segunda-feira, 21 de julho de 2014

Quando eu era menina... Homenagem a Rubem Alves

Quando eu era menina a roça era um lugar mágico em minha vida, onde as coisas, as pessoas se transformavam, renasciam, se encontravam.

Em minhas memórias, por exemplo, minha mãe sempre tão preocupada com limpeza e organização, na roça se transformava e ficava mais "cuca fresca". Lindo vê-la assim tão focada nas relações afetivas, nas experiências significativas e no respeito ao processo do outro. Já meu pai, assim que colocava sua calça e chapéu "velhos de guerra" se encontrava com suas raízes mineiras e era só sorriso de orelha a orelha. Lindo vê-lo assim tão mergulhado nessa interação com a terra, com cada cheiro, sabor de fruta, cada gesto de vida.

Nesse espaço, a pé, de bicicleta ou à cavalo eu, meus irmãos, meus primos e amigos ganhávamos o mundo. Saíamos cedinho, voltávamos intuitivamente para a hora do almoço e novamente estávamos ao ar livre. Mesmo à noite era comum brincarmos de pegar vaga-lumes, sapos e morcegos ou nos envolvermos num divertido polícia e ladrão. Infância livre, respeitada, potencializada, extraordinária.

Histórias e mais histórias guardo dessa época ainda que me lembre pouco de situações específicas. Lembro-me sim, e com intensidade, do sentimento e do clima vivido nessa época. Uma lembrança como se fosse uma fotografia em movimento. Vejo a mim e outras crianças interagindo, brincando, se afetando, se tocando numa fluidez de relações harmoniosas, independentes, saudosas. Carrego esse sentimento até hoje, porque realmente foi algo constituinte de mim. Está impregnado em minhas memórias, em minhas construções, preferências e escolhas.

Algumas memórias mais organizadas para serem compartilhadas são de como gostávamos de brincar no meio de um bambuzal à beira da estrada em Jambeiro. Lá, cortávamos bambus, organizávamos os cantos da casa e construíamos lugares para nos sentarmos, cozinharmos e assim fomos aprendendo a planejar as narrativas e muitas vezes a própria preparação do cenário já era nossa brincadeira preferida. Outras vezes ensaiávamos um teatro e que vez ou outra era apresentado aos pais e fomos aprendendo a dar importância para nossos próprios feitos. Outras, subíamos o morro do Cruzeiro, uma baita subida que muitas vezes desistíamos no meio e andávamos por toda a cidade de bicicleta. Numa dessas vezes, descemos a rua a toda velocidade e na hora da curva eu caí e ralei a perna - guardo a cicatriz com carinho até hoje. Na hora, saiu muito sangue e minha prima foi até sua casa trazer algo para eu me limpar. Trouxe uma toalha que ficou com tanto sangue que achamos melhor jogar no lixo para nossas mães não verem e levarmos bronca. Claro que levamos mesmo assim...

Para irmos à roça em grupo tínhamos que ter atenção, pois tinham os "andantes" no caminho, diziam. Uma vez sã e salvos na roça, explorávamos todos os cantos, desde a cascata testando vários jeitos de descer por suas águas, principalmente depois que chovia e a vazão de água aumentava - até a subida à serra, por onde víamos toda a extensão de terras da região além de ter dois lagos à nossa disposição. Em geral, usávamos o que meu avô não estava pescando, já que ele detestava barulho. Uma vez até jogou uma bota em mim, porque deixei escapar uma risada, claro, que não adiantou nada e só dei mais risada, e logo precisei sair correndo com medo de sua reação. Também era comum andarmos pelas fazendas vizinhas, quando parávamos na água santa, uma pequena queda d'água, um ponto de referência, e assim fomos aprendendo o valor dos símbolos passados de geração a geração e dos milagres da natureza que temos que nos conectar e preservar.

Uma vez andando a cavalo, prendi meu pé na barriga do cavalo, um erro, e logo ele começou a saltar incomodado. Caí no chão levando meu irmão Gabriel junto e sempre carreguei essa culpa por tê-lo feito cair também. A culpa só não foi maior porque nessa queda fui eu quem me machuquei mais ganhando um braço quebrado. No parquinho arriscávamos voos altos nos balanços e giros rápidos no gira-gira. A gente comia tudo que era fruta do pé, verde ou madura, carambola era minha preferida. Acho que mais pela raridade de encontrá-la do que pelo sabor.  Quando chovia brincávamos de escritório e escolinha, porque para a gente não tinha tempo ruim, a gente brincava sempre. Brincávamos com todos os bichos: cachorros, vacas, uma vez uma até se apaixonou por mim me seguindo por tudo que é canto, até entrou na casa, meu tio acabou até me dando-a de presente. Não lembro seu nome, mas lembro de outras, a Canela e a égua Tieta. Cada ano escolhemos o nome das vacas na ordem alfabética para sabermos de que ano é cada uma. Recentemente, por exemplo, precisava escolher com a letra R e a nomeei uma bezerra de "Revolução do povo". Lembro uma vez que mataram um porco, cena horrível, o animal não parava de gritar nunca, fiquei um tempão sem comer carne. Já Gabriel se divertiu, tem uma foto dele em cima do porco cortado ao meio.

Fotografias ajudam nesse resgate... Tem um monte de coisa que eu tenho precisamente gravado na memória porque vi a imagem por muitas vezes posteriormente. Muitas dessas imagens revelam essa infância carregada de liberdade, respeito, potência e alegria. Documentações importantes que me ajudam a reconstruir minha história e comunicam os valores e escolhas desse tempo.


Na verdade este texto nasceu após saber, ontem, do falecimento de um grande mestre para mim, Rubem Alves. Suas sábias palavras, principalmente nos livros "Quando eu era menino" e "A alegria de ensinar" me ajudaram a redescobrir minha meninice em meio à natureza e pessoas queridas para me encontrar comigo mesma, nos vários tempos que se seguiram, para fazer minhas escolhas, como ser pedagoga, lutar por uma infância respeitosa e livre a todos, ser mãe e criar meus filhos de maneira coerente com minha história.

É com imensurável alegria que vejo meus filhos brincarem  na roça, mantendo ativo um ciclo de vida de minha família e de nossa humanidade, dando sentido às nossas pequenas histórias que tanto nos engrandecem e nos fazem aproveitar a vida em sua essência, e com muita tristeza me despeço desse grande homem, que nesse plano, encerra seu ciclo, mas só em parte, uma vez que sua obra é tão viva e certamente continuará perdurando e ecoando por muitas gerações de pessoas comprometidas com a vida no seu sentido maior. Que você siga em paz, meu querido, com a sua alegria de sempre. Amo.


Seguem imagens de nossa última viagem à roça em conexão a alguns pensamentos de Rubem Alves...



"As crianças não têm ideias religiosas, mas têm experiências místicas. Experiências místicas não é ver seres de outro mundo. É ver este mundo iluminado pela beleza."
"Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado."





"Não tenho problemas com Deus. Mas tenho muitos problemas com aquilo que os homens pensam sobre Deus."
"Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança. Está sempre à procura de companheiros para brincar."



"Aprenda a gostar, mas gostar mesmo, das coisas que deve fazer e das pessoas que o cercam. Em pouco tempo descobrirá que a vida é muito boa e que você é uma pessoa querida por todos."



"Somos as coisas que moram dentro de nós. Por isso, há pessoas tão bonitas, não pela cara, mas pela exuberância de seu mundo interior."



"Não havíamos marcado hora, não havíamos marcado lugar. E, na infinita possibilidade de lugares, na infinita possibilidade de tempos, nossos tempos e nossos lugares coincidiram. E deu-se o encontro."





"Aquilo que o coração ama fica eterno."






"Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar".



"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."


  

"Quem sabe que o tempo está fugindo, descobre, subitamente, a beleza única do momento que nunca mais será..."



"A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente."

  

 "O tempo pode ser medido com a batidas de um relógio ou pode ser medido com as batidas do coração."



"Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial."



"Lutam melhor aqueles que têm sonhos belos. Somente aqueles que contemplam a beleza são capazes de endurecer sem nunca perder a ternura. Guerreiros ternos. Guerreiros que leem poesias. Guerreiros que brincam como criança."


 

"Todo conhecimento começa com o sonho.
O sonho nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina, brota das profundezas do corpo, como a alegria brota das profundezas da terra. Como mestre só posso então lhe dizer uma coisa. Contem-me os seus sonhos para que sonhemos juntos."




"Pois ser mestre é isso: ensinar a felicidade."
"Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido."




"Suspeito que nossas escolas ensinem com muita precisão a ciência de comprar as passagens e arrumar as malas. Mas tenho sérias dúvidas de que elas ensinem os alunos a arte de ver enquanto viajam."




"E bem pode ser que as pessoas descubram no fascínio do conhecimento uma boa razão para viver, se elas forem sábias o bastante para isto, e puderem suportar a convivência com o erro, o não saber e, sobretudo, se não morrer nelas o permanente encanto com o mistério do universo."




"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas."
"Quem tenta ajudar uma borboleta sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto sair da semente o destrói.
Há certas coisas que não podem ser ajudadas. Tem que acontecer de dentro para fora."
"Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam serem especialistas em amor: Intérpretes de sonhos."





"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro..."

"Ao final de nossas longas andanças, chegamos finalmente ao lugar. E o vemos então pela primeira vez. Para isso caminhamos a vida inteira: para chegar ao lugar de onde partimos. E, quando chegamos, é surpresa. É como se nunca o tivéssemos visto. Agora, ao final de nossas andanças, nossos olhos são outros, olhos de velhice, de saudade."



 "A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar".



  



Fica a dica para quem ama e sentirá saudades de Rubem Alves. O documentário "Eu, maior": http://www.eumaior.com.br/  . Além de seus tantos livros inspiradores...


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Totalmente à deriva!!!

