAÍZES DO BRASIL
Ontem à noite, pros lados do Leblon, Chico Buarque avistou-se com o brasileiro cordial.
Chico manteve a calma, não perdeu a elegância. Na verdade, não houve surpresa. É que Chico conhece como ninguém o brasileiro cordial.
Não apenas porque foi seu pai quem explicou que bicho é esse. Isso, por certo, ajudou.
O fato é que o poeta de olhos cor de ardósia não é de contar vantagem, mas todo mundo sabe que percebe de longe a cordialidade. Afinal foi ele quem descreveu com mais detalhes o brasileiro cordial.
O brasileiro cordial é aquele que fotografa com a câmera cujo foco toda lírica solapa.
Aquele que amassou as rosas, queimou as fotos e beijou Lily Brown no altar.
O brasileiro cordial é a voz do dono. É o dono do bosque onde todo balão caía, toda maçã nascia (e o dono do bosque nem via). Aquele que deve a Deus seu éden tropical, mas pode vender. Quanto você dá?
Foi o brasileiro cordial que inventou de inventar toda a escuridão. Que inventou o pecado.
Foi ele que obrigou Angélica arrumar o quarto do filho que já morreu.
E esqueceu-se de inventar o perdão.
O brasileiro cordial é um dos pagantes, bêbados e febris, exigindo bis quando Beatriz despenca do céu. É um dos homens tristes, à frente de uma mulher feliz, enrustido, com cara de marido. O bruto da brasa na coxa de Ana de Amsterdam. O japonês trás de mim. É ele quem bate, cospe, joga bosta na Geni.
Ele é o noivo correto, o empregado discreto, o macho irrequieto, o funcionário completo, fala de cianureto, tem um caso secreto, um velho projeto, às vezes cede um afeto, quase que fez fortuna. Até que a morte os una, os brasileiros cordiais armaram tocaia lá na curva do rio. Puseram no tronco, talharam o corpo, furaram os olhos do escravo que no engenho enfeitiçou Sinhá.
Para ele vivem as mulheres de Atenas. É ele que faz mil perguntas que em vidas que andam juntas ninguém faz. Que conta as horas nas demoras por aí.
Tatuagem no braço e dourado no dente, assim como veio partiu não se sabe pra onde. É o aborígene do lodo, o homem que vem aí. O malandro regular, profissional, com aparato de malandro oficial, candidato a malandro federal, com retrato na coluna social, com contrato, com gravata e capital.
O brasileiro cordial.
O brasileiro cordial reclama se alguém agoniza no meio do passeio público, porque atrapalha o tráfego. Serve a bebida amarga do cálice de vinho tinto de sangue.
É a ele que agradecemos: "Deus lhe pague" por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir, a certidão pra nascer e a concessão pra sorrir, por me deixar respirar, por me deixar existir. Deus lhe pague, brasileiro cordial.
Obriga o jumento a levar o pão, a farinha, feijão, carne seca, limão, mexerica, mamão, melancia, areia, cimento, tijolo, a pedreira até quando a carcaça ameaça rachar.
É o da pesada, responsável pela omissão um tanto forçada. Largou o guri no mato, rindo, lindo de papo pro ar. Estampou na manchete, retrato com venda nos olhos, legenda e as iniciais.
Fez alvoroço demais, o brasileiro cordial.
Fez o faz-de-conta terminar numa noite que não tem mais fim.
Subtraiu a pátria em tenebrosas transações.
Acendeu a fogueira que queimou o samba, a viola, a roseira. O brasileiro cordial é a roda-viva que carrega o destino pra lá.
O brasileiro cordial não gosta do Chico. Mas a filha gosta.
Mesmo que não se alimente o seu gênio ruim, encontra motivo pra injuriar.
É um eterno devedor. Deve favores ao compadrio. Deve honras ao padrinho. Por isso sai na rua, sedento para saldar as dívidas.
Chico escreveu um livro sobre ele. E mostrou que o brasileiro cordial está no asilo, nos últimos dias de vida. Sua memória já se embaralhou. Perdeu a conta.
O brasileiro cordial chora o leite derramado. Tem medo que aquele trem de candango, formando um bando de orangotango, não seja apenas parte de um sonho medonho e queira mesmo lhe pegar.
Será que é por isso que ataca?
Se há alguém que sabe quem é o brasileiro cordial, esse alguém é Chico Buarque de Holanda.
Os playboys fascistas que o aborreceram, ao contrário, não fazem a menor ideia de quem seja Chico Buarque de Holanda. Se soubessem não pagariam mico em rede nacional.
O brasileiro cordial cansa. É tanta mutreta pra levar a situação, que a gente vai levando de teimoso e de pirraça.
Mas... vai passar.