Com o tempo fui aprendendo a exercer a tolerância diante de  posicionamentos distintos dos meus, ainda que, cá entre nós, esse seja ainda uma meta constante. No decorrer, ficou claro que para mim, irritante mesmo é quem tem um discurso politicamente correto e na prática não o exerce. A maioria das pessoas de meu convívio, ao contrário, levam uma vida de bem, praticam a solidariedade, e são grandes modelos para mim. No entanto, muitas delas, diante de situações conflitivas, em geral, incentivadas pela grande mídia sem escrúpulos, assumem uma postura conservadora, temerosa, elitista e preconceituosa com o povão, às vezes até mesmo tendo sua origem daí. Em geral, tenho conseguido tolerar certos comentários, levando em consideração meus laços afetivos, a compreensão de que as visões de cada um são mesmo distintas e que as experiências que tive em minha trajetória são mesmo privilegiadas para fazer certas ponderações e principalmente que vivemos. Ainda assim, nesses momentos me sinto totalmente à deriva ao ouvir suas opiniões retrógadas como também ao ouvir o pessoal do outro lado extremo responder com comentários arrogantes, cegos e também preconceituosos. Vergonha alheia, não compartilho com isso. No entanto, em alguns momentos me embrulha o estômago ver tanto ódio, ouvir tantas análises errôneas, simplistas e preconceituosas, e então me manifesto.Este texto nasceu de meu exercício constante em relacionar-me com meus semelhantes. Experiência que me engrandece e por isso não a realizo apenas no plano individual como no profissional também, sempre com a seguinte questão em mente: lidar, aprender e crescer com gente para virar cada vez mais gente.


“(...) nascemos para a humanidade. Nossa humanidade biológica necessita uma confirmação posterior, algo como um segundo nascimento no qual, por meio do nosso próprio esforço e da relação com outros humanos, se confirme definitivamente o primeiro. É preciso nascer para humano, mas só chegamos a sê-lo plenamente quando outros nos contagiam com sua humanidade deliberadamente e com nossa cumplicidade."

Fernando Savater – O valor de Educar


Relacionar-se, contudo, nem sempre é fácil, por vezes fico triste, brava ou indignada. Mas ainda bem, logo em seguida acontece alguma coisa ao meu redor que novamente anima minha alma, e me faz ver as coisas belas do mundo, ainda mais que sou educadora e mãe apaixonada, e as crianças, em sua cultura, trazem a essência da vida, e nos trazem a esperança de novos tempos. Tem gente que chama esse meu movimento de alienação, outros de otimismo, e outros ainda de vocação para ser feliz - eu acho mesmo que é uma escolha. Uma forma de ver o mundo.
 
 
  de Armandinho.

  

Depois do jogo Brasil e Alemanha, em que perdemos de 7 a 1, deixando de participar da final da Copa do Mundo, uma tia, queridíssima, mandou no facebook a seguinte mensagem: "O PT se F....". Quando me manifestei dizendo que aquele comentário não tinha lógica e não era construtivo naquele momento outras pessoas, também queridíssimas, também colocaram seu ódio a esse partido dizendo que quem acredita nele fica à deriva. Fiquei com essa última expressão na cabeça, quando me dei conta de que apesar de não ser esta a razão por ter me manifestado (estar a favor do PT), sou mesmo uma pessoa que vive totalmente à deriva!!!!

Significado de Deriva (http://www.dicio.com.br/deriva/)

s.f. Desvio de navio (ou de avião) na sua rota, por efeito do vento ou de uma corrente.
À deriva, sem rumo certo, ao sabor de.
 

Desde a infância fui uma menina que viveu de um jeito singular todas as situações. Muito observadora, tive liberdade para expressar minha subjetividade e cresci "ao efeito do vento". Como minha mãe dizia: "Não sei como a Juliana consegue ir bem na escola, ela é tão desligada...". Assim, vivi cada situação, ora de um jeito profundo, ora à parte, o que pode servir para nos darmos conta de que não existe um só jeito de vivenciar e sentir as coisas. No meu caso, estar à deriva não me impediu de viver plenamente cada descoberta da infância e depois da adolescência. Pelo contrário, era como se de maneira intuitiva, eu escolhesse diferentes maneiras de me envolver, de mergulhar, de estar inteira em cada vivência. A cada nova situação eu interagia, respondia e experimentava sem a menor responsabilidade do que aquilo viraria, como acredito que deve ser vivido essas primeiras fases quando, mais do que nunca, cada ser tem o direito a experimentar-se plenamente em todas suas possibilidades, sempre com muito respeito e liberdade e com "sabor de vento"!!! Um deleite à alma.
 
Em minha juventude, potencializada por uma vivência no curso de Pedagogia numa universidade pública politizada, e naturalmente pela própria idade que traz em sua essência a necessidade de transgredir com o velho, de gritar aos quatro ventos que o novo chegou, fui mais incisiva e teimosa ao falar sobre minhas escolhas. Nesse momento, escolhi uma corrente, a que achava mais justa com os princípios democráticos  e mergulhei nessa experiência: publicações de manifestos, passeatas, vivência em C.A.s em todo o país, em Cuba, em reflexões sobre educação e os direitos das crianças e do adolescente, atuação em sala de aula com educação de jovens e adultos e em espaços educativos formais e não formais com crianças. Naquele momento, minhas ideias se aproximavam das do PT, mas mesmo assim, não quis me filiar a ele ou votar em algum candidato apenas por ser desse partido. Era como se eu tivesse escolhido acompanhar o navio do PT, mas ao tempo de meu vento e à corrente de meus pensamentos, ficando assim "à deriva, sem rumo certo", e principalmente, livre para poder criar meu próprio caminho e transgredir, inclusive, nesse ambiente.
 
Essa maneira de me relacionar é mesmo uma característica minha. Em vários outros aspectos também fico à deriva. Por exemplo, sou uma pessoa de muita fé. Fé em Deus, na energia das coisas, nas pessoas, na vida. Ainda assim nunca consegui me vincular a alguma religião, e quer saber? Sigo feliz, o que sinto na verdade, é que algumas pessoas não ficam feliz com a minha escolha. Não conseguem assim me encaixar facilmente nos padrões conhecidos e então me rotulam erroneamente. Na época da faculdade, se estava com meus amigos de infância ou de bairro era vista como a petista, a revolucionária questionadora e que metade das coisas que falava era incompreensível ou mesmo descartável uma vez que ao me rotularem não buscavam uma ampliação em seus modos de pensar. Quando estava com o povo do movimento estudantil, com minha minissaia típica da época, era vista como uma professorinha, burguesinha alienada, metida a desencanada. Assim, por muitas vezes estive à deriva, não me encaixando em nenhum lugar. Às vezes sofrendo, já que buscamos o sentimento de pertencimento a algum grupo, por vezes me sentindo satisfeita em me diferenciar, outra busca de todos nós. De todo modo, fui descobrindo que o mundo é maior, bem maior, e desde então sigo lutando pelo direito que todos temos a viver o melhor da vida, livres, nivelando as coisas por cima e não por baixo, para podermos sentir as coisas ao nosso modo e não aos dos outros.

Nesse processo, também descobri que os preconceitos rondam todos os agrupamentos humanos até mesmo naqueles que se dizem libertários, e que também tinha os meus. Afinal, nos perderíamos de nós mesmos e ficaríamos à nossa própria deriva, sem identidade se aceitássemos com facilidade tudo que nos aparece de novo, a resistência pode ser positiva nesse sentido como algo que nos protege enquanto conseguimos nos estruturar para recebermos o novo como algo que nos complementa. Por vezes me meti em discussões necessárias e outras desnecessárias, mas claro que apenas hoje posso dimensionar em qual cada uma se encaixava... Na época, todas me foram essenciais, constituintes de minha história. Aprendi inúmeras coisas nesses debates. Desde argumentar a experimentar verdadeiros encontros, mesmo soando desencontros pelos pontos de vistas diversos, mas verdadeiros, pois segundo Luiza Christov, não foram encontros com o igual, comigo mesma, mas com o diferente, possibilitando uma alteração em minha relação com o outro e alargando meu ponto de vista, que como diz Peter Pál Pelbart, nada mais é do que a vista de um ponto. O encontro com o diferente é desafiante, o que exige um esforço de todos nós se quisemos crescer juntos, numa rede sólida e solidária. Sei que ganho muito com essa troca, por isso meu empenho, e imagino o empenho das pessoas ao meu redor para também considerarem minhas opiniões como produtivas, agradeço de coração.

Lembro-me do dia em que Lula ganhou as eleições, que alegria, que festa! "A esperança venceu o medo!" era o que cantávamos. Finalmente nossa sociedade estava dando a chance de um partido diferenciado fazer algo pelo país, uma vez que as coisas não estavam boas para toda a população (é bom a gente sempre se lembrar disso).  Além do mais, nesse dia de vitória, em meio à avenida Paulista, dei meu primeiro beijo no Luiz e desde então seguimos juntos...rs. Desde então muita coisa aconteceu no país e já experimentei muitos tipos de sentimentos. Hoje, não me arrependo da escolha feita, ela tinha muito sentido naquele momento histórico, e certamente algumas ações foram importante para conquistarmos uma maior equidade social e uma estabilidade econômica, porque por mais que tenha minhas ressalvas quanto ao sistema de bolsas, por exemplo, algo precisava ser feito nessa direção para que uma boa parte da população não seguisse mais à deriva de uma vida digna que lhes é de direito.

Agora, continuo à deriva, uma vez que a oposição, de maneira geral, é muito conservadora, chegam a dizer, por exemplo, que o PT trouxe o comunismo ao Brasil - faça-me rir, vamos estudar um pouco mais os modelos econômicos e entender que estamos mergulhados no capitalismo. Certa vez, Lula pediu, quase implorou para que os brasileiros não parassem de consumir! Até para entendermos alguns pontos de discórdia entre os próprios integrantes desse partido. Tem gente que continua até hoje lá em nome de reconstruí-lo e de fazer jus à sua história como gente que anda pagando injustamente por uma estruturada toda falida. Também tem gente que inventa  e acredita em cada coisa só para manchar a imagem deste partido, a última foi sobre a seleção alemã que fez casas para o povo na Bahia, faça-me gargalhar. Tem também gente que xinga a presidenta atual, autorizando as crianças, por exemplo, a desrespeitarem outras autoridades como, por exemplo, suas professoras, faça-me chorar. A outra parte da oposição, dizendo também de maneira bem geral, infelizmente, é pouco consistente, mostrando alternativas semelhantes, pouco corajosas, transformadoras. Recentemente, contudo, tenho visto cada vez com maior expressão, graças à internet, a algumas manifestações libertárias, de quem analisa criticamente, se coloca e pensa em soluções de maneira positiva e não pessimista, de quem quer mesmo ver mudanças significativas.

Com o tempo fui aprendendo a exercer a tolerância diante de  posicionamentos distintos dos meus, ainda que, cá entre nós, esse seja ainda uma meta constante. No decorrer, ficou claro que para mim, irritante mesmo é quem tem um discurso politicamente correto e na prática não o exerce. A maioria das pessoas de meu convívio, ao contrário, levam uma vida de bem, praticam a solidariedade, e são grandes modelos para mim. No entanto, muitas delas, diante de situações conflitivas, em geral, incentivadas pela grande mídia sem escrúpulos, assumem uma postura conservadora, temerosa, elitista e preconceituosa com o povão, às vezes até mesmo tendo sua origem daí. Em geral, tenho conseguido tolerar certos comentários, levando em consideração meus laços afetivos, a compreensão de que as visões de cada um são mesmo distintas e que as experiências que tive em minha trajetória são mesmo privilegiadas para fazer certas ponderações e principalmente que vivemos. Ainda assim, nesses momentos me sinto totalmente à deriva ao ouvir suas opiniões retrógadas como também ao ouvir o pessoal do outro lado extremo responder com comentários arrogantes, cegos e também preconceituosos. Vergonha alheia, não compartilho com isso. No entanto, em alguns momentos me embrulha o estômago ver tanto ódio, ouvir tantas análises errôneas, simplistas e preconceituosas, e então me manifesto.

Nesse cenário, mais uma vez também fico à parte de alguns agrupamentos sociais de minha rede de conhecidos, já que a maior parte das pessoas ainda não percebeu que o mundo é maior, tem bem mais do que dois lados, e acham que ou você é PT ou está contra ele. Que visão mais pequena das coisas, do mundo, se si mesmos, de seus pares!!! Nesse cenário, o mais irônico é que até concordo com alguns apontamentos feitos pela oposição, mas não pela origem deles ou não com suas soluções. Eles falam, por exemplo, que querem mais escolas... Opa, eu também quero. Mas não quero qualquer escola, muito mais do que quantidade quero qualidade e isso ninguém discute, nem os políticos nem as pessoas que se iludem com números ou siglas.

Qual é a escola de nossos sonhos? Pergunta essencial. Será uma em que as professoras são tratadas como tias, recebem mal, não têm formação continuada, com uma coordenação à mercê da clientela dos pais ou ignorando-os, num espaço precário, pouco estimulante e nada estético, em que as crianças não são ouvidas, respeitadas em seu tempo e possibilidades, respeitando-se a cultura da infância, que não brincam em demasia e só assistem DVD, que não são estimuladas a conviverem de maneira harmoniosas nas diferenças e que desde a educação infantil recebem aula de educação financeira com expectativas de vestibular???? Essa, definitivamente não é a escola dos meus sonhos ao qual batalho todos os dias para fazer acontecer. Muito menos é um retrato  da escola pública, muitas são bastante comprometidas, ao contrário de algumas particulares. Mas certamente é a escola dos sonhos de alguns que reclamam que querem mais escolas enquanto outros que reclamam nem sequer pensaram nisso como se fosse coisa secundária num planejamento de governo. Contudo, é essencial pensarmos nas concepções por trás das escolhas. Será que todo mundo sabe o plano de governo de seu candidato? O que realmente ele vai fazer de diferente caso ganhe além de prometer vagamente "mais e mais" escola, hospital etc. Uma pena isso não ser prioridade... As coisas desse jeito dificilmente vão mudar independentemente do partido que estiver à frente do governo federal, ou estadual, municipal (tem sido comum nos esquecermos de que estes podem ser agentes ativos ou não nesse processo). 

Sobre a Copa, por exemplo, fui da turma que achava que não era nossa prioridade realizá-la frente a tantos problemas que enfrentamos diariamente, mas uma vez que foi decidido (há bastante tempo atrás), sou da opinião de que ela tinha que ser realizada do melhor jeito possível, inclusive, para aproveitarmos depois o legado da mesma. Aí vem o pessoal pessimista que diz que os estádios vão ficar abandonados, ora, então não deixemos, por que vamos escolher lutar contra não tê-la do que preservá-la? É uma escolha. E para cada ponto que o pessoal do contra coloca, costumo ponderar, em certa medida até concordar, mas acima de tudo, buscar soluções para que a gente reverta as coisas. Não trata-se de mascarar o que foi feito, até mesmo suas falhas, mas de analisá-las por completo, colocando-as num cenário maior. Nada do que aconteceu na Copa é distinto do que acontece cotidianamente seja no Congresso ou no Largo da Batata.

Com o foco grande na Copa, algumas coisas ficaram mais visíveis nas manchetes ou continuaram obscuras quando interessou à grande mídia ou aos donos do poder que não são apenas do PT. Muitas vezes fiquei indignada com alguns acontecimentos, mas acima de tudo vi nesse evento a oportunidade de fazermos diferente, de sermos tocados por um espírito coletivo comum, e batalharmos por questões que nos são pertinentes. Afinal não trata-se de se ter hospital ou Copa. Nós precisamos de tudo. "A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte", como cantou Arnaldo Antunes e Marisa Monte. Eu quero tudo, do bom e do melhor, porque temos esse direito.

Vejamos a campeã da Copa, a Alemanha, mesmo com sua história de exclusão e superação e seus problemas, ela tem planejamento que possibilita todas essas concretizações. Enfim, somos povos distintos, ainda bem, mas podemos também ter tudo. Basta que pensemos juntos como queremos vivenciar a próxima Copa do Mundo, por exemplo, e todos os outros assuntos também. Felipão saiu da seleção como técnico, isso basta??? Claro que não, vamos parar de achar culpados de maneiras simplistas para deixarmos de ver que o desafio é grande, temos muitos buracos em nossa história, mas somos capazes de superá-los desde que tenhamos disposição e coragem para construirmos bases sólidas. Não trata-se de termos as mesmas opiniões, mas de somarmos esforços para na nossa diversidade construímos projetos comuns na construção de uma sociedade mais justa e potente. Os momentos difíceis e caóticos, inclusive, podem ser ótimos momentos para exigirem de nós uma parada coletiva e a busca pelas melhores soluções possíveis. Nessa corrente seu sigo seja no futebol, aqui em casa, no trabalho, na vida, nos sonhos. É uma postura, é uma escolha de viver.

Aproveitei bastante a Copa para torcer pela seleção de meu país junto de meus amigos, familiares e dessa vez, de meus filhos. Foi emocionante completar o álbum de figurinhas com Mateus, vê-lo encantado com o hino, pedindo-me para cantar várias vezes, como pendurar nossa bandeira no carro, colocar o uniforme e vibrar com cada gol - até mesmo com aquele nosso único gol contra a Alemanha, o que de certa forma me ajudou naquele momento, pois a partir de seu gesto vi que consegui o mais importante com ele e com minhas meninas que agora veem uma bola e já saem gritando: "Gol do Brasil!!!": contagiá-los com a alegria de um esporte, no caso o futebol, mas podendo ser qualquer outro, e principalmente, com a experiência de uma vivência coletiva para celebrarmos algo em comum, nunca vou esquecer a carinha de meus filhos no primeiro gol do Brasil na Copa vendo todos nós enlouquecidos ou mesmo do espanto do Mateus ao sair pela rua, e ao ver todo mundo uniformizado, comentar: "Todo mundo é Brasil?", uma vez que ele está acostumado a sair com a do Corinthians e ver que agrada alguns e outros não, mas naquele dia ele pôde ver todos na mesma sintonia, um aprendizado bem importante, e com alegria ele passou a cumprimentar todos com um simpático: "oi brasileiro!". Ontem mesmo quando foi ao supermercado e ainda tinha bandeirinhas penduradas lá estava ele pulando e gritando: "Vai Brasil!". Meu menino, totalmente à deriva e totalmente livre e feliz. Maior orgulho da mamãe aqui, que continue assim...

A maternidade me trouxe um amor ainda maior à humanidade, ela me reconectou aos meus ancestrais e me encheu de responsabilidade para com a nova geração e para com o mundo, o lugar onde moramos. Assim, vou continuar cultivando em meus filhotes o amor ao país, seja na vitória ou na derrota... E se este for o caso, vamos pensar em soluções a favor dele e não contra nós.

No decorrer da Copa fui me animando, como se saboreando o gosto daquela corrente positiva, cheia de emoção, principalmente ao ver as nações latino-americanas também se destacarem na competição. Nossa casa se encheu de diferentes torcidas e também foi importante para Mateus ver que podemos torcer por outros, nos identificarmos com outros povos. Além disso, também vivi uma situação bem especial ao torcer pelo Brasil em terras argentinas e na comemoração da vitória perceber que o povo derrotado, a Colômbia estava fazendo uma festa muito mais animada do que o gueto brasileiro e de um jeito muito hospitaleiro eles nos receberam em sua casa, onde dançamos salsa animadamente, apenas reforçando meu sentimento de irmandade com os povos de terras latino americanas. Fomos todos explorados, nossos povos nativos massacrados, os exploradores vitoriosos, nosso desenvolvimento precário aos interesses da pequena população detentora de poder, povo formado pela mestiçagem, mas muito guerreira que cada uma ao seu modo foi resistindo e se reconstruindo. Mas sabe que outros povos também me encantam e nessa Copa me conquistaram de vez, ver por exemplo, os alemães comemorarem o título com uma dança indígena que aprenderam uma tribo pataxó que tiveram contato na Bahia, foi lindo de morrer... Nunca vi nossos brasileiros fazerem coisa semelhante... E se algum já fez, me pergunto por quê não demos tanta visibilidade a tal feito. Agora é capaz de vermos mais, pois temos a mania irritante de só valorizarmos nossa cultura quando um estrangeiro o faz.

Realmente esse espírito coletivo tem um poder tremendo, ele tanto pode despertar o melhor de nós, ou o pior... No dia de nossa derrota à Alemanha voltei duramente à realidade como se tivesse passado por um vendaval ou maremoto:  nossa seleção sem chance de vencer a Copa e novamente os dois lados emergindo das trevas no facebook!!! Nesse momento de dor (sim, eu sei que é apenas futebol e que é a coisa mais importante das coisas menos importantes, mas ainda assim dor), ouvir comentários  de pessoas que até então estavam se divertindo com o clima de festa, cheios de ódio, não só ao partido, mas a todos nós que estávamos desolados, me causou indignação.

Diferentemente das boas mães que avisam dos perigos da vida e quando seus filhos cometem os erros previstos, elas soltam o famoso: "eu avisei",  que podem até estar impregnados de raiva, mas acima de tudo de amor por quem está sofrendo e por isso mesmo sofre junto num misto de proteção e culpa por não ter conseguido evitar o erro do filho. Mas naquele momento, comentários como "o PT se f..." em nada de parecem com o de minha mãe amorosa. São carregados de ódio de quem torce para as coisas darem errado para poder cutucar o ferido, espezinhar em cima, mesmo que fosse em quem não estivesse em campo, mas em quem estivesse assistindo pasmado ao desfecho do jogo como era meu caso, como  não percebendo que muitas vezes esse sentimento demonstra que quem ataca também está ferido. Não é preciso ser psicóloga para saber que algo a mais há por trás de todo esse sentimento. Cabe a cada um ter coragem de se perguntar o que de fato me incomoda no outro, se ao se olhar pelo reflexo do outro vemos nossa própria dificuldade, nossas limitações, nossos medos e o que temos feito de construtivo na transformação da realidade que tanto nos incomoda.

Assumo assim minha própria corrente, ainda que à deriva desses dois lados, porque para mim o mundo físico e abstrato tem muito mais do que dois lados. E "simbora" passar adiante esse conceito porque senão voltamos para os tempos das trevas antes de Copérnico. Socorro!!! E de tanta, mas tanta coisa que poderia ter dado errado (importante reconhecê-las e analisá-las com cuidado também), o mais importante de dizer, porque não é o que a grande mídia está focada, é que MUITA coisa deu certo. Fizemos uma Copa do C....!!!! E eu, com muita alegria, aproveitei demais! Que passe rápido os próximos 2 anos para eu torcer de novo pelo meu país nas Olímpiadas!!! E até lá, sigo à deriva...



Fernando Anitelli  -  Síntaxe aberta - O Teatro Mágico
http://www.vagalume.com.br/o-teatro-magico/sintaxe-a-vontade.html

Ah! E pra dar risada, sugiro o link abaixo com as 100 coisas mais incríveis dessa Copa:
http://www.buzzfeed.com/manuelabarem/100-coisas-incriveis-que-aconteceram-na-copa-do-mundo-2014

domingo, 29 de junho de 2014

Bento Gaia: seja bem vindo!!!

Outro dia me dei conta que tirei uma foto das "barrigudas" do trabalho e ainda não tinha repassado a nenhuma delas, então a enviei com receio de que algum bebê pudesse nascer antes da foto ser compartilhada... e foi o que aconteceu com Bento, o único menino dentre as 5 panças e 6 bebês!!!!

Bento, o príncipe da mulherada, é filho da Luiza, do Montanha e irmão da Julia. Um garoto de sorte que a essa altura já virou um meninão torcendo como louco pelo Brasil. Foi desse jeito que me dei conta de seu nascimento, vendo uma foto dele com a camisa da seleção.

Eita momento glorioso que estamos vivendo: bebês fofos e queridos chegando a esse mundo em pleno clima de festa e euforia, fazendo nossas vidas ficarem ainda mais coloridas e com muito sentido.

Lu querida, parabéns pela chegada do pequeno e por sua família que cresce tão lindamente. Aproveita muito cada momento, porque você bem sabe que passa rápido... Beijo grande, de coração.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vai Brasil!!!

Muito se falou sobre essa Copa, já que ela não saiu como esperávamos e como o Brasil merece!!!Mais uma vez, rolou "picaretagem" dos políticos, lucro dos grandes empresários, manipulação das grandes mídias, e a população à margem de tudo. Não é novidade isso tudo ter acontecido, uma vez que é uma situação que ocorre há muito tempo em nosso país, em diferentes esferas. Talvez a única novidade tenha sido a grande mobilização das pessoas reagindo a esse cenário, o que foi bem importante em termos de tomada de consciência coletiva, mas claro que com isso, vem novamente a manipulação da mídia, a impunidade dos políticos (os verdadeiros corruptos), os grandes empresários intocáveis e agora, em meio a tudo isso, uma parte da população mais conservadora.

Aqueles que apontam que isso apenas acontece no Brasil do PT estão muito enganado. Aqueles que apontam que esse texto foi escrito por uma petista, estão muito enganado. Aqueles que param de lê-lo seja porque não se convencem de que não sou petista, ou socialista/comunista como erroneamente generalizam os integrantes desse partido ou porque não o sendo,, não se interessam porque então sou de outro partido , ou alienada/capitalista/burguesinha como erroneamente também o fazem, estão muito enganados. Sou apenas uma cidadã que vê, na medida do que meus olhos conseguem enxergar, que as coisas estão muito erradas como estão, mas que poderiam estar muito piores se o fossem de outro jeito.

Como mãe e educadora, eu sonho com um mundo mais justo, porque principalmente acredito na humanidade. É verdade que a história das mentalidades é a mais lenta de todas, às vezes irrita tanto - as generalizações deturpadas, os preconceitos com os diferentes, o medo do novo, contudo, acima de tudo foco nas muitas conquistas já foram feitas, pelas próprias pessoas, então por que não acreditar que outras mais poderão vir a serem feitas, por elas próprias? Ou melhor, por nós??? Eu acredito!!!

Hoje é um desses dias históricos, desses que nossa postura em relação à Copa do Mundo de Futebol, que se inicia hoje mesmo poderá fazer a diferença em nossa movimentação política.

Aprendi muito com meu marido, amante do futebol, o quanto de política tem nesse jogo, já que pode mover multidões a darem mais um passo consistente em direção à construção dessa sociedade mais plena, respeitosa, digna e alegre. Exemplos na história não faltam (o mais recente e popular pode ser o filme "Invictus" que no caso, fala de futebol americano, uma vez que não importa o esporte ou o que quer que seja que nos move coletivamente), o que interessa e que justamente nos falta é termos cada vez mais clareza de que é importante para a construção  de nossa humanidade (sim, nós não apenas nascemos humanos, mas nos tornamos humanos à medida que vivenciamos experiências que qualificam nossa existência), experimentarmos situações significativas e coletivas que nos toquem e que possibilitem ressignificações de nossas concepções de mundo.

Assim, nesta Copa realizada no Brasil, não trata-se de maquiar o que foi feito, ou melhor, mal feito durante essa preparação , mas de assumirmos que essa Copa é nossa, com tudo de melhor e pior que ela representa de nossas vidas cotidianas, e por isso mesmo, nós podemos e devemos fazer o nosso melhor... em todos os sentidos!!! Porque é só assim que mudamos nossas realidades concretamente e não apenas no discurso. Nesse sentido, vale torcer, cobrar, comemorar pela seleção bem como discutir sobre nossa situação política, econômica, social e cultural, entrando em contato com outros pontos de vista, outras realidades, sem depositar todas mazelas num partido apenas, por exemplo, mas também sem desconsiderar o que cada partido precisa avançar, e principalmente refletir sobre nossa história e imaginar nosso futuro...

Um futuro, que a depender de mim, será bem melhor do que hoje - talvez não em todos os aspectos - mas o melhor possível, pelo menos no que diz respeito à construção de nossa experiência em coletividade. Hoje, afinal, temos essa chance e eu vou aproveitar essa festa com muito gosto ao lado dos amigos e de minha família.

Ensinando o que realmente importa: curtir uma Copa ao lado dos meus filhos!!! O que é infância sem essa vivência coletiva em que a razão vai-se embora diante da emoção de um gol???




E vai... Brasil!!!

Nina: seja bem vinda!!!

Mais uma flor nasceu para enfeitar esse mundão; e não é uma flor qualquer, é A FLOR!!!

Aquela que foi a  mais desejada, esperada, amada: a Nina, filha da Marcia e do Arthur, neta do tio Reynaldo e da tia Deise, sobrinha do Rafa e do Vitor... e vamos parar por aí porque é muito gente nessa árvore genealógica.

Família querida de meu marido que me orgulho de também fazer parte... Sendo assim, Nina é minha primeira de segundo grau, e o que mais me encanta, é que ela é também prima dos meu trio calafrio - que juntos, ainda vão aprontar muito... assim espero. Tive uma convivência muito grande com primos na infância e sei da importância dessa relação. Por isso, muita alegria ao termos mais uma geração de gente bonita, bacana e querida, vivendo juntos.

Desejo tudo de mais maravilhoso a você Nina, e a seus pais também!!! Eles certamente saberão te amar e cuidar muito de você, menina sortuda. Como disse a tia Jane certa vez, você já estava há muito tempo no plano espiritual de sua mãe só aguardando a hora certa de chegar... e chegou!!! Viva, num dia de festa, num dia histórico para nossas famílias e para o Brasil.

Beijo bem grande,  e que sempre sua vida seja assim... uma festa!!!

Em breve vamos te dar um cheiro e te fazer muito carinho.

Pedro Edmundo: seja bem vindo!!!

Só mesmo o nascimento de mais um serzinho para me trazer de novo a esse espaço que tanto gosto, mas que anda distante por conta da correria...

Pedro Edmundo: seja bem vindo!!! Menino que carrega o nome do pai deve ser motivo de orgulho para o mesmo, mais conhecido como Tico, meu amigo de adolescência. Mais um para essa família... Pedro é irmão do Diego, que já passou por esse blog quando nasceu e agora está tão grande que já anda fazendo shows por aí. Tá na veia ser baladeiro desde cedo. Também é irmão da Joana e filho da Juliana.

Mais um para a galera da Vilinha e para a torcida do Curintia e do Brasil!!!

Tudo de bom para vocês!!!



domingo, 11 de maio de 2014

Dia das mães 2014: muitas mensagens

Feliz Dia das Mães!!!

Para mim, para minha mãe, minha vó, você e todas as mulheres encantadas por suas crias!!!

Muito, muito orgulho de ter colocado no mundo 3 criaturas incríveis que me desafiam todos os dias, me deixam maluca, descabelada, mas também, todos os dias, fazem eu me sentir a mulher mais poderosa, a mais amada, a mais completa e feliz. Amo, amo, amo cada um dos meus pequenos. Hoje e sempre.

No ano passado escrevi bastante sobre esse dia, e hoje, quando ia escrever de novo, porque há sempre mais do mesmo para se dizer, me dei conta de que outras pessoas, empresas, organizações se adiantaram (lembram que já escrevi por aqui que sou ruim de data...) e então resolvi fazer o uso mais importante desse blog: a troca, compartilhando tudo de bonito, reflexivo e engraçadinho que recebi hoje via facebook...


Mensagem neste blog Dia das Mães 2013:
www.jujuviroumamae.blogspot.com.br/2013/05/dia-das-maes-2013.html

Outros textos bacanas:

O trabalho mais difícil do mundo:
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=7d2XhaJiSUs


O trabalho mais difícil do mundo é o melhor trabalho do mundo:
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=fKovpcfTGj0


Abra seu coração e diga tudo que não disse antes:
https://www.facebook.com/photo.php?v=10154098941515643


Cinco mentiras sobre as mães:
http://tribunadoceara.uol.com.br/blogs/papo-psi/comportamento/cinco-mentiras-sobre-as-maes/


sábado, 19 de abril de 2014

Outros relatos: Adelir Góes e Ligia Sena

Uma reflexão escrita a muitas mãos... Uma verdadeira rede de mulheres, como tem de ser...


Por falar em minha amiga Miruna, que junto de sua mãe tiveram seu primeiro encontro pós parto marcado pela violência de forças externas, foi ela mesma quem me contou sobre um acontecimento monstruoso desse tipo e que aconteceu recentemente - para refletirmos sobre como as questões com as mulheres continuam em urgência de pauta. Neste caso, é de indignar o que fizeram com uma mãe e seu bebê, abrindo um precedente jurídico perigoso em nosso país que há tempos tem optado pela cesárea como única opção de parto (um verdadeira ditadura do parto!).

Eu que tenho sido a voz neste blog sobre a importância do parto normal (fiz 3, incluindo minhas gêmeas) e da cesárea apenas quando necessário (mesmo!), escolhi também dar voz a essa mãe que não teve respeitado o seu direito legítimo de fazer sua escolha. Nesta conversa com Ligia, escritora do blog "Cientista que virou mãe" (recomendo!), Adelir fala sobre sua traumática experiência em ter sua residência invadida juntamente com seu corpo e suas escolhas, e parir sozinha, ouvindo absurdos a seu respeito num momento que deveria ser o mais lindo de sua vida: receber um ente querido, e por fim como vem lidando com esse episódio. Força para ti!

Segue a conversa... É só clicar:

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2014/04/uma-conversa-com-adelir-e-emerson-eu.html?m=1

Outros relatos: Rioco e Miruna

Acabei de assistir a mais um programa da série "Mulheres em luta", belíssima iniciativa da GNT em dar voz àquelas que sofreram com a ditadura, e me emocionei em especial no programa de hoje, o qual mostrava a história da mãe de minha amiga, e inevitavelmente dela também: Rioco e Miruna.

Rioco falou bastante sobre o machismo na sociedade daquela época, até mesmo dentro dos movimentos revolucionários, e quando se viu mãe de menina ficou mal, muito mal mesmo, piorando ainda mais quando se deu conta de que a partir de uma dose forte de medicamentos seu leite secou. Um dia, quando estava voltando a se sentir forte, fechou-se num quarto sozinha com a filha e surpreendentemente, após tanto tempo, Miruna voltou a mamar normalmente.


"Foi um momento de reconciliação... Ela me perdoou... E eu aprendi como é bonito ser mulher, com ela, nessa relação com a Miruna". Rioco

"Não foi uma escolha, mas fico muito feliz por ter proporcionado isso para ela". Miruna


Relação bonita, genuína e forte entre mãe e filha, dessas que um governo de ditadura deixa marcas profundas na alma, mas não consegue destruir de jeito nenhum, afinal, tratam-se de relações humanas, de entes queridos, de mãe e filha, de mulheres. Mulheres em luta, com orgulho!


"Cada dia uma agonia... e um pouquinho de alegria". Rioco

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Avós mais saudáveis

Acabei de ler essa reportagem sobre uma pesquisa com avós ("Avós que tomam conta dos netos uma vez por semana são mentalmente mais ativas") e confesso que fiquei feliz... e aliviada!!! rsrsrs

Realmente abusamos dos nossos pais para nos ajudar com nossos filhos. Não é um abuso completo, pois Luiz e eu somos pais presentes e assumimos, com alegria, nossas responsabilidades, mas em meio à correria diária contamos sim com a ajuda deles para conduzirmos nossa rotina do jeito mais tranquilo possível, o que no final das contas, acaba sendo motivo de felicidade para  meus pequenos que os adoram fervorosamente, para nossos pais, que se divertem junto e também "exercitam a cabeça" e para mim, que sinto o ciclo da vida continuar a rodar com toda a força aqui em casa dando um sentido ainda maior a tudo que vivemos no miudinho do dia a dia.

Segue a reportagem na íntegra...


http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/bem-estar/noticia/2014/04/avos-que-tomam-conta-dos-netos-uma-vez-por-semana-sao-mentalmente-mais-ativas-diz-estudo-4469208.html?utm_source=Redes+Sociais&utm_medium=Hootsuite&utm_campaign=Hootsuite

Lorenzo: seja bem-vindo!!!

"Mais um corinthiano nesse mundo"

Com essa mensagem do July no facebook acabei dando um fora há um tempo atrás anunciando por aqui a chegada do Lorenzo. Foi preciso um amigo em comum me alertar que ele ainda não havia nascido esclarecendo que a mensagem tratava-se apenas da confirmação do sexo do bebê. Enfim, um mal-entendido típico das relações virtuais que sempre ocupa minhas reflexões. Mas isso é assunto para outro momento, porque agora é para valer e posso anunciar com alegria que: "Mais um corinthiano chegou a esse mundo".

Claro que dessa vez, me certifiquei (rs) e vi até fotinho da família completa, com os pais com um sorriso no rosto de só quem passa por essa experiência tem e com o olhar desconfiado da irmã mais velha de só quem está diante de uma situação nova... e o mais maravilhoso é que as relações e a dinâmica se ajeitam com o tempo, sendo impossível imaginar a vida de outra maneira.

Desejo tudo de bom a essa família toda: Julio, Ana Carolina, Luri e Lorenzo... Que muita coisa boa continue acontecendo em suas vidas!!!

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Outros relatos: Carolina Bezerra II

Olha aí a Carol, minha amiga de faculdade, de novo neste blog...

Gente que pensa e sente sobre suas relações com seus filhotes e esse mundão precisa mesmo ser compartilhada - muitas e muitas vezes... Ainda mais porque no caso deste texto a reflexão foi iniciada por sua filha, certamente inspirada pelo modelo da mãe que por sua vez também foi sua porta voz, provocando assim um movimento de significados nessa trama de relações, uma lindeza só! Que venham novas reflexões como essas Carol, para nos lembrar sempre sobre o "o que realmente importa na vida!", e que ainda bem, temos em abundância. Axé!


Voltando do passeio de domingo, eu, irritada com milhares de coisas para fazer e resolver, venho dirigindo pela estrada e tendo uma daquelas "conversas sérias" com as crianças, falando sobre o comportamento deles, sobre que tudo que eu faço é pra eles, que o quê eu mais quero é que tenhamos uma vida melhor, para que possamos ter "isto, isto e aquilo", para fazermos " isso, isso e aquilo" e termos uma vida "assim e assado..." Depois que chegamos em casa, no momento que estamos almoçando, a Dandara (5 anos) olha bem fundo nos meus olhos e diz: " Mamãe! Eu não quero outra vida! Eu sou feliz com a vida que eu tenho!" Totalmente desconcertada e emocionada com essa declaração, percebi que não preciso me desdobrar para tentar dar conta de tudo, ou fazer "isso ou aquilo", que o mais importante eu já faço, é simplesmente estar ao lado deles: lavar os seus cabelos, cortar as suas unhas, segurar as suas mãos, dançar com eles que nem doida, rir muito, cantar e imitar vozes, contar histórias para eles antes de dormirem, narrar pela milionésima vez como eles nasceram e como era a vida quando moravam na minha barriga... Enfim, as vezes é preciso uma criança te lembrar que: " A riqueza todos tem, mas é preciso compreender!"


Simples assim… by Armandinho

sábado, 5 de abril de 2014

1° de abril: Ditadura

Sou ruim de data, bem esquecida mesmo, e nas poucas vezes em que me lembro de algum aniversário, por exemplo, sou dessas que só no caminho para a festa me dou conta de que não comprei uma lembrança especial (não aquela comprada correndo em cima da hora, e sim aquela realmente pensada especialmente para a pessoa) ou que não fiz um gesto carinhoso como um cartão ou uma declaração. Até mesmo nos meus aniversários acontece coisa semelhante... É somente na véspera que acabo (estimulada pela minha companheira de aniversário, minha sogra Mirna) fazendo alguma comemoração pequena, e depois, sempre me arrependo de não ter me programado melhor, chamado mais pessoas, organizado o evento com mais cuidado e carinho.

Acho que para mim, é apenas quando eu vivo ou me aproximo de uma data especial ou ainda quando outras pessoas me movimentam que tomo contato com a dimensão da coisa toda e do que cada ocasião me provoca além do sentido do tempo em nossas vidas, de estarmos junto de pessoas queridas, de celebrarmos, e a depender do propósito de cada evento, finalmente me embriagar das emoções sentidas: diversão, emoção, lembrança, reflexão, crescimento, agradecimento, oração.

Nesta semana aconteceram algumas datas especiais em minha vida...

O aniversário do Luiz, que foi comemorado de maneira simples aqui em casa, com a criançada de pijama e animada de todo jeito... Mateus querendo saber se a festa do pai seria de super-heróis e acabamos dando o nome de "festa da pizza", querendo fazer a todo custo brigadeiros e comendo com animação, junto das irmãs, comilonas de sempre. Mil gracinhas, risadas com todos nós relembrando as histórias remotas e recentes. Aquele papo de família de todo dia, toda hora que com o tempo aprendi a valorizar demais... Muito bom.

E outras duas datas que também inspiraram essa postagem... Segue uma reflexão a respeito:


Cheguei cedo à escola e logo fui surpreendida por duas meninas dizendo que os pais haviam morrido. Ainda sonada consegui reparar o sorrisinho discreto que havia de molecagem gostosa em suas faces e então entrei na brincadeira: "É mesmo, o que aconteceu com eles?" fazendo cara de preocupada, mas também com um sorrisinho na ponta dos lábios, bastante curiosa para saber o que sairia daquela conversa...

"1° de abril!" elas logo gritaram em meio às gargalhadas. Ri junto, porque em parte elas realmente "me pegaram" em suas brincadeiras, já que não havia me dado conta do dia específico, esquecida que sou... No restante do dia - fiquei o dia inteiro na escola e muitas outras brincadeiras aconteceram desse tipo: "sabia que vou morar em Miami?", "sabia que eu vou construir uma piscina de sorvete bem geladinha?", "Ju, eu não gosto de você!", e todas essas falas terminavam com muitas, muitas risadas, fazendo com que experimentássemos mais um dia intenso e especial.

Uma sensação de um dia gostoso que veio adoçar o sabor que estava sentindo neste 1° de abril, em especial, pelo impacto causado com um acontecimento do dia anterior, dia 31 de março de 2014.

Um acontecimento que na verdade já era sabido previamente, mas como disse, é apenas na vivência da data que tomo clareza do que realmente ela revela ou se propõe, e portanto, apenas no dia 31 tomei contato com toda a história que essa data representava, e fiquei bem sensibilizada, e até me sentindo culpada por não ter me conectado com essa dimensão anteriormente quando outros me comunicaram.

De qualquer forma, esta data marca um episódio triste da história de nosso país e que exatamente para não se repetir novamente precisa não apenas ser lembrado como falado, gritado!!!! Até porque senão algumas pessoas distraídas, como eu, correm o risco de passar batido, deixando de também serem porta-vozes de uma violência que foi vivida naquele período, inclusive para cobrarmos que o Estado reconheça sua ação violenta em milhares de pessoas e se responsabilize de alguma maneira por isso, como vem ocorrendo cada vez mais após a pressão da Comissão da verdade e da justiça e outros.

Assim, de maneira mais formal, nossa sociedade precisa reconhecer que esse episódio aconteceu (tem gente que não acredita ou não entra em contato com o tamanho da barbárie realizada na surdina), que nessa época os direitos humanos foram feridos, pessoas foram violentadas, mortas e se sobreviveram foram marcadas não apenas no corpo, mas principalmente nas almas como também famílias foram desestruturadas, mentes perdidas, manifestações e expressões reprimidas, ações do Estado deturpadas, perpetuadas, naturalizadas e por vezes, defendidas, e atualmente aclamadas novamente (pasmem!).

Em meio a esse meu 1° de abril, meu dia de brincadeiras e pensamentos sérios, me coloquei no lugar da criança que brinca com aquilo que mais deseja (uma piscina de sorvete) bem como com seu maior medo (que os pais morram) e fiquei também imaginando que a manchete de jornal: "31 de março: aniversário de 50 anos do golpe militar no Brasil" poderia ser também uma grande 'troça' do dia 1° de abril!!!

Seria bom se esse desejo infantil correspondesse à realidade...

Mas como não, vamos tratar o assunto com a seriedade que ele merece, nos povoando de outras imagens mais realistas e construtivas como, por exemplo, da cena de um aluno, nesse mesmo dia, indo embora mais cedo da escola, porque seu avô seria homenageado em Santos. Quando indagado pelas professoras sobre o motivo da homenagem ele, com seus 5 anos, disse: "Porque meu avô foi preso".

Para mim, como educadora, mãe e cidadã sinto um compromisso grande em falarmos a respeito e construirmos uma sociedade mais justa para que as crianças dessa geração cresçam com a consciência de que o foi feito naquela época (e em parte, ainda em tempos atuais) não pode acontecer mais e principalmente que se temos um pouco mais de liberdade e possibilidades maiores é porque MUITOS homens e MUITAS mulheres lutaram para isso. Isso sem mencionar que as torturas realizadas nesse período era muito piores com as mulheres.

Nessa direção, é com grande esperança que tenho visto mais espaço nas mídias para o assunto e assim ouvido cada vez mais sobreviventes dessa época falarem sobre suas experiências, dando, mais uma vez e mesmo após 50 anos, o verdadeiro sentido ao que viveram.

Ditadura: basta!




sexta-feira, 21 de março de 2014

Para se emocionar: síndrome de down

Hoje, Dia Internacional da Síndrome de Down resolvi marcar por aqui a importância de continuarmos na busca e na luta por uma sociedade que aceite e lide bem com a maravilhosa diversidade humana.

Resolvi então expor um vídeo a respeito, mas fiquei na dúvida se intitulava esta postagem como "Para refletir" ou "Para se emocionar", porque na verdade ele se encontra nos dois. Contudo, como em minha experiência educacional tenho tido a grandiosa oportunidade de refletir constantemente a respeito para proporcionar um trabalho de qualidade para TODAS as crianças - e justamente por conta desses encontros tenho tido a preciosa chance de me emocionar com cada gesto, carinho, descoberta e conquista, resolvi enquadrar o vídeo como emocionante... Muito emocionante.

Agora vamos ao vídeo "Dear future mom" (Querida futura mamãe), exposto no youtube, para ouvirmos essas crianças e jovens que falam muito melhor do que eu...


sábado, 15 de março de 2014

Para refletir: muito além do peso

Recentemente me deparei com esse depoimento de uma amiga sobre uma questão muito série de alimentação:

Optei por levar lanche de casa do Dudu (2 lanches por dia) para a escola. Mas, pensando na praticidade, consultei o cardápio da escola para aderir....e para minha surpresa eis que encontro às sextas-feiras bolo de chocolate e refrigerante. Como assim? Ao consultar a secretaria da escola fui informada que, se eu não quiser, eles podem trocar o lanche desse dia. Gente, só eu acho errado oferecer isso para crianças menores de 5 anos?

Não. Não sé apenas você que está preocupada com a oferta de uma alimentação saudável para as crianças. Uma pena é que pelo jeito essa escola não está.

Na escola em que trabalho há tempos a alimentação tem sido trabalhada como um conteúdo pedagógico, até mesmo antes de conseguir assumir a responsabilidade de oferecer um lanche saboroso e saudável. Quando conseguiu criar uma boa estrutura para isso, as crianças passaram a comer o mesmo lanche, o que foi positivo para que o assunto da comida passasse a ser um assunto enquanto elas comem: "você está gostando?", "Eu gosto mais dessa fruta!", "Essa está docinha", "Essa está azeda, eu não gosto.", "Eu gosto", "Minha mãe faz um sanduíche desse jeito que eu adoro", "Vou falar para a minha mãe fazer esse bolo", porque afinal, o comer junto é uma situação muito potente para a convivência - maior sentido da escola.  Nessa concepção, as frutas e os sucos naturais (refrigerante nunca!) são oferecidos primeiramente como maneira de estimular o hábito de experimentarem um alimento tão importante. Depois, oferecemos os outros alimentos: pães de diversos tipos e os acompanhantes separados como maneira da criança montar seu próprio lanchinho. Vez ou outra, inclusive, um cardápio rico e variado pode contemplar (também, nunca como única opção) um gostoso bolo simples de chocolate ou outro sabor feito com receitas com menos açúcar e algumas outras substituições de ingredientes. De qualquer maneira, conversamos e estudamos sobre o quanto esse alimento não "matam a nossa fome" por muito tempo e que por isso é importante nos alimentarmos de outros anteriormente além de cuidarmos da quantidade ingerida. Por fim, constantemente acionamos os pais, nossos parceiros, quando o hábito alimentar de alguma criança nos chama a atenção para combinamos estratégias em comum em prol do desenvolvimento da criança.

Aqui em casa também procuramos fazer esses cuidados, principalmente durante a semana. Especialmente notei que desde que Elizangela passou a trabalhar aqui todos os dias, cozinhando com esmero e também quando eu e o Luiz passamos a comer junto do Mateus que já come sozinho há tempos a relação dele com a comida melhorou, porque na verdade, nossa relação fortaleceu-se com nossas conversas sobre os sabores da comida e da vida. É nesse momento que conversamos sobre o nosso dia, trocamos impressões, apontamos quando ele não está comendo, enfim, estamos juntos! Inclusive, sinto que a compulsão de minhas meninas por comida é exatamente porque querem se sentar conosco à mesa, temos cuidado devagarinho da integração de minhas meninas nesses momentos, já que costumam comer antes, às vezes as deixamos nos cadeirões bem pertinho com um biscoito de polvilho ou uma fruta de sobremesa apenas para participarem desse nosso momento. Também tenho cuidado para cozinhar para meus filhos, importante eles me verem nesse papel, porque se eu não me esforçar eu fujo completamente delegando a tarefa ao Luiz, esse sim nosso grande cozinheiro. Devagarinho chego lá! Do mesmo modo, construir essas relações de afeto com alguns pratos especiais, porque o ato de comer é bem mais amplo do que o ato em si, ele é uma grande representação de como nos relacionamos não apenas com os alimentos, mas com as pessoas, os papéis sociais, os símbolos, o mundo.

Nos finais de semana tem sido mais difícil controlar a alimentação de meus pequenos, por conta dos eventos sociais, e cada vez mais tenho lidado de maneira mais relaxada nesses momentos - talvez porque meus pequenos estejam crescendo, todos já podem comer um pouquinho de tudo: até 1 ano nenhum de meus filhos comeu doce! Mas principalmente, talvez porque também não quero ser da outra "ponta da vara", daquela que controla tudo sem dar condições da criança também fazer escolhas e pensar a respeito sobre as consequências de seus feitos. Hoje em dia, tão logo começa a ficar com dor de barriga Mateus nos diz: "Comi muito doce!", já conseguindo fazer esse tipo de relação causa e efeito. Ainda assim meus filhos não experimentaram refrigerante ou mesmo não costumam almoçar "bobagens". Se nós, adultos responsáveis por eles, não colocamos alguns limites a questão vira um perigo para a saúde!!!

Segue um documentário chocante, mas extremamente importante sobre o que tem acontecido com as crianças e jovens quando os adultos não se responsabilizam pelo cuidado com suas alimentações. É abandono, e eles ficam à mercê de uma indústria alimentícia sem escrúpulos que para vender é capaz de engoli-los vivos. O documentário chama "Muito além do peso", porque não trata-se apenas de estar ou não em forma, sendo dessa vez engolido por outra indústria, a estética, também voraz. Trata-se de uma questão de saúde física e mental. Assim, é importante nos questionarmos sobre a nossa relação com a comida, nosso corpo e tudo mais a respeito, porque tudo indica que precisamos nos cuidar primeiramente e urgentemente para então cuidarmos de nossos filhos que precisam de nós.






sábado, 8 de março de 2014

Melhor presente para o Dia da Mulher não há!!!

Ontem minhas duas flores, Carolina e Isabel completaram 1 ano e meio de nascimento, melhor presente para o Dia Internacional da Mulher - que é hoje - não há!!! Realmente estou muito feliz de ter colocado nesse mundão duas meninas tão especiais que me enchem tanto de orgulho. Amo, amo demais da conta.

Poderia ficar um tempão elogiando as duas ou contando sobre suas sapequices ou ainda falando de todo meu amor por cada uma, mas realmente o que vale dizer hoje é que minha alegria é imensa em tê-las em minha vida. Simplesmente o mundo para quando elas começam a brincar, dançar, sorrir... Meu mundo cor de rosa!!! Só desperto mesmo quando elas começam a brigar seja pela disputa de um brinquedo ou pela atenção do vô; brigas que têm sido menos frequentes desde que voltaram à escola nesse ano. Outra escola, agora a minha, do Luiz e do Mateus, e com muita alegria os 3 têm ido juntos de mãos dadas fazer a maior farra com uma turma de colegas queridos e professoras cuidadosas.

Lina e Bebel me encantam com sua meiguice, delicadeza dos olhos nos olhos, de observarem os mínimos detalhes, do riso e carinho em abundância, da tranquilidade em se adaptarem a qualquer lugar e pessoas, de demonstrarem amor incondicional uma a outra, ao irmão, a mim, ao Luiz e a todas as pessoas de nosso entorno como também me impressionam com sua força para marcar posição, para reclamar - até mesmo de jeito mal educado (socorro!), determinação para conseguirem o que querem e abertura para negociarem conosco sobre o que desejam. Simplesmente duas meninas deliciosas!

Durante a gestação delas, no início, cheguei a palpitar que esperava por dois meninos. Logo me dei conta de que na verdade dizia exatamente o contrário do que sentia pelo receio em ser mãe de duas meninas de uma vez só. Esclareço: sempre fiz boas amizades, mas nunca fui grudada em ninguém. Tive fases mais ligadas em uma amiga ou em outra, mas sempre que estávamos ligadas demais a ponto de eu me perder de mim mesma, sobre minhas escolhas, preferências e a vontade de construir novos laços acabava me afastando, uma consciência que apenas tive com o passar dos anos e que me ajudou nas novas escolhas e principalmente em perceber o efeito que esse movimento interno causara em minha trajetória: é verdade que acabei perdendo do contato diário algumas pessoas queridas, por outro lado, de alguma maneira elas continuaram impregnadas em mim pelas marcas que cada um deixa na gente. Marcas na alma. Assim, tive receio de que minhas meninas pudessem fazer o mesmo comigo, me excluindo dessa ligação tão forte que sabemos que existe entre irmãs gêmeas, quase inexplicável. Enfim, receio de serem grudadas uma na outra ao estilo "Mimi e Cocó" além de serem mais superficiais e não tivessem a ver comigo querendo ir ao shopping toda a hora, usar maquiagem. Por sorte, me dei conta de que estava tendo uma piração total e tive a chance de ainda durante a gravidez resolver essas questões de minha cabeça (e outras tantas que também pairavam por ali) para assim recebê-las de coração e braços abertos!!!

Nesse processo, uma maravilhosa constatação: ao resgatar minha história de luta pelos direitos igualitários em nossa sociedade e a tomada de consciência sobre a força da mulher, e em especial sobre a minha potência, percebi  o quanto desejava colocar uma mulher nesse mundo, e que sorte eu tinha por poder colocar duas de uma vez só. DUAS!!! As minhas duas meninas, minhas parceiras!!!

Por tudo isso, é com muita, muita alegria que há 1 ano e meio tenho vivido uma relação intensa e amorosa com cada uma delas e com as duas juntas. Fiz até mesmo uma música de "nós 3" que elas já reconhecem e me pedem o tempo todo para cantar e fazer os gestos (nesses momentos cuido para não excluir meu pequeno Mateus... rs). Mas o mais especial é que hoje, mais do que nunca, sei que sou parte delas assim como elas são minhas, ainda que venham a ter preferências distintas das minhas. Temos uma unidade que é nossa história, nosso afeto, nossa ligação. As diferenças vão inclusive servir para que possamos nos lembrar de que somos diferentes ainda que tenhamos diversas ligações entre nós: nós 3, elas duas, nós 4, nós 5, nós família, nós do mundo, elas com o mundo.

Minhas meninas que sempre vão ser minhas, tão desejadas, cuidadas e amadas, mas que também são desse mundão; um mundão que sempre precisará de mulheres guerreiras (e também de homens íntegros) em sua urgente e permanente construção de uma sociedade igualitária e harmoniosa - essa sim a verdadeira razão para o Dia da Mulher existir.

Como mãe, mulher e educadora, me esforço para fazer a minha parte sendo um bom modelo para minhas meninas e meu menino além de meus alunos e alunas construírem novos tempos, e desse jeito sigo sonhando com suas conquistas futuras que certamente também serão minhas como de todas nossas ancestrais.

terça-feira, 4 de março de 2014

Viver com fé

Minha religião é minha fé. Fé em Deus, na vida, na humanidade, na ideia de que "nada é por acaso" ainda que muitas vezes a gente não chegue a entender alguns desafios e caminhos que escolhemos. Contudo, minha fé me guia a buscar as melhores escolhas possíveis, a cuidar de mim e de minha família e a tentar construir relações respeitosas com todos ao meu redor e com o mundo que fazemos parte, e principalmente, a me libertar, sempre que possível, de equívocos que muitas vezes cometo no desafio eterno de tentar acertar, ora acertando, ora não.

Uma fé que aumentou desde que virei mãe e que cresce proporcionalmente ao tamanho de meus filhos junto de meu amor por eles. Uma fé que por vezes esmorece diante de algumas desilusões e indignações comigo mesmo e com meus pares, e principalmente quando o medo - típico de quem sabe que tem muita coisas preciosa a perder e não quer que isso aconteça -  também cresce, mas que em geral, logo volta a se fortalecer, porque realmente, em geral, vejo muita relevância em tudo que vivemos. Acho mesmo que nossas vidas são grandes milagres que precisam ser cuidados todos os dias, principalmente quando nos conectamos na mesma energia. Aí sim ficamos muito potentes.

Espiritualidade que precisa ser vivenciada e estimulada nos dias atuais, mas ao meu ver, dessa maneira aberta, amorosa, plena, transformadora, potente, sendo visto como um estado de espírito que precisa ser vivido intensamente em si mesma e com coerência em todos os âmbitos de nossas vidas. É esse o modelo que tenho cada vez mais tido como referência e que será ensinado aos meus pequenos. Espiritualidade como um cuidado conosco mesmo e com os outros, que seja um suporte para nossos momentos de angústia, dúvida, dor assim como um meio de compartilharmos experiências, alegrias, encantamentos. Enfim, um estado de conseguirmos momentos essenciais, estruturantes e reveladores com nossa humanidade e com o divino.

Assim, sempre que possível, tenho essa mania (meio irritante para algumas pessoas) de procurar ver o lado bom das coisas. Ontem aconteceu algo a princípio bem chato: carro quebrado na estrada à noite com meus 3 filhotes dormindo no banco de trás!!! Mas no meio de toda a chatice aconteceram coisas tão, mas tão boas que tornaram o acontecimento pequeno, passageiro e até mesmo encarado como um sinal de sorte. Assim fui dormir agradecendo, de coração, por tudo ter acabado bem.


"Rezar muito e ter fé. Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus." Guimarães Rosa

Outros relatos: Flavia Perdigão

Minha colega de trabalho Flavia tem se revelado uma verdadeira cronista, escrevendo sobre os mais diversos assuntos. Mas dentre tantos textos sensíveis, divertidos e detalhados que poderia publicar por aqui, hoje me deparei com este, bem curtinho, entretanto, pela data especial, tornou-se ao meu ver, o mais significativo de todos, pois nele declara seu amor ao filho Daniel e sua alegria por vê-lo tão crescido...

E meu menino cresceu e hoje completa 18 anos. E eu completo 18 anos vivendo a minha maior e melhor história de amor! Parabéns, Dan!

Também desejo feliz aniversário ao Daniel, tudo de bom! Mas faço questão de desejar também parabéns à Flavia, mãe guerreira. Criar filho é uma bênção e ao mesmo tempo uma tarefa desafiante - só mesmo quem se dispõe a fazer a sua parte do melhor jeito possível sabe... E Flavia certamente sabe... ah, como sabe! Uma mãe que respeita o tempo e as possibilidades reais do filho, sem deixar de sonhar com boas surpresas, que o ouve mesmo na ausência da fala propriamente dita, sendo sua porta voz, que se emociona diante das mais singelas (e ao mesmo tempo enormes) conquistas e que o ama incondicionalmente só pode mesmo ser merecedora de viver essa alegria junto do filhote. Flavia querida, aproveite bastante seu moço!!!

sábado, 1 de março de 2014

Para refletir: a alma do negócio


Realmente uso o facebook para me engrandecer e não me enaltecer. Eis mais uma prova: há muito tempo assisti a esse documentário "Criança, a alma do negócio" promovido pelo Instituto Alana e em choque fiquei. Não sei por quê na época não publiquei por aqui. Mas ainda bem que minha amiga Inez Pinheiro, com suas sábias palavras que seguem abaixo, publicou recentemente em sua página, e dessa vez me vi na obrigação de compartilhar com mães, pais, educadores e gente interessada em continuar sendo gente da melhor qualidade, o que vem ocorrendo - NA NOSSA FRENTE TODOS OS DIAS!!! - com gente pequena que não tem condições de se defender desse apelo ao consumo exacerbado nem de fazer uma reflexão sobre o que estão perdendo ao manifestarem suas "vontades", pouco genuínas e distantes de uma infância saudável. Cadê uma legislação respeitosa sobre os direitos das crianças e do adolescente e cadê os adultos responsáveis por essas crianças que inclusive no documentário pouco manifestam uma postura como formadores dessas crianças???


Fica então a necessária reflexão proposta por Zizi:  

Estamos vivendo numa época em que é difícil dizer não para o pedido de uma criança, quando "todos têm tal brinquedo, todos fazem tal coisa"… E não é fácil mesmo!
Mas esse vídeo é uma das coisas mais sérias que já assisti sobre o assunto e obviamente
foi pouquíssimo divulgado, uma vez que critica justamente esse apelo e precocidade do consumo dos pequenos.
Somos um dos raros países onde não há uma censura séria da propaganda para público infantil, pelo contrário. Cada vez mais bombardeia-se as crianças com comerciais apelativos… Uma das cenas é chocante: numa entrevista com 5 crianças, 4 dizem que preferem "comprar" do que brincar… socorro!! 






 

OBS: Para quem quiser conhecer o trabalho sério do Instituto Alana, é só entrar no site: www.alana.org.br

 

 


Para rir: terceiro filho

Encontrei esse texto nas redes sociais e tirando uma parte ou outra mais exagerada e deturpada além dos jeitos particulares de cada um, a essência é exatamente essa: temos a tendência a exceder nos cuidados com o primeiro filho, relaxar com o segundo e "avacalhar" com o terceiro.

No meu caso em especial, nem me achei uma mãe super protetora com Mateus, mas ainda assim cometi alguns excessos e principalmente sofri em demasia com coisas pequenas. Lembro-me de quando fiquei em choque quando me dei conta da "lista da básica" que uma vendedora me passou para a chegada do bebê e eu mal sabia o que significava a maioria dos itens ou de uma vez em que finalmente eu e Luiz saímos para jantar fora com nosso bebê e quando a chupeta caiu no chão quis logo ir embora, porque uma vez não tendo como esteriliza-la não poderia dar ao Mateus quando ele quisesse e aí já criei a maior cena terrível em minha cabeça com o menino aos berros no restaurante e nós sem podermos acalmá-lo, passando a maior vergonha e sem conseguir comer e aproveitar - objetivo da saída, não? Quanta piração!!!! Fazer o que? Faz parte do aprendizado.... No fundo, desejo de acertar em uma sociedade que valoriza o consumo, o excesso, o individual, a culpa...

Tempo depois, recebi o segundo e o terceiro filho de uma vez só, e pude vivenciar novamente toda a emoção de receber esses pequenos seres especiais em minha vida e dessa vez, que alegria: sem tantas inseguranças. Em geral, tirando alguns casos especiais em que o segundo ou terceiro filho foi gerado após muito tempo com os pais mais maduros ou outros em que o bebê requer alguma atenção especial tenho visto um sentimento de alívio às respectivas famílias. E o alívio é tão grande que faz a gente relaxar mesmo, em todos os sentidos... Assim, desde que tive 3 filhos a correria tem sido grande e como já coloquei aqui outras vezes realmente alguns cuidados ficam de lado: minhas meninas quase não têm foto, muito menos álbum organizado, fizeram menos passeios na vida, têm menos momentos sozinhas só comigo ou com o pai, menos roupas, brinquedos e não consulto a pediatra a cada acontecimento, pois já conseguimos esperar, ouvir a criança, o contexto e usar de nossa experiência.

Por outro lado, vejo que a qualidade das relações afetivas (o mais importante de tudo!) está não apenas garantido como potencializado nesse contexto, uma vez que elas chegaram numa família mais estruturada, com pais presentes e com mais clareza e condições de fazerem as escolhas necessárias para seu desenvolvimento pleno e saudável além de um irmão receptivo e sensível. Com o tempo, nos vimos mais tranquilos sobre o que podemos desapegar em relação ao consumo, excesso de informações e zelo para nos atermos ao que realmente importa. Assim, é verdade que as meninas fizeram menos passeios na vida delas em relação a Mateus, contudo, os passeios que fizeram foram muito mais adequados do que os de Mateus, já que não temos mais aquela urgência em irmos, por exemplo, ao restaurante como tínhamos quando Mateus nasceu. Na época era realmente muito sofrido percebermos que nossas vidas haviam mudado com a chegada do bebê. Agora aceitamos nossas vidas com crianças, gostamos de como tudo foi se ajeitando. Com as meninas, em geral, temos feito programas de criança, para que aproveitem com plenitude nossos momentos - e aqui não estou fazendo uma crítica nem uma fala de quem nunca vai fazer o contrário, mas apenas fazendo a constatação de uma escolha até o momento, porque as crianças crescem... e rápido! E uma vez crescendo teremos que fazer outras escolhas para nos organizarmos do melhor jeito para nossa família. Além do mais, acredito piamente que nossos filhos vieram somar em nossas vidas, tanto que recentemente aceitei um novo desafio profissional em que tenho ficado um pouquinho mais afastada deles, mas faço o possível para aproveitar essa infância dos 3, o mais intensamente que puder.

Dessa maneira, vejo que apesar de uma dúvida aqui e outra acolá sobre um monte de coisas temos algumas certezas importantes e que nos fazem conviver bem com tudo o mais: queremos (e achamos que uma boa parte estamos conseguindo) criar nossos filhos de modo que eles saibam que são extremamente queridos por nós, pelos irmãos e mais um monte de gente, além de capazes de aproveitar tudo que a vida tem a oferecer, já que desde cedo vimos toda a potência que existe dentro deles, inclusive para atuarem  com uma certa independência em algumas situações, nos deixando também um pouquinho mais livres... tão bom assim pra todo mundo!!!

Segue o texto "engraçadinho" e inspirador dessa reflexão... de autor desconhecido. Por favor foquem na ideia central dele e ignorem os exageros que só se justificam pela piada pronta...


ORDEM DE NASCIMENTO DOS FILHOS

O 1º filho é de vidro...

O 2º é de borracha
O 3º é de ferro

Planejamento
O 1º filho é (em geral) desejado
O 2º é planejado
O 3º é escorregado

O TRATAMENTO (PELA ORDEM DE NASCIMENTO DAS CRIANÇAS)

1º- Irmão mais velho têm um álbum de fotografia completo, um relato minucioso do dia que vieram ao mundo, fios de cabelo e dentes de leite guardados.
2º – O segundo mal consegue achar fotos do primeiro aniversário.
3º- Os terceiros, não fazem ideia das circunstâncias em que chegaram à família

O que vestir
1º bebê – Você começa a usar roupas de grávidas assim que o exame dá positivo.
2º bebê – Você usa as roupas normais o máximo que puder.
3º bebê – As roupas para grávidas são suas roupas normais, pq vc já deixou de ter um corpinho de sereia e passou a ter um de baleia.

Preparação para o nascimento
1º bebê – Você faz exercícios de respiração religiosamente.
2º bebê – Você não se preocupa com os exercícios de respiração, afinal lembra que, na última vez, eles não funcionaram.
3º bebê – Você pede para tomar a peridural no 8º mês pq se lembra que dói demais.

O guarda-roupas
1º bebê – Você lava as roupas que ganha para o bebê, arruma de acordo com as cores e dobra delicadamente dentro da gaveta.
2º bebê – Você vê se as roupas estão limpas e só descarta aquelas com manchas escuras.
3º bebê – Meninos podem usar rosa, né? Afinal o seu marido é liberal e tem certeza que o filho vai ser macho igual ao pai! (será que vai mesmo?)

Preocupações
1º bebê – Ao menor resmungo do bebê, você corre para pegá-lo no colo.
2º bebê – Você pega o bebê no colo quando seus gritos ameaçam acordar o irmão mais velho..
3º bebê – Você ensina o mais velho a dar corda no móbile do berço ou manda o marido ir até o quarto das criança.

A chupeta
1º bebê – Se a chupeta cair no chão, você guarda até que possa chegar em casa e fervê-la..
2º bebê – Se a chupeta cair no chão, você a lava com o suco do bebê.
3º bebê – Se a chupeta cair no chão, você passa na sua camiseta, dá uma lambida, passa na sua camisa desta vez para dar uma secadinha pra não pegar sapinho no nenê, e dá novamente ao bebê, pq o que não mata, fortalece (vitamina B, de Bicho, off course!)

Troca de fraldas
1º bebê – Você troca as fraldas a cada hora, mesmo se elas estiverem limpas.
2º bebê – Você troca as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário.
3º bebê – Você tenta trocar a fralda somente quando as outras crianças começam a reclamar do mau cheiro.

Banho
1º bebê – A água é filtrada e fervida e sua temperatura medida por termômetro.
2º bebê – A água é da torneira e a temperatura é fresquinha.
3º bebê – É enfiado diretamente embaixo do chuveiro na temperatura que vier, pq vc, seu marido e seus pais foram criados assim, e ninguém morreu de frio.

Atividades
1º bebê – Você leva seu filho para as aulas de musica para bebês, teatro, contação de história, natação, judô, etc…
2º bebê – Você leva seu filho para a escola e olhe lá…
3º bebê – Você leva seu filho para o supermercado, padaria, manicure,e o seu marido que se vire para levá-lo à escola e ao campo de futebol…

Saídas
1º bebê – A primeira vez que sai sem o seu filho, liga cinco vezes para casa da sua mãe (sua sogra não pode ficar com a criança porque na sua cabeça, ela nunca foi mãe), para saber se ele está bem.
2º bebê – Quando você está abrindo a porta para sair, lembra de deixar o número de telefone pra empregada.
3º bebê – Você manda a empregada ligar só se ver sangue.

Em casa
1º bebê – Você passa boa parte do dia só olhando para o bebê.
2º bebê – Você passa um tempo olhando as crianças só para ter certeza que o mais velho não está apertando, mordendo, beliscando, batendo ou brincando de superman com o bebê, amarrando uma sacola do carrefour no pescoço dele e jogando ele de cima do beliche.
3º bebê – Você passa todo o tempo se escondendo das crianças.

Engolindo moedas
1º bebê – Quando o primeiro filho engole uma moeda, você corre para o hospital e pede um raio-x.
2º bebê – Quando o segundo filho engole uma moeda, você fica de olho até ela sair.
3º bebê – Quando o terceiro filho engole uma moeda, você desconta da mesada dele